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Para muitas pessoas, o sol e calor são sinal de praia. E praia é sol, descanso, mergulhos. No entanto, para alguns, praia é mais que isto. Praia são piruetas, aéreas, espetáculo. Se não percebem o que quero dizer é porque nunca viram o Andebol de Praia.
Criado em 1993 em Itália, o Andebol de Praia é uma modalidade que coloca frente a frente duas equipas de 4 jogadores (um guarda-redes e três atletas de campo), num campo de areia. Segundo a Federação de Andebol de Portugal, o jogo consiste em duas partes de dez minutos, sendo cada resultado contabilizado separadamente. Se após esse período existir um empate segue-se para o shoot-out, em que cada equipa escolhe cinco jogadores para enfrentarem o guarda-redes adversário, alternadamente. O leitor pode perguntar então: “Mas o que tem isto de tão espetacular?”. Pois bem, a espetacularidade do Andebol de Praia acontece durante o jogo, uma vez que nem todos os golos são iguais. Ou seja, um remate simples vale um golo, mas se antes do remate o atleta realizar uma pirueta (entendida como uma volta de 360º enquanto se encontra no ar) ou se receber a bola no ar e a rematar antes de cair no chão, esse golo não vale um mas sim dois. Para além desta particularidade, no Andebol de Praia não existe qualquer tipo de contacto físico, o que torna os jogos extremamente emocionantes dada a velocidade e espetacularidade dos golos marcados.

Fonte: EHF
Agora que o Andebol de Praia já está explicado, chegamos ao tema principal deste texto. Esta modalidade chegou timidamente a Portugal e os primeiros registos que existem sobre a mesma são de alguns encontros regionais em 2009. Tímido chegou e tímido se manteve durante vários anos, com os clubes a serem os principais dinamizadores, organizando circuitos regionais entre clubes.
No entanto, a modalidade foi crescendo, não só a nível nacional mas também Europeu e Mundial. A nível de seleções sempre existiram grandes eventos tanto a nível masculino como feminino (o primeiro campeonato do mundo disputou-se em 2004 no Egipto), mas em termos de clubes era diferente. As competições europeias de clubes começaram a aparecer e a crescer e as equipas portuguesas começaram a participar, o que obrigou a Federação de Andebol de Portugal a prestar atenção a esta jovem mas cada vez maior modalidade. Começaram a aparecer as Fases Finais e desse momento para a frente as coisas mudaram de figura.
Com o crescimento da modalidade em Portugal, começaram a aparecer as primeiras seleções nacionais, principalmente nos escalões mais jovens de sub-16, sub-17 e sub-18 e, quase de forma imediata, os resultados começaram a chegar para o nosso país.
2014 foi o ano da primeira aparição de uma seleção portuguesa, a de sub-18, numa competição oficial, nomeadamente no Campeonato da Europa de sub-18. O 7º lugar que a comitiva portuguesa atingiu pode parecer pouco mas foi a primeira grande competição do Andebol de Praia português. Este foi um ponto de viragem.
Nesse mesmo ano, disputou-se a primeira Liga dos Campeões de Clubes, onde Portugal esteve representado tanto na variante masculina como feminina, obtendo um quinto e oitavo lugar respetivamente. Estes resultados tiveram impacto na modalidade no nosso país e levaram a que Portugal conseguisse a organização do Campeonato Europeu de sub-16, em 2016. Foi nesse evento que a seleção nacional se mostrou ao mundo e fez todos verem o trabalho de qualidade que se realizava nas nossas praias.
Na vertente masculina, os atletas portugueses conseguiram nada mais nada menos do que um 2º lugar, perdendo na final para a forte seleção espanhola por 2-1. Na vertente feminina, as nossas atletas atingiram um brilhante 3º lugar, perdendo na meia-final com a Espanha por 2-1, mas vencendo depois a seleção norueguesa também por 2-1.
Esta foi a primeira mostra desta grande geração do Andebol de Praia português, que depois destes resultados, conseguiram:
- Masculinos: 7º lugar no Europeu sub-17
7º lugar no Mundial sub-17
- Femininos: 2º lugar no Europeu sub-17
4º lugar no Mundial sub-17
Estes resultados, excelentes para seleções com tão pouco tempo de existência, permitiram que os jovens portugueses se apurassem para os Jogos Olímpicos da Juventude em 2018, uma oportunidade excelente para darem continuidade ao brilhante trabalho realizado até então.
Contudo, a vida é feita de injustiças e neste caso a injustiça foi o impedimento das jovens atletas portuguesas, duas vezes vice-campeãs da Europa, quarto lugar no mundial do seu escalão, poderem participar nos Jogos Olímpicos da Juventude 2018 em Buenos Aires, sendo substituídas pela seleção feminina de futsal. Foram 3 anos de suor, trabalho e dedicação que foram lançados para o lixo devido a burocracias. A injustiça foi grande. Muito grande. De tal maneira que a seleção masculina de Andebol de Praia que participou nesses jogos, prometeu que iriam mostrar ao mundo o nível da modalidade em Portugal. E assim o fizeram.
Esses jovens sub-18 foram nada mais nada menos do que Vice-Campeões Olímpicos, perdendo na final para a favorita Espanha por 2-1. Mostraram como Portugal tinha hipóteses de dominar o Andebol de Praia mundial, caso as suas colegas femininas tivessem participado.
E como se tal não chegasse, na semana de 29 de Outubro a 4 de Novembro de 2018, realizou-se em Itália a Liga dos Campeões de Andebol de Praia, onde mais uma vez as cores de Portugal estiveram bem representadas. Tão bem representadas que a equipa do GRD Leça se sagrou Vice-Campeã Europeia de clubes na vertente feminina.

Fonte: GRD Leça
O Andebol de Praia é uma modalidade recente mas que já conseguiu muito para Portugal, tanto a nível de seleções como de clubes. Com o pouco que têm e recebem, quer em termos de apoios institucionais como de visibilidade por parte da comunicação social, já alcançaram muito mais do que se poderia pedir ou imaginar. Os nossos atletas portugueses são verdadeiros heróis por continuarem a levar bem alto a nossa bandeira e o nome de Portugal por esse mundo fora. E por muito que lhes tirem eles simplesmente respondem desta forma. Sorrindo e vencendo.
Parabéns a todos os envolvidos nas recentes conquistas portuguesas, quer na seleção como no GRD Leça.
Foto de Capa: EHF
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro












