A CRÓNICA: CONSISTÊNCIA DEFENSIVA FOI A CHAVE DA VITÓRIA

Uma época depois de ter tido a sua participação nos oitavos-de-final da EHF Champions League impedida devido à pandemia de COVID-19, o FC Porto voltou hoje a ter a oportunidade de continuar a sua boa prestação na principal competição europeia. O adversário foi o Aalborg, campeão dinamarquês, que se classificou em quarto lugar do Grupo B.

Este jogo da primeira mão realizou-se no Dragão Arena. Foi a equipa da casa a abrir o marcador através do alemão Djibril Mbengue. O FC Porto entrou muito bem defensivamente, obrigando a equipa dinamarquesa a trabalhar muito o ataque antes de conseguir ter condições para finalizar. No outro lado do campo, a equipa portuguesa foi conseguindo encontrar espaço para finalizar de forma simples. Esta melhor entrada em jogo da equipa azul e branca permitiu construir uma vantagem de três golos logo aos dez minutos de jogo. Com o decorrer do jogo a equipa de Magnus Andersson começou a ter mais dificuldades ofensivas, mas a boa prestação defensiva foi suficiente para construir uma vantagem de cinco golos. Nos últimos dez minutos ambas as equipas apostaram no 7×6 e o FC Porto terminou o primeiro tempo a vencer 18-14.

A fragilidades ofensivas sentidas pelo FC Porto, momentaneamente, durante a primeira parte acentuaram-se no recomeço da partida, tendo a equipa portuguesa marcado apenas três golos nos primeiros dez minutos, o que permitiu ao Aalborg diminuir a desvantagem, chegando a empatar a partida. A situação apenas não foi mais complicada devido às intervenções de Mitrevski, que foram adiando as aproximações da equipa dinamarquesa. No entanto, os comandados de Magnus Andersson continuaram bem defensivamente, o que permitiu aproveitar os contra-ataques para voltar a aumentar a vantagem. As dificuldades em organização ofensiva mantiveram-se, o que deixou o Aalborg sempre dentro da partida. Estas dificuldades relacionaram-se, também, com a boa prestação do guarda-redes do Aalborg, Simon Gade, que a oito minutos do final da partida tinha uma eficácia de defesas de 50% (!) na segunda parte. Nos últimos cinco minutos a equipa dinamarquesa apostou mais uma vez no 7×6 para tentar diminuir a desvantagem que, entretanto, voltou a ser de quatro golos. Para os últimos ataques o FC Porto também aproveitou a arma da superioridade numérica para facilitar as situações de finalização. Finalizada a partida, o FC Porto conseguiu vencer o encontro e leva uma vantagem de três golos para a segunda mão (32-29).

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Esta foi uma vitória importante para a equipa portuguesa, mas que poderia ter sido mais bem conseguida caso não fossem as imensas dificuldades em organização ofensiva que o FC Porto teve durante a segunda parte. A segunda mão, na Dinamarca, irá realizar-se dia 7 de abril e a equipa terá de estar ao seu melhor nível para ultrapassar este adversário, missão essa que não parece ser impossível.

A FIGURA

Henrik Mollgaard – O experiente dinamarquês, que já passou pelo colosso PSG, foi a principal arma ofensiva da primeira linha da equipa dinamarquesa (sete golos e duas assistências, 88% de eficácia) e uma das âncoras da equipa em termos defensivos (dois blocks). Aos 36 anos voltou a mostrar ao andebol europeu a sua qualidade e classe, causando imensas dificuldades ao FC Porto.

O FORA DE JOGO

Prestação ofensiva do FC Porto na segunda parte – O FC Porto terminou a primeira parte a vencer por quatro golos e tudo fazia antever que a equipa iria conseguir ter uma segunda parte tranquila e com relativa facilidade controlar o jogo e o resultado. No entanto, as dificuldades ofensivas da equipa na segunda parte foram imensas (diminuiu a eficácia de 82% para 48%), conseguindo finalizar muito poucas jogadas através da sua organização ofensiva, tendo aproveitado muitos contra-ataques, ataques rápidos e ressaltos para marcar os seus preciosos golos.

ANÁLISE TÁTICA FC PORTO

A organização defensiva da equipa portuguesa foi a base para a vitória no jogo de hoje. Foi uma exibição muito consistente a este nível durante toda a partida, o que levou a que o Aalborg tivesse de trabalhar muito para encontrar situações de finalização. Em termos ofensivos, a história é outra. Durante a primeira parte, a equipa ir encontrando situações de finalização (eficácia de 82%), mas no segundo tempo as dificuldades foram imensas em organização ofensiva (eficácia de 48%), tendo conseguido marcar principalmente através de ataques rápidos e de contra-ataques. Na fase final da partida a utilização do 7×6 foi decisiva para superar tais dificuldades.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Nikola Mitrevski (6)

Diogo Branquinho (8)

André Gomes (5)

Rui Silva (8)

Djibril Mbengue (9)

António Areia (8)

Victo Iturriza (6)

SUPLENTES UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Marton Szekely (6)

Manuel Spath (-)

Miguel Martins (5)

Daymaro Salina (8)

Ivan Sliskovic (4)

Diogo Silva (6)

Fábio Magalhães (9)

ANÁLISE TÁTICA AALBORG

Na primeira parte, a equipa dinamarquesa teve algumas dificuldades ofensivas, cometendo imensas faltas técnicas e dependendo demasiado das individualidades. Na segunda parte, conseguiu melhor um pouco a performance ofensiva, mas o que permitiu realmente a aproximação ao FC Porto foi a prestação defensiva no segundo tempo, que causou imensas dificuldades à primeira linha da equipa portuguesa. A organização defensiva variou entre o 6×0 e uma organização mais avançada, como o 3x2x1. Em termos ofensivos, a equipa também apostou diversas vezes no 7×6 e com relativo sucesso.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Mikael Aggefors (4)

Henrik Mollgaard (9)

Sebastian Barthold (7)

Eskild Henneberg (5)

Lukas Sandell (8)

Mark Marcher (8)

Jonas Samuelsson (4) 

SUPLENTES UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Simon Gade (5)

Felix Claar (8)

Nikolaj Christensen (6)

Magnus Jensen (8)

Mads Christiansen (6)

Foto de Capa: EHF Champions League