A CRÓNICA: DEPOIS DE 14 ANOS DE ESPERA, PORTUGAL VOLTOU A MOSTRAR À EUROPA A SUA QUALIDADE

Primeiro jogo da seleção portuguesa num campeonato da Europa, depois de 14 anos de espera, e logo frente à poderosíssima seleção francesa, vista por muitos como A seleção da última década. Com vários atletas afetados por uma gripe, Portugal não arranjou desculpas e entrou em campo com um objetivo: repetir o feito de Guimarães.

A França entrou melhor. Mais habituada a estes palcos, aproveitou alguma ansiedade portuguesa para se colocar na frente do marcador. Contudo, a equipa de Paulo Pereira acalmou-se, começou a jogar o seu jogo e paulatinamente voltou a lutar pelo resultado.

Com Alfredo Quintana a fechar a baliza – terminaria com nove defesas, 31% de eficácia e um golo – e o forte bloco defensivo criado por Daymaro Salina, Alexis Borges, André Gomes e Luís Frade, Portugal saltou para a liderança à passagem do minuto 24 quando fez o 9-10. Com disciplina a ser a palavra de ordem, a vantagem podia ter sido de quatro golos ao intervalo, mas um conjunto de falhas técnicas permitiram à seleção gaulesa aproximar-se e levar o jogo para o intervalo perdendo apenas por um (11-12).

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No segundo tempo, a intensidade manteve-se. Portugal aumentou a agressividade defensiva, jogando com uma defesa mais aberta que obrigava os jogadores franceses a apostarem mais no jogo individual, e ofensivamente Rui Silva ia mantendo a sua sobriedade característica, gerindo o jogo e o resultado.

Os adeptos portugueses na Trondheim Spetrum ainda se assustaram quando a França empatou, mas Alfredo Quintana voltou a “crescer” e tapou baliza. Ludovic Frabegas e Michaël Guigou receberam exclusões de dois minutos já perto do final o que obrigou a seleção francesa a jogar com apenas quatro jogadores de campo o último minuto e meio. Paulo Pereira ia pedindo mais um, e assim Portugal o fez, vencendo por 25-28 a gigante França que caiu com estrondo nesta jornada inaugural do EURO 2020.

A FIGURA

Fonte: FAP

André Gomes – A EHF elegeu o central Rui Silva como MVP da partida e percebe-se dado o impacto que teve na organização de jogo, mas o jovem André Gomes esteve a um nível tremendo. Fortíssimo no um-para-um, o lateral fez pleno uso do seu forte remate e capacidade de impulsão para marcar quatro golos em momentos decisivos. E como se não bastasse, ainda esteve perfeito do ponto de vista defensivo ao sacar várias faltas atacantes.

O FORA DE JOGO

Fonte: FFH

Didier Dinart – O selecionador francês não foi capaz de alterar a maneira de jogar da sua equipa de acordo com os esquemas defensivos apresentados por Portugal e acabou por sair derrotado. Apesar de toda a capacidade técnica dos seus jogadores, apenas isso não chegou para ultrapassar a seleção das quinas.

ANÁLISE TÁTICA – FRANÇA

Esta seleção francesa tem sofrido muitas alterações ao longos dos últimos anos e apesar da sua qualidade técnica ser inegável, em termos táticos têm tido dificuldades em adaptar-se. Muito dependente de Nikola Karabatic, ofensivamente houve períodos em que o ataque francês parecia um pouco sem ideias e tinha dificuldade em ultrapassar a agressividade defensiva que Portugal ia colocando.

Já no plano defensivo, a agressividade francesa excedia os limites em certos momentos, e podemos dizer que o nome pesou um pouco quando era altura dos árbitros letónios decidirem. Sorhaindo podia – e devia – ter levado pelo menos uma exclusão de dois minutos, por falta sobre André Gomes, tal como Dipanda.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Gerard (6)

Karabatic (6)

Dika Mem (7)

Guigou (6)

Abalo (6)

Dipanda (5)

Fabregas (7)

SUBS UTILIZADOS

Genty (5)

Remili (6)

Lagarde (7)

Richardson (6)

Sorhaindo (5)

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Com a sua defesa seis-zero característica, Portugal teve dificuldades nos primeiros minutos dada a capacidade física do pivot francês Ludovic Fabregas. A circulação de bola do ataque francês obrigava Alexis e Daymaro a esforços redobrados o que abria espaços aos seis metros que Nikola Karabatic e Dika Mem iam aproveitando. Contudo, isso mudou quando Paulo Pereira fez alinhar uma defesa mais agressiva e mais móvel que afastava a primeira linha francesa dos nove metros e a obrigava a jogar mais no um-para-um.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Alfredo Quintana (8)

Rui Silva (8)

André Gomes (9)

João Ferraz (6)

Diogo Branquinho (9)

Pedro Portela (8)

Alexis Borges (8)

SUBS UTILIZADOS

Fábio Magalhães (7)

Daymaro Salina (8)

Luis Frade (8)

António Areia (7)

Miguel Martins (6)

Alexandre Cavalcanti (6)

Foto de Capa: EHF

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