Os 5 melhores momentos do Madeira SAD x Atlético Guardés

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O Madeira SAD chegava à primeira mão dos quartos de final da EHF European Cup, com um registo praticamente imaculado em toda a temporada. Sofreu apenas uma derrota frente ao IBV Vestmannaeujar, num jogo a contar para a 2ª mão da 3ª ronda da European Cup, sendo que no campeonato nacional ocupa o segundo lugar com os mesmos pontos que o Benfica, líder da competição.

Já o Atlético Guardés chegou a esta partida numa situação mais precária. A nível interno, ocupa apenas a nona posição do campeonato espanhol, já com mais do que uma derrota. Aliás esta partida marcou a estreia da madeirense Ana Seabra como treinadora do Guardés. Seabra foi jogadora do Madeira SAD durante 7 anos e até á última semana, era adjunta de Abel González no comando da formação de Pontevedra. Na Europe Cup, o Atlético Guardés apresentava um registo imaculado, com a particularidade de apenas ter iniciado a sua campanha a partir da 3ª ronda.

Um jogo marcado por uma entrada em grande do Madeira SAD, por uma grande recuperação das galegas e por vários momentos que acabou com a vitória do Atlético Guardés (26-30), obrigando o Madeira SAD a vencer por uma margem mínima de 5 golos, para marcar presença nas “meias”.

5. INÍCIO AVASSALADOR DO MADEIRA SAD

O Madeira SAD entrou numa forma completamente demolidora na partida. Começou por abrir o marcador, por intermédio da lateral direita Érica Tavares. O Atlético foi capaz de responder com prontidão, mas não marcaria mais até aos 7 minutos, num momento em que se apanhava a perder por 6-1.  Os principais catalisadores desta desvantagem foram uma defesa em 3-2-1, com uma pressão elevadíssima, preparada para lançar o contra-ataque.

Na vertente ofensiva, o Madeira SAD começou por apostar numa alternância entre Érica Tavares e Maria Duarte nas funções de central e lateral direita, respetivamente. As duas combinavam com as pontas, com particular destaque para o trabalho da ponta direita, Neide Duarte. A pivô Rícia Oliveira desestabilizava completamente a defesa do Atlético Guardés.

A equipa do Guardés não tinha criatividade ofensiva, atacando num esquema “standard”, mas com as jogadoras muito fixas e em que a pivô não constituía qualquer ameaça. Este aspeto associado a uma boa entrada da guarda-redes do Madeira SAD, Isabel Góis, no encontro levou a um domínio inicial das madeirenses. A desorganização defensiva do Atlético Guardés ficou patente no lance do 8-3, quando uma formação defensiva das galegas com duas linhas de 3 foi completamente desmanchada, por um simples recuo de Rícia Oliveira, deixando apenas uma defesa adversária junto à área dos 6 metros.

4. A REMONTADA DO ATLÉTICO GUARDÉS

Aos 12 minutos, o jogo sorria de forma clara ao Madeira SAD, com um resultado de 10-4 e uma incapacidade do Atlético Guardés em assegurar a superioridade. O rumo do jogo ia mudar a favor das galegas aquando de uma perda de bola por parte de Rícia Oliveira que permitiu à equipa de Pontevedra marcar dois golos consecutivos, pela primeira vez no encontro.

O que se seguiu foi uma sucessão de jogadas bem conseguidas, protagonizadas pelo duo português da central Patrícia Lima e da lateral, Sandra Santiago. A ofensiva do Guardés assentava num cruzamento entre as duas jogadoras, no qual também se envolvia a lateral esquerda, Cristina Cifuentes.

Aliada a esta mobilidade que conferiu ao ataque galego maior imprevisibilidade, estava o talento de Miriam Agullo.

3. A “SECA” DO MADEIRA SAD

A meio da primeira parte, tudo parecia bem encaminhado para uma vitória das insulares, quando uma perda de bola levou o Guardés a reduzir para 10-5. O jogo do Madeira SAD tornava-se irreconhecível. A aposta defensiva foi sempre no 6-0 moderno, mas a velocidade de Santiago e Cifuentes foi adversativa ao esquema. No ataque, eram faltas e azares que condicionavam as ambições do Madeira SAD, levando a equipa a ficar mais de 15 minutos sem qualquer golo apontado.

O jejum foi quebrado pela ponta Marilene Domingos, mas foi o único golo da Madeira SAD nos últimos 18 minutos da primeira parte, pelo que as insulares foram ao intervalo a perder por 14-11.

2. EXIBIÇÕES INDIVIDUAIS

A melhor jogadora em campo foi Sandra Santiago. Jogava tanto a central como a lateral, fazendo uso da técnica e da velocidade para se superiorizar às adversárias. Cristina Cinfuentes e Patrícia Lima também estiveram em grande e desempenharam um papel fulcral na vitória galega, assim como Miriam Agullo.

Do lado da Madeira SAD, as irmãs Maria e Neide Duarte estiveram em destaque, sendo as principais desequilibradoras do jogo em favor do lado insular. No início, sobressaiu a química com Érica Tavares, mas a partir da segunda parte, a zona da ponta direita foi uma autêntica “dor de cabeça” para a defesa do Guardés, pelo que Neide foi mesmo a melhor marcadora do lado português, com 7 remates certeiros. 

Já Maria Duarte destaca-se não só pela distribuição do jogo, mas sobretudo pela eficácia nos livres de 7 metros que se revelaram essenciais para minimizar uma desvantagem que podia ser fatal para as ambições madeirenses na eliminatória. Na baliza, Isabel Góis começou bem a partida e acabou ainda melhor com duas grandes intervenções nos minutos finais do encontro. Pelo meio, Suelma Soares também protagonizou excelentes intervenções essenciais para a gestão da desvantagem pelas madeirenses.

1.O “QUASE” EMPATE

Na primeira metade do segundo tempo, foi a vez do Atlético Guardes passar por um período de quase 7 minutos sem marcar um único golo. Nesse período, o Madeira SAD foi capaz de reduzir uma desvantagem de 21-15 para 21-20, aproveitando novos desentendimentos na defesa do Atlético Guardés, sendo que a ofensiva madeirense tornou a ter maior mobilidade, permitindo às pontas aproximarem-se um pouco mais das laterais, de forma a facilitar combinações no ataque. A própria defesa insular continuava no esquema do 6-0 moderno, mas com um bloco mais subido, pronto a lançar o contra-ataque. Quando o marcador assinalava o 22-21, o Madeira SAD teve a oportunidade de fazer um empate, mas nova defesa de Miriam Agullo a um remate de Francisca João, seguido de um golo apontado por Cristina Cifuentes seria o momento catalisador de nova “mão” galega a controlar o encontro, garantindo a vitória do Atlético Guardés. A segunda mão é disputada a 19 de fevereiro, em Espanha às 16 horas (horário português).

Filipe Pereira
Filipe Pereira
Licenciado em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Filipe é apaixonado por política e desporto. Completamente cativado por ciclismo e wrestling, não perde a hipótese de acompanhar outras modalidades e de conhecer as histórias menos convencionais. Escreve com acordo ortográfico.

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