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Os momentos decisivos do Académico Viseu FC x FC Porto | Andebol

Pedro Filipe · 7 min

Foto: Bola na Rede

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O Futebol Clube do Porto foi à Beira Alta vencer o Académico de Viseu por 25-39. O triunfo ficou decidido antes do intervalo.

O melhor marcador da partida foi curiosamente dos anfitriões, André Lima com 6 golos. Do lado portista, Jack Thurin e Ignacio Jimenez com cinco tentos apontados, tantos quantos os de Miguel Cortinhas do Académico, foram os destaques dos dragões na finalização.

A equipa treinada por Magnus Andersson estava pressionada por estar atrás dos rivais na luta pelo título. Sporting e Benfica tinham jogado antes e ganharam os seus jogados, aumentando para sete e seis pontos de vantagem dos dragões.

Já o Académico Viseu, sem nada a perder neste jogo pelo desequilíbrio de forças face aos tricampeões nacionais, acabou por ver os adversários diretos na luta pelo playoff de manutenção. ADA Maia e Artística de Avanca perderem e os academistas continuam no antepenúltimo lugar com um ponto acima dos dois lugares de descida direta.

O Bola na Rede traz-te os momentos mais importantes do jogo.

DESEQUILÍBRIOS VIRAM-SE LOGO NO INÍCIO

A equipa da casa teve a primeira posse de bola e tinha assim uma oportunidade única de chegar à vantagem inicial. Contudo, os jogadores tiveram bastante dificuldade para alvejar a baliza e o árbitro parece ter assinalado jogo passivo aos viseenses.

Na situação seguinte do ataque visitante, os portistas acabaram mesmo por finalizar por Jack Thurin, depois de algumas faltas defensivas dos viseenses.

FRANDSEN EVITOU REAÇÃO

O Porto chegou a ter uma vantagem nos primeiros dez minutos de quatro golos. Próximo dos 14´, Victor Iturriza não conseguiu captar o passe de Jack Thurin e a bola chegou até ao guarda redes do Académico, Rodrigo Gameiro.

Os viseenses partiram então para o momento ofensivo e até conseguiram fazer chegar a bola até ao pivot, algo raro, especialmente na primeira parte. Em boa posição, Eduardo Almeida atirou. Só que o internacional sub20 não contava com a agilidade das pernas de Sebastian Frandsen que evitou a diferença passar para dois.

TIME OUT FUNCIONOU AO CONTRÁRIO

Depois dos viseenses terem conseguido reduzir para dois golos de diferença, 6-8, os portistas responderam com dois golos de seguida com uma situação ofensiva desperdiçada pelo Académico por um passe intercetado.

Precisamente ao minuto 18, o jogo parou porque o treinador da equipa da casa Rafael Ribeiro pediu o tempo de desconto para dar algumas indicações aos seus atletas. No entanto, o benefício não se viu e o Académico Viseu passou pelo período mais difícil da partida com mais de nove minutos sem marcar e um parcial de 8-0 para os dragões depois da paragem.

AREIA MOSTROU O CAMINHO

Na segunda parte, o treinador portista colocou vários atletas que ainda não tinham sido utilizados na primeira como os pontas, António Areia e Leonel Fernandes.  Apesar de os dois atletas terem feito ambos quatro golos, o antigo jogador do Benfica acabou por fazer os dois primeiros golos do segundo tempo do lado direito.

Dos 20 golos do Porto na etapa complementar, 40% foram feitos pelas pontas, mostrando a capacidade que a equipa ganha com os dois internacionais portugueses pelos extremos do campo.

Movimentos importantes no início da segunda parte, altura em que o Académico estava mais solto no ataque e mais coeso defensivamente a nível central.

ITURRIZA OUT

A menos de 8´ do final da partida, o Porto tinha a vantagem controlada com 12 golos de vantagem, 21-33.

Sem que nada o fizesse prever, em situação ofensiva dos dragões, Victor Iturriza e Diogo Quintas protagonizam uma luta bastante intensa corpo a corpo no centro da defesa viseense. O árbitro entendeu que o internacional português agrediu com o cotovelo o pivot do Académico Viseu e desqualificou o atleta com um cartão vermelho.

Apesar dos viseenses conseguirem a seguir reduzirem a desvantagem para dez golos com dois tentos seguidos, os portistas voltaram a distanciar-se no marcador até final.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académico Viseu FC

BnR: Qual é o balanço do jogo?

Rafael Ribeiro [técnico principal]: Perdemos. Sabíamos que a tarefa seria muito complicada. Mas aquilo que tinha proposto e que tinha dito na antevisão, de dar uma imagem diferente do jogo da Taça de Portugal, fizemo-lo.

A primeira parte não foi tão bem conseguida também porque não nos deixaram fazer uma primeira parte melhor conseguida, na minha opinião. Em caso de dúvida, era sempre contra a equipa da casa.

Passando isso à frente, fomos lutando. Tivemos dez minutos interessantes, mais uma vez, em que estivemos a três ou quatro golos com o jogo controlado. Depois, a diferença natural do Porto. A velocidade, a forma como faz as coisas com intensidade que nós não a temos. Não somos tão rápidos, não somos tão fortes, nem temos tão bons jogadores.

Na segunda parte, o resultado compôs-se um bocadinho. Marcámos 18 golos na segunda parte e, na primeira, criámos mais do que os sete golos indicam. Foi um jogo interessante da nossa parte.

Toda a gente viu as nossas limitações. Acabámos o jogo com dois sub20, o Eduardo [Martins] e o [Eduardo] Almeida. Este é o nosso plantel e o nosso Campeonato. Sabíamos que as nossas chances de ganharmos eram curtas. Mesmo a falhar, fizemos o melhor que conseguimos.

BnR: Da parte do Académico, foi pedido um time out durante o primeiro tempo. Nos nove minutos seguintes, a equipa não marcou e averbou um parcial negativo de 0-8. Como se explica essa quebra de rendimento da equipa?

Rafael Ribeiro: Algumas decisões que não se entendem. Não percebo. Constantemente jogo passivo.

Nós já temos limitações. Somos fisicamente mais fracos, com mais dificuldade a atacar com eles a pressionarem, mais difícil fica. Depois, não só o jogo passivo e falhámos. Recordo-me de seis ou sete bolas em situações 1×0 frente ao guarda-redes [Sebastian] Frandsen que falhámos sobretudo na meia altura.

Justifica-se por aí porque criámos algumas situações. Podíamos ter marcado. Contra este tipo de equipas, quando não marcamos, fica complicado.

BnR: Houve a surpresa do Rodrigo Gameiro, no início da partida. O que era pretendido com esta novidade na baliza?

Rafael Ribeiro: Tem treinado melhor. Apesar de ser o mais novo, quando assim é, merece jogar independentemente do adversário.

Era muito mais confortável para mim meter um dos mais velhos [António Silva e Ruben Sousa], mas como tem treinado melhor neste tempo todo, mereceu jogar mais.

BnR: Apesar da derrota, ficam alguns apontamentos positivos para o resto do Campeonato?

Rafael Ribeiro: Sim, espero que consigamos agarrar as coisas boas que fizemos e pô-las em prática. Apesar dos próximos adversários serem diferentes, espero que, daqui para a frente, consigamos tentar assentar sobretudo o jogo ofensivo. Continuamos a ter algumas, muitas falhas na finalização.

Perdemos por 14 golos. Na minha opinião, não é um resultado chocante para aquilo que foi o jogo, para aquilo que podíamos ter feito um bocadinho mais.

Deixámos uma imagem mais ou menos positiva. Não é a imagem que eu queria. O que queria era ter o jogo controlado o maior tempo possível. Não conseguimos, mas é o que temos e é assim que vamos lutar.

FC Porto

BnR: Que conclusões tira da partida?

Magnus Andersson [técnico principal]: Nós temos quatro jogos nesta e na próxima semana. Nós jogamos sábado, terça, sábado e terça e era importante manter-nos focados.

Na primeira parte, jogamos realmente muito bem e quase acabámos com o jogo.

Na segunda, o jogo foi desinteressante. Eu não estou satisfeito com a nossa segunda parte por não termos mantido a concentração. Mas eu compreendo de certa forma. Alterei quase toda a equipa.

Nós temos 11, 12, 13, 15 golos de vantagem e precisamos de ser melhores a manter a concentração.

BnR: Depois do time out pedido pelo Académico, o Porto conseguiu um parcial de 8-0 e esteve sem sofrer durante nove minutos. Este período de pausa foi importante para melhorar e manter o foco da equipa?

Magnus Andersson: Não, tivemos boas ocasiões que acabamos por falhar duas por falta de sorte e por algumas coisas que não consigo explicar.

Na defesa, estivemos realmente bem. A nossa defesa não foi o problema e o Sebastian [Frandsen] esteve lá sempre, quando nós tivemos problemas. Nós tivemos alguns problemas no ataque, mas fizemos oito golos de seguida na primeira parte e não me posso queixar.

Já na segunda, foi “au”… deixámos de criar dificuldades. Diminuímos a intensidade e jogámos a 40% da nossa capacidade.

BnR: Há maior pressão sobre a equipa por o Porto estar no terceiro lugar da I Divisão e ter sido eliminado precocemente na fase de grupos da Liga dos Campeões?

Magnus Andersson: Há sempre pressão no Porto. [O Campeonato] Continua a ser o nosso objetivo esta época. Nós temos boas hipóteses.

Já na Liga dos Campeões, foi um pouco dececionante. Não começámos com bons resultados. Talvez devêssemos ter jogado melhor. Perdemos muitas boas oportunidades e, no final, não foi suficiente.

Foi um pouco duro, mas agora temos de nos focar no Campeonato e temos outro ritmo. Temos muito tempo para treinar.

Agora temos quatro jogos nestas semanas, mais três em abril e quatro em maio. É o normal depois destas duas semanas.

Nós temos boas hipóteses de ganhar o Campeonato. É o nosso objetivo.

.

BnR: O Fábio Magalhães estava na folha de jogo, mas ficou fora do jogo. Houve ou há algum problema com o atleta?

Magnus Andersson: Não, não. Eu tenho muitos atletas. Alguns precisam de descansar e, desta vez, foi o Fábio a descansar. Mas ele joga na terça [jogo em atraso da I Divisão frente ao Póvoa AC].

Pedro Filipe

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