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A Seleção Nacional de Andebol está a competir no Campeonato Europeu, que decorre em três países (Suécia, Áustria e Noruega), entre os dias 9 e 26 de janeiro, e tal facto é motivo suficiente para o país estar desportivamente orgulhoso, visto que há 14 anos que não pisávamos este palco.
Apesar de se reconhecer o justo destaque que tem sido dado à prestação desportiva da nossa seleção nacional, sobretudo nos jornais do setor, não se poderá deixar em claro o facto de a transmissão televisiva estar a ser feita apenas por um operador televisivo privado.
O que isto significa? Significa que, em Portugal, apenas um canal privado detém os direitos televisivos da transmissão deste evento desportivo em território nacional. Significa que a visualização deste evento desportivo, de cariz internacional, no qual Portugal se encontra representado, apenas poderá ser feita pelos respetivos subscritores do canal em causa ou através da plataforma de streaming disponibilizada pela organização, junto do site da European Handball Federation (EHF).
Ainda não foi publicado ou, apesar do esforço, não nos foi possível encontrar o despacho, emanado pelo Ministério da Cultura, no qual consta a lista dos acontecimentos que devem ser qualificados de interesse generalizado do público, nem tão pouco sabemos se houve alguma tentativa de contacto por parte da televisão pública para poder adquirir ou partilhar os direitos televisivos de transmissão deste Campeonato da Europa, mas a verdade é que este Campeonato, à luz do Despacho aplicável em 2019 (Despacho n.º 8701/2018), seria incluído naquele elenco por se tratar de uma “participação de atletas portugueses ou seleção nacional «A» numa fase final do Campeonato da Europa”.
Tal inclusão nessa lista, apesar de constituir um passo, não é um fim. Essa inclusão apenas permite, de alguma forma, liberalizar a negociação dos direitos televisivos sobre os eventos desportivos bafejados pela sorte de serem incluídos na Lista. Mas falta mais, muito mais.

Fonte: EHF EURO
Os nossos atletas, a Seleção Nacional de Andebol, a Federação de Andebol de Portugal, o país merecia ver a prestação desportiva nacional neste Campeonato da Europa. O país é muito mais do que apenas uma modalidade. O país para se poder sentir, reconhecer e designar verdadeiramente desportivo tem que afastar o conceito minimalista de desporto que perdura, e é objeto de eco por quem, nestas matérias, tem o dever de dar o exemplo.
Há 14 anos que Portugal não estava presente num Campeonato da Europa de Andebol, mas decidiu-se que este evento desportivo não era merecedor de ser publicamente visto por toda a população nacional. Esta decisão reflete uma posição. A mesma posição, a mesma visão, a mesma postura que reduz o país à monocultura desportiva que, apesar de todos os constrangimentos de quem tem o poder de decidir e mudar a realidade, tem vindo a ser combatida através do árduo trabalho dos agentes e organizações desportivas.
Look. At. This.
👀@AndebolPortugal 🇵🇹#ehfeuro2020 #dreamwinremember pic.twitter.com/2pXsApB75C— EHF EURO (@EHFEURO) January 17, 2020
Ainda que se pretenda mudar a realidade através dos meios que existem na base, quem no topo pode decidir tem o dever e a responsabilidade de dar o exemplo e, neste particular, caberia à televisão pública agir no sentido de alimentar a cultura desportiva nacional, na senda do que conseguiu fazer no passado com outros eventos desportivos.
Uma televisão pública deve ter a capacidade de equilibrar e acomodar as exigências de mercado com aquilo que são as funções naturais da sua essência.
A história, mais uma vez, é simples: o canal público de televisão portuguesa não logrou obter os direitos de transmissão deste evento desportivo e, dessa forma, o país ficou, mais uma vez, condicionado pelo produto desportivo que lhe é dado a consumir.
Com esta realidade, Portugal não sabe, não consegue saber nem “o” deixam saber do seu verdadeiro valor desportivo. Com isto, perde o país, perdem os atletas, perdem as federações e, acima de tudo, prende-se e atrasa-se, inevitavelmente, o seu desenvolvimento desportivo.
Independentemente dos protagonistas desta história, há que atentar para esta realidade e questionar o porquê da mesma permanecer intacta e, acima de tudo, questionarmo-nos a quem compete alterá-la.
A Seleção Nacional, felizmente, passou a fase de grupos e deu à televisão nacional pública uma nova oportunidade para poder ser vista. Nesta sequência, o canal informou que apenas iria transmitir os jogos dos portugueses no Europeu a partir da fase a eliminar, se a esses a equipa conseguir chegar, o que é o mesmo que dizer que a transmissão da nossa seleção esteve e está dependente do seu próprio sucesso desportivo.
Esperando que ainda seja possível fazer diferente, o país aguarda que este caso sem igual possa ser corrigido por quem pode corrigi-lo.
Fiquem atentos.
Foto de Capa: EHF EURO
Artigo revisto por Joana Mendes












