A CRÓNICA: UMA VITÓRIA QUE DE FÁCIL NÃO TEVE NADA

Portugal entrava em campo depois da grande vitória na primeira jornada frente à seleção francesa. Para dar continuidade a essa boa entrada no Campeonato Europeu de Andebol, Portugal tinha de levar vencida a seleção da Bósnia.

Portugal entrou na partida com algumas alterações no sete inicial em relação à primeira jornada. O começo do jogo foi equilibrado, sendo o primeiro golo marcado por António Areia, na sequência de um livre de 7 metros. A seleção bósnia apresentava uma defesa muito forte fisicamente, levando Portugal a procurar um ataque dinâmico para encontrar espaços na defensiva adversária. Logo aos dez minutos, Portugal conseguiu a primeira vantagem de dois golos (6-4), vantagem essa que foi variando entre os dois/três golos, até à entrada de Grahovac, o guarda redes suplente que defendeu 50% dos remates durante a primeira parte, o que causou imensos problemas ofensivos a Portugal a partir dos vinte minutos, levando o treinador Paulo Pereira a pedir o time-out aos 26 minutos, numa altura em que a partida já estava empatada a dez golos. Até ao intervalo, a seleção das quinas conseguiu recuperar a vantagem, indo para o intervalo a vencer 12-11.

O reatar da partida trouxe as mesmas dificuldades do final da primeira parte: a Bósnia a conseguir superar a defensiva portuguesa com 7×6 e Portugal a não conseguir passar pela muralha que Grahovac era nesta altura, levando a que a Bósnia fizesse um parcial de 0-3. O primeiro golo português da segunda parte apenas surgiu aos 38 minutos e desde aí o resultado teve constantes trocas no resultado, até que Paulo Pereira pediu time-out aos 43 minutos, altura em que o resultado era 15-16. A paragem de tempo serviu para o treinador português mudar o ataque para 7×6 e para retificar alguns pormenores na defesa portuguesa.

Estas alterações resultaram num parcial de 3-0 e apenas dois minutos depois o treinador da Bósnia parou o jogo para tentar impedir que Portugal aumentasse ainda mais a vantagem. O ataque bósnio estava pouco eficaz, o que levou a várias recuperações de bola da equipa portuguesa, que se traduziam em golos fáceis, pois a baliza adversária estava deserta. Estes erros ofensivos levaram a Bósnia a voltar para o 6×6 à entrada dos últimos dez minutos finais, altura em que Portugal ganhava 22-17. Não se pode dizer que a reta final da partida tenha sido tranquila, pois a Bósnia ainda diminui a desvantagem para apenas dois golos, mas Portugal conseguiu manter a vantagem, vencendo a partida por 27-24. Uma vitória da Noruega frente à França pode colocar os portugueses e os noruegueses na Main Round e enviar a seleção francesa para casa.

A FIGURA

Fonte: Andebol Portugal

Pedro Portela –  Numa altura em que Portugal não estava a conseguir finalizar as situações ofensivas que criava, o experiente ponta-direito manteve a frieza e os seus dez golos foram decisivos para a segunda vitória portuguesa.

O FORA DE JOGO

Fonte: FAP

André Gomes – Entrou numa altura em que Portugal precisava de golos, mas não conseguiu finalizar nenhum dos seus três remates, nem ajudar ofensivamente nos quase quatorze minutos que esteve em campo.

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Portugal apresentou mais uma vez uma defesa muito móvel, baseando-se no 6×0, mas transformando-se imensas vezes num quase 3×3, tal era a forma como alguns defensores pressionavam os defesas adversários. No entanto, durante quase toda a partida teve imensas dificuldades em defender a zona central, já que os constantes cruzamentos adversários levavam aos defesas do bloco central a perderem o(s) pivot(s) e a permitirem remates fáceis. Outra dificuldade surgiu quando a Bósnia passou a atacar 7×6, no entanto a meio da segunda parte Paulo Pereira pediu aos seus defesas laterais para dificultarem o passe ao central adversário, de forma a que este se sentisse desconfortável a organizar o ataque, mas tendo sempre em atenção as costas e a recuperação da posição inicial. Esta pressão levou a imensas recuperações de bola, que terminaram em imensas finalizações simples numa altura em que Portugal precisava de golos.

Em termos ofensivos, Portugal apresentou um ataque muito dinâmico, com constantes entradas a segundo pivot por parte, principalmente, dos pontas para tentar arranjar espaços na forte defesa adversária. Isto foi resultando até à entrada de Grahovac, que fechou a baliza a sete chaves. Foi preciso então a meio da segunda parte arriscar o 7×6 para tentar superiorizar a defensiva bósnia, decisão essa que foi correta e decisiva para o desfecho da partida

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Alfredo Quintana (8)

Fábio Vidrago (6)

Alexandre Cavalcanti (7)

Rui Silva (6)

Alexis Borges (7)

Belone Moreira (6)

António Areia (6)

SUBS UTILIZADOS

Daymaro Salina (6)

João Ferraz (6)

André Gomes (5)

Miguel Martins (7)

Fuís Frade (6)

Diogo Branquinho (7)

Pedro Portela (9)

Humberto Gomes (-)

ANÁLISE TÁTICA – BÓSNIA

Defensivamente, a Bósnia apresentou uma defesa 6×0 muito forte defensivamente que causou imensas dificuldades à primeira linha portuguesa. Grahovac foi decisivo pelas inúmeras defesas que fez, mas o 7×6 português foi demasiado forte para a Bósnia. Em termos ofensivos, a Bósnia tentou tirar partido da sua superioridade física, com constantes cruzamentos que tinham como objetivo arrastar os defensores portugueses para for a da posição para surgir espaços para os pivots, quer para os potentes remates da primeira linha.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Benjamin Buric (5)

Marko Panic (5)

Vladimir Vranjes (7)

Marin Vegar (6)

Alen Ovcina (5)

Mirsad Terzic (5)

Ibrahim Haseljic (6)

SUBS UTILIZADOS

Nikola Prce (7)

Ivan Karacic (5)

Senjamin Buric (6)

Igor Mandic (5)

Josip Peric (6)

Nebojsa Grahovac (8)

Dejan Malinovic (7)

Foto de Capa: EHF European Handball Championship

artigo revisto por: Ana Ferreira

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