Os portugueses estavam apenas pela segunda vez nas meias-finais de um Campeonato do Mundo de andebol de sub21. Em 1995, na Argentina, a seleção portuguesa conseguiu conquistar a medalha de bronze. O encontro com a Croácia revestia-se assim de uma excecional importância e era mais uma oportunidade para estes jovens portugueses fazerem história e marcarem presença pela primeira vez na história na final de uma competição deste género. Era o sonho português a falar mais alto

Estas duas seleções já se encontraram por inúmeras vezes e não havia, portanto, grandes segredos. Já neste Campeonato do Mundo, na fase de grupos, Portugal foi derrotado pela Croácia por 32-30. Outro dos aspetos a ter em conta seria o desgaste físico que a seleção portuguesa vinha acumulando. Para chegar a esta fase da prova, Portugal teve de eliminar a Alemanha e a Eslovénia. Por sua vez, a Croácia enfrentou adversários teoricamente mais acessíveis: Islândia e Tunísia.

Perante tudo isto, não será difícil concluir que os pupilos de Nuno Lopes tinham uma árdua tarefa pela frente.

POUCA INSPIRAÇÃO OFENSIVA

Os primeiros minutos da partida ficaram marcados pela incapacidade dos ataques se superiorizarem às defesas. Portugal só conseguiu marcar o seu primeiro golo quando o relógio já marcava quase cinco minutos.

Podemos sempre afirmar que a falta de golos se justifica pela enorme competência das defesas e também dos respetivos guarda-redes. No entanto, neste caso, parece-me que os internacionais portugueses estavam numa tarde pouco inspirada. Nesse capítulo, e tantas vezes aqui o elogiei, Gonçalo Vieira esteve bastantes furos abaixo daquilo que nos tinha vindo a habituar. Os números demonstram isso mesmo: apenas dois golos em 6 tentativas e 3 assistências.

Estavam decorridos 10 minutos e o equilíbrio era a nota dominante. As equipas pareciam ainda algo presas e a sentir o peso da ocasião. No entanto, daqui para a frente, a Croácia começou a superiorizar-se. Os jovens portugueses passaram um longo período de quase 10 minutos sem marcar qualquer golo. Naturalmente, o resultado mostrava isso mesmo e Nuno Lopes foi obrigado a utilizar dois descontos de tempo. Os croatas chegaram a dispor de uma vantagem de cinco golos.

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Contudo, até ao intervalo, Portugal conseguiu reagir e reduzir a desvantagem. Nota para mais uma excelente exibição de Diogo Valério, que em muito ajudou nesta recuperação. No ataque, destaque para Diogo Silva que ao intervalo já levava um total de cinco golos.

Portugal já tinha defrontado a Croácia na fase de grupos. Este era o segundo jogo entre as duas seleções
Fonte: IHF

O resultado ao intervalo era de 12-9. O segredo para inverter esta situação parecia estar numa maior eficácia ofensiva. A seleção portuguesa apresenta uma eficácia de remate de apenas 45% (9 em 20) contra 55% dos croatas (12 em 22).

ENTRADA DE LEÃO

Seria difícil Nuno Lopes pedir melhor começo de segunda aos seus jogadores do que aquele que os mesmos protagonizaram. Portugal veio para a segunda parte com uma enorme agressividade defensiva e com um maior acerto no que ao capítulo ofensivo diz respeito.

Nem cinco minutos estavam decorridos e o selecionador croata pediu o seu desconto de tempo visto que Portugal já estava a apenas um golo de distância. A verdade é que de pouco serviu. Decorridos mais cinco minutos e novo tempo técnico. É que Portugal estava pela primeira vez na frente do marcador. Os jovens portugueses não pareciam em nada estar a acusar o cansaço, bem pelo contrário.

FRESCURA FÍSICA E MENTAL AJUDARAM A RESOLVER O ENCONTRO

Após este período de clara superioridade portuguesa, a Croácia equilibrou a partida. O jogo entrou então numa fase de parada e resposta. Quando faltavam apenas 12 minutos para o final do encontro, o marcador estava igualado a 21.

A verdade é que dali para a frente a história foi diferente. A seleção portuguesa passou por um curto momento de desconcentração e permitiu que os croatas disparassem no marcador para uma vantagem de três golos. A partir deste momento, a Croácia soube gerir o resultado e não mais permitiu que Portugal se voltasse a aproximar.

Durante este período, o selecionador português tentou alterar o rumo das coisas e alterou o sistema defensivo para um 3-3. A verdade é que não foi a melhor das decisões, na minha opinião. Os croatas superiorizaram-se constantemente em iniciativas individuais e tal ajudou a decidir o resultado final.

Na minha opinião, os últimos 10 minutos confirmaram aquele que era o receio de muitos portugueses. O maior desgaste físico fez-se sentir e impediu os portugueses de fazerem ainda mais história.

Portugal joga frente ao Egito às 13h:00m deste domingo o jogo de atribuição da medalha de bronze. O jogo tem transmissão na Sport TV.

O FUTURO É RISONHO

Todavia, penso que o futuro é risonho para o andebol português. Independentemente do que possa acontecer no jogo de atribuição da medalha de bronze, esta foi uma campanha bastante positiva e que nos permite sonhar com algo mais para o futuro. Jogadores como Luís Frade, Leonel Fernandes, André Gomes ou Gonçalo Vieira são a prova viva do excelente trabalho que se está a desenvolver em Portugal e de que podemos sonhar com algo mais.