A CRÓNICA: RUMO AO JAPÃO? 

Portugal disputava hoje o último jogo da Main Round do EHF Euro 2020 e estava em jogo o futuro nesta competição e em futuras competições. Após ter terminado o sonho de alcançar as meias finais, com a derrota frente à Eslovénia, ainda havia hipóteses de fazer história com o melhor resultado de sempre num Europeu e a qualificação para o torneio Pré-Olímpico. A Hungria também tinha de vencer para manter vivas as esperanças de qualificação para as meias-finais.

A Hungria entrou mais forte na partida marcando o primeiro golo da partida. Portugal surpreendeu, usando desde o início da partida o 7×6, algo que tem feito maioritariamente durante a segunda parte. O jogo manteve-se equilibrado durante os primeiros minutos, com ambas as equipas a procurarem imenso os seus pivots. Aos dez minutos, o resultado era 3-4 e Mikler, guarda redes da Hungria, tinha defendido 50% dos remates à sua baliza. Portugal desperdiçou algumas oportunidades para ganhar vantagem no marcador, já que a equipa húngara acertou várias vezes no poste, mas a defesa não conseguia ganhar os ressaltos. Mas, aos treze minutos, Portugal passou pela primeira vez para a frente do marcador (5-4).

O primeiro time-out da partida surgiu, aos dezassete minutos, pedido por Paulo Pereira, numa altura em que Portugal vencia por 7-6. O lateral direito Bolagh comandava as ações da ofensiva húngara, mas a excelente ligação de Rui Silva com os pivots mantinha Portugal na liderança do jogo. A seleção portuguesa chegou a ter uma vantagem de três golos no marcador, mas o intervalo chegaria com o placard a marcar 16-14.

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No início da segunda parte, Portugal voltou ao 6×6, possivelmente para dar descanso a Fábio Magalhães e a Rui Silva, enquanto a Hungria marcava individualmente André Gomes, o que inicialmente causou algumas dificuldades ofensivas a Portugal. Nesta altura, a Hungria já tinha atingido o poste sete vezes para desespero dos seus fãs. Balogh, que tinha sido decisivo na primeira parte em termos ofensivos, passou grande parte da segunda parte no banco devido às suas fragilidades defensivas, que levavam à necessidade de fazer uma substituição defesa-ataque, sendo que com a mudança de campo o banco de suplentes passou a estar do lado esquerdo da ofensiva húngara, o que impossibilitou a tal substituição.

Apesar dos dois turnovers num curto espaço de tempo para Belone Moreira, Portugal mantinha a vantagem em dois golos (20-18) aos 40 minutos. Na ausência de Barogh, foi o jovem Mathe a assumir as despesas do ataque da Hungria. A meio da segunda parte, o especialista defensivo Sipos foi excluído, o que possibilitou a Portugal fazer um parcial de 4-0, elevando a vantagem para cinco golos (25-20) quando o treinador húngaro pediu paragem de jogo aos 46 minutos. Portugal ainda conseguiu aumentar a vantagem para sete golos e mesmo com o regresso de Boragh à partida a Hungria nunca mais conseguiu regressar à discussão do resultado.

O resultado final foi 34-26 e esta vantagem de oito golos permite a Portugal garantir a melhor prestação de sempre num Europeu (5.º ou 6.º lugar, dependendo do resultado do jogo contra a Alemanha) e se qualificar para o Torneio de Qualificação para os Jogos Olímpicos, que se vai realizar em Abril deste ano.

 

A FIGURA

Fonte: FAP

António Areia – Esteve perto de não fazer parte do lote de convocados para o Europeu devido a lesão e foi preterido muitas vezes em relação a Pedro Portela durante a competição, mas hoje demonstrou toda a qualidade que lhe é reconhecida.

O FORA DE JOGO

Fonte: MKSZ Handball

Roland Mikler – Um dos mais experientes e consagrados guarda-redes europeus… mas também dos mais inconsistentes e hoje foi mais uma partida em que não conseguiu ter uma palavra a dizer em relação ao resultado final.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Portugal surpreendeu entrando em campo logo com o seu principal trunfo, o 7×6, permanecendo assim toda a primeira parte. Opção que resultou já que Portugal apenas sofreu um golo em transição e conseguiu ir para o intervalo com uma vantagem de dois golos.

No começo da segunda parte, novas surpresas, com Portugal a jogar em igualdade numérica, quando todos esperavam que a aposta na superioridade numérica continuasse. Inicialmente, Portugal teve algumas dificuldades ofensivas, resultando da marcação individual a André Gomes e da entrada um pouco nervosa de Belone Moreira. No entanto, a aposta foi acertada, já que Rui Silva e Fábio Magalhães tiveram um merecido descanso durante toda a segunda parte e Portugal obteve uma excelente vitória. Nota também para o facto de Portugal ter aproveitado a inferioridade numérica da Hungria para avançar no marcador, algo que não aconteceu nas últimas partidas.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Alfredo Quintana (6)

António Areia (9)

Fábio Magalhães (7)

Luís Frade (5)

Rui Silva (6)

Miguel Martins (7)

Diogo Branquinho (7)

SUBS UTILIZADOS

Humberto Gomes (6)

Daymaro Salina (9)

João Ferraz (5)

Alexandre Cavalcanti (6)

Alexis Borges (9)

André Gomes (6)

Belone Moreira (8)

 

ANÁLISE TÁTICA – HUNGRIA

A Hungria entrou para este jogo a necessitar de vencer, mas nunca mostrou muita ambição para chegar a tal resultado. Durante a primeira parte, tiveram demasiado dependentes do lateral direito Balogh e do pivot Banhidi para chegar ao golo e não conseguiram causar qualquer dificuldade ao 7×6 português.

Na segunda parte, com a ausência de Balogh as dificuldades ainda foram maiores, mas o jovem Mathe ainda conseguiu assumir o jogo por alguns (breves) momentos. Apesar de ser uma equipa jovem em renovação, uma equipa com os pergaminhos da Hungria não pode chegar a este nível e deixar escapar este jogo sem nunca ter causado grandes dificuldades a Portugal.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Roland Mikler (4)

Bence Banhidi (8)

Zsolt Balogh (7)

Peter Hornyak (4)

Matyas Gyori (5)

Zoltan Szita (5)

Bendeguz Boka (7)

SUBS UTILIZADOS

Patrik Ligetvari (6)

Adrian Sipos (5)

Marton Szekely (5)

Miklos Rosta (5)

Dominik Mathe (7)

Bence Nagy (5)

Balint Fekete (4)

Foto de Capa: FAP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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