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Após o terceiro lugar na fase de grupos, a sorte foi madrasta e ditou um encontro com a toda poderosa Alemanha. Se quisesse seguir em frente, Portugal teria certamente de fazer o melhor encontro do torneio. Uma maior agressividade defensiva seria um aspeto chave para a seleção portuguesa eliminar a Alemanha.

AGRESSIVIDADE DEFENSIVA CHAVE DO SUCESSO

Portugal até nem entrou bem e rapidamente se viu com uma desvantagem de dois golos. No entanto, e após Luís Frade ter sido excluído por dois minutos, os jovens portugueses mesmo em inferioridade numérica conseguiram recuperar dessa situação a e passar para à frente do marcador pela primeira vez.

Uma nota para a boa prestação defensiva que Portugal ia mostrando. Se nos outros encontros a seleção portuguesa tinha demonstrado bastantes debilidades defensivas, hoje o cenário era completamente diferente. Os jogadores portugueses estavam bastante mais agressivos e pouco era o espaço concedido aos jogadores alemães.

A seleção lusa entrou mais agressiva na partida e ia mostrando que queria passar à próxima fase
Fonte: IHF

Aos 11 minutos, Luís Frade fazia o 5-4 para a seleção portuguesa, após um passe do outro mundo de Diogo Silva. No que ao capítulo ofensivo diz respeito, a seleção portuguesa estava a explorar com bastante eficácia o jogo com o pivot.

Nem 20 minutos estavam decorridos e Portugal já contava com três exclusões, contra apenas uma dos alemães. A verdade é que este aspeto estava certamente relacionado com a agressividade defensiva que os portugueses iam demonstrando.

DESCONCENTRAÇÕES CUSTARAM VANTAGEM

Quem não estava nada satisfeito era o selecionador alemão, que não tardou a pedir o primeiro desconto de tempo da partida. No entanto, a Alemanha continuava com bastantes dificuldades para parar os internacionais portugueses. Com 20 minutos decorridos, Portugal alcançava uma vantagem de três golos.

No entanto, e quando tudo parecia correr bem para os lados nacionais, os alemães foram progressivamente recuperando e chegaram mesmo e empatar a partida. O resultado ao intervalo era de 14-14.

Destaque para as exibições de Gonçalo Vieira e Luís Frade. O central ia pautando o jogo de Portugal com serenidade e decidindo quase sempre bem. Por outro lado, o pivot português contribuía tanto no aspeto ofensivo como defensivo.

ENTRADA FORTE PERMITIA SONHAR

Após um final de primeiro tempo pouco conseguido, os jovens portugueses entraram novamente muito fortes. Manuel Gaspar ia somando um par de boas defesas e Gonçalo Vieira continuava a deixar a defesa alemã aos papéis. Contudo, a Alemanha ia mostrando o porquê de ser uma das favoritas à conquista do título e respondeu e chegou mesmo a igualar a partida.

Por esta altura, estava a ser um encontro bastante intenso em que ambas as equipas percebiam a importância de conseguir uma vantagem para os últimos minutos. Aos 13 minutos da segunda parte, o resultado era de 20-20.

O equílibrio entre as duas seleções era evidente na partida, estando por diversas vezes empatada
Fonte: IHF
Uma nota para André Gomes. O jogador do FC Porto é literalmente capaz do melhor e do pior. Na segunda parte, por exemplo, o internacional português não teve qualquer problema em assumir o jogo e chamar para si as decisões mais complicadas. No entanto, o jovem português tanto toma a melhor decisão como é capaz de fazer um passe sem qualquer nexo. Se amadurecer, tem tudo para ser um dos melhores jogadores da sua geração.

MUITA EMOÇÃO E POUCA RAZÃO

Entrávamos para os últimos 10 minutos com o marcador igualado. O equilíbrio era a nota dominante num encontro que estava a ser, na minha opinião, um dos melhores encontros do torneio.

Portugal conseguiu uma ligeira vantagem e teve tudo para seguir em frente, mas os jogadores portugueses precipitaram-se e deixaram que os alemães levassem o jogo para o prolongamento. Foram momentos dramáticos em que Luís Frade chegou mesmo a marcar o golo que daria a passagem aos quartos-de-final, mas a equipa de arbitragem anulou esse mesmo golo pois o tempo já haveria terminado.

GERAÇÃO DE OURO

No prolongamento, Portugal voltou a entrar mais forte e cedo conseguiu uma vantagem de dois golos. Gonçalo Vieira ia aproveitando para marcar alguns golos com elevada nota artística, nomeadamente um extraordinário remate de anca. Começavam a faltar palavras para descrever a exibição do português. No final da primeira parte, Portugal vencia por 34-33.

Portugal precisou do prolongamento para conseguir ultrapassar o muro alemão
Fonte: IFH

Numa segunda parte imprópria para cardíacos, Portugal haveria mesmo de conseguir seguir em frente. Foi uma exibição irrepreensível dos comandados de Nuno Santos. Após algumas exibições menos conseguidas na fase de grupos, os jovens portugueses mostraram todo o seu potencial ao eliminar a toda poderosa Alemanha.

O próximo adversário será a Eslovénia, que soma apenas vitórias até esta fase da competição. Resta-nos continuar a sonhar com um inédito título mundial desta geração.

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