Suécia 29-28 Portugal: Heróis do mar não foram a tempo do empate

- Advertisement -

A CRÓNICA: A TOALHA CAIU, FOI APANHADA E QUASE ACONTECEU NOVO MILAGRE DE ÚLTIMA HORA

O confronto de Portugal diante do Egito marcou a estreia oficial de uma modalidade de pavilhão em Jogos Olímpicos, sendo que a vitória frente ao Bahrain ficou rotulada como a primeira de sempre do andebol na competição.

Numa altura em que o turismo está tão condicionado, os heróis do mar não quiseram aproveitar a ida a Tóquio para adquirirem postais de viagem e preferiram antes colecionar feitos inéditos.

Portugal deixou o país de queixo caído ao vencer pela primeira vez a Suécia no Europeu de 2020.

Sensivelmente um ano e meio depois, já estamos mais habituados a que esta seleção nos dê alegrias, mas ganhar à seleção vice-campeã do mundo continua a ser traje de domingo e não roupa para se vestir todos os dias.

Lamento o relato demasiado pessoal, mas os minutos finais do jogo anterior foram daqueles momentos que nos fazem levantar do sofá, cerrar os punhos e emitir as mais genuínas interjeições para preparar o momento em que a buzina final soa e podemos emitir volumosos festejos.

Tudo isto sem nos lembrarmos da existência de vizinhos que, àquela hora da manhã, confecionavam os seus almoços e foram contemplados com festejos de alguém a viver no fuso horário do Japão.

A exibição de Portugal não foi perfeita, tal como não tinha sido contra o Egito, mas serviu de galvanização para o jogo contra a Suécia, onde Paulo Jorge Pereira, selecionador português, certamente esperava uma evolução na consistência da equipa.

No Yoyogi National Stadium, Portugal deu esse passo em frente. A seleção nacional entrou bem e, após o primeiro golo, marcado por André Gomes, abriu 3-0 no marcador. A Suécia não deixou o resultado dilatar-se muito mais do que isso.

As muitas exclusões na equipa nacional permitiram aos suecos encostar. João Ferraz foi o mais penalizado pela exigência dos árbitros. Antes dos dez minutos, o treinador português parou o jogo e tranquilizou a equipa na defesa.

Portugal controlava os ritmos do jogo, mas, fruto do risco que impôs no ataque, sofria golos fáceis de baliza aberta ou contra-ataque.

Até Andreas Palicka, guarda-redes sueco, marcou. A relação custo/benefício dessa exposição era nula, assim o ditava a igualdade a 14 com que a primeira parte terminou.

Entre empates e um ou dois golos de vantagem para qualquer uma das equipas, a liderança do marcador foi sendo contestada até dez minutos do fim.

Portugal abrandou no ataque, ao contrário da Suécia que concretizou como nunca e ganhou uma vantagem de quatro golos.

No derradeiro esforço, os heróis do mar conseguiram reduzir o marcador para um golo de diferença com um parcial de 3-0.

No último ataque português, o empate era uma possibilidade, mas os suecos anularam as aspirações portuguesas.

Com esta derrota por 29-28, Portugal continua com dois pontos no grupo B e terá que continuar a somar bons resultados para seguir em frente, mas, ainda assim, recuperou a consistência que reconhecemos a esta equipa.

O próximo adversário é a Dinamarca, atual campeã olímpica e do mundo.

 

A FIGURA

Niclas Ekberg não falhou da ponta, não falhou dos sete metros, falhou apenas um remate em contra-ataque. Resultado de 90% de aproveitamento, terminou como o melhor marcador do jogo com nove golos.

 

O FORA DE JOGO

João Ferraz – vida difícil para o lateral português. Com apenas sete minutos de jogo, o camisola nove já averbava dois cartões azuis que o condicionaram para o resto da partida. Personificou o recorde de Portugal como equipa com mais exclusões do torneio olímpico.

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÉCIA

À entrada para esta ronda, a Suécia era a equipa da competição que mais tinha marcado em contra-ataque. Foram 13 golos conseguidos através dessa estratégia.

Neste jogo, manteve a matriz. Para o sucesso da fórmula, muito contribuiu o sólido sistema defensivo de 6×0 que permitiu ataques rápidos.

Quando Portugal forçava os suecos a pausar o jogo, os comandados de Glenn Solberg procuravam preferencialmente o lado direito do ataque, dando protagonismo a Niclas Ekberg e Albin Lagergren, e poucas vezes procuraram remates de nove metros.

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Andreas Palicka (8)

Jim Gottfridsson (6)

Albin Lagergren (7)

Jonathan Carlsbogard (6)

Niclas Ekberg (8)

Hampus Wanne (5)

Max Darj (6)

SUBS UTILIZADOS

Fredric Pettersson (6)

Felix Claar (5)

Lucas Pellas (6)

Lukas Sandell (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Sob pena de ver os erros no ataque comprometerem a defesa, Portugal impôs um ritmo pausado nas jogadas ofensivas.

O sete contra seis foi uma aposta sólida de Paulo Jorge Pereira na primeira parte, procurando com paciência e engenho as ligações da primeira linha com os pivots para conseguir remates aos seis metros.

Mesmo assim, não se livrou se sofrer vários golos na sequência de perdas de bola.

Para tentar parar o ataque organizado da Suécia, existiu a preocupação de que um dos pivots pressionasse individualmente o central Jim Gottfridsson.

Os penetradores suecos também não tiveram vida fácil e esbarraram na cortina portuguesa. Transitar defensivamente foi a maior lacuna de Portugal.

 

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gustavo Capdeville (8)

Rui Silva (6)

João Ferraz (4)

André Gomes (6)

Pedro Portela (6)

Diogo Branquinho (6)

Daymaro Salina (6)

SUBS UTILIZADOS

Humberto Gomes (4)

Alexis Borges (6)

António Areia (4)

Fábio Magalhães (5)

Miguel Martins (6)

Luís Frade (6)

Gilberto Duarte (-)

 

Foto de capa: Federação Portuguesa de Andebol

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

Subscreve!

Artigos Populares

Entre o medo de cair e de não a levantar | Estrela da Amadora x Sporting

O Estrela da Amadora recebe o Sporting no seu reduto, depois de, na jornada anterior, ter saído derrotado pelo CD Nacional, por 2-0, no Estádio da Madeira.

Podcast À Prova de Bola #23 – Tudo em aberto na Champions League e Europa League

O À Prova de Bola desta semana aborda a participação dos clubes portugueses nos quartos de final das competições europeias. Em análise estão a derrota caseira do Sporting e os empates de Braga e FC Porto.

Claudio Ranieri ataca e Gian Piero Gasperini responde ao consultor da AS Roma: «Dos que eu escolhi, só chegou o Wesley à Roma»

O clima na Roma está tenso, com Claudio Ranieri a criticar Gian Piero Gasperini. O consultor do clube respondeu às declarações do treinador e esclareceu o seu papel na escolha do treinador.

Deco quebra o silêncio sobre a naturalização por Portugal: «A decisão já estava tomada»

Deco, em entrevista ao Globo Esporte, abordou a saída do Barcelona, apontou Mourinho como um revolucionário no FC Porto e garantiu ter a consciência tranquila sobre o seu processo de naturalização por Portugal.

PUB

Mais Artigos Populares

Baixa importante no Bayern Munique em momento crítico da época

O Bayern Munique informou esta sexta-feira que Lennart Karl contraiu uma lesão muscular na coxa esquerda, sem data de previsão para o seu regresso à competição.

PSG perto de fechar renovação com Luis Enrique

O PSG está perto de garantir a continuidade de Luis Enrique através de uma renovação de contrato até 2030. O treinador espanhol é visto como uma peça fundamental no projeto do clube.

Famalicão e Moreirense empatam para a Primeira Liga

O Famalicão e o Moreirense empataram a uma bola durante a noite desta sexta-feira, num encontro da 29,ª jornada da Primeira Liga.