A CRÓNICA: A TOALHA CAIU, FOI APANHADA E QUASE ACONTECEU NOVO MILAGRE DE ÚLTIMA HORA

O confronto de Portugal diante do Egito marcou a estreia oficial de uma modalidade de pavilhão em Jogos Olímpicos, sendo que a vitória frente ao Bahrain ficou rotulada como a primeira de sempre do andebol na competição.

Numa altura em que o turismo está tão condicionado, os heróis do mar não quiseram aproveitar a ida a Tóquio para adquirirem postais de viagem e preferiram antes colecionar feitos inéditos.

Portugal deixou o país de queixo caído ao vencer pela primeira vez a Suécia no Europeu de 2020.

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Sensivelmente um ano e meio depois, já estamos mais habituados a que esta seleção nos dê alegrias, mas ganhar à seleção vice-campeã do mundo continua a ser traje de domingo e não roupa para se vestir todos os dias.

Lamento o relato demasiado pessoal, mas os minutos finais do jogo anterior foram daqueles momentos que nos fazem levantar do sofá, cerrar os punhos e emitir as mais genuínas interjeições para preparar o momento em que a buzina final soa e podemos emitir volumosos festejos.

Tudo isto sem nos lembrarmos da existência de vizinhos que, àquela hora da manhã, confecionavam os seus almoços e foram contemplados com festejos de alguém a viver no fuso horário do Japão.

A exibição de Portugal não foi perfeita, tal como não tinha sido contra o Egito, mas serviu de galvanização para o jogo contra a Suécia, onde Paulo Jorge Pereira, selecionador português, certamente esperava uma evolução na consistência da equipa.

No Yoyogi National Stadium, Portugal deu esse passo em frente. A seleção nacional entrou bem e, após o primeiro golo, marcado por André Gomes, abriu 3-0 no marcador. A Suécia não deixou o resultado dilatar-se muito mais do que isso.

As muitas exclusões na equipa nacional permitiram aos suecos encostar. João Ferraz foi o mais penalizado pela exigência dos árbitros. Antes dos dez minutos, o treinador português parou o jogo e tranquilizou a equipa na defesa.

Portugal controlava os ritmos do jogo, mas, fruto do risco que impôs no ataque, sofria golos fáceis de baliza aberta ou contra-ataque.

Até Andreas Palicka, guarda-redes sueco, marcou. A relação custo/benefício dessa exposição era nula, assim o ditava a igualdade a 14 com que a primeira parte terminou.

Entre empates e um ou dois golos de vantagem para qualquer uma das equipas, a liderança do marcador foi sendo contestada até dez minutos do fim.

Portugal abrandou no ataque, ao contrário da Suécia que concretizou como nunca e ganhou uma vantagem de quatro golos.

No derradeiro esforço, os heróis do mar conseguiram reduzir o marcador para um golo de diferença com um parcial de 3-0.

No último ataque português, o empate era uma possibilidade, mas os suecos anularam as aspirações portuguesas.

Com esta derrota por 29-28, Portugal continua com dois pontos no grupo B e terá que continuar a somar bons resultados para seguir em frente, mas, ainda assim, recuperou a consistência que reconhecemos a esta equipa.

O próximo adversário é a Dinamarca, atual campeã olímpica e do mundo.

 

A FIGURA

Niclas Ekberg não falhou da ponta, não falhou dos sete metros, falhou apenas um remate em contra-ataque. Resultado de 90% de aproveitamento, terminou como o melhor marcador do jogo com nove golos.

 

O FORA DE JOGO

João Ferraz – vida difícil para o lateral português. Com apenas sete minutos de jogo, o camisola nove já averbava dois cartões azuis que o condicionaram para o resto da partida. Personificou o recorde de Portugal como equipa com mais exclusões do torneio olímpico.

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÉCIA

À entrada para esta ronda, a Suécia era a equipa da competição que mais tinha marcado em contra-ataque. Foram 13 golos conseguidos através dessa estratégia.

Neste jogo, manteve a matriz. Para o sucesso da fórmula, muito contribuiu o sólido sistema defensivo de 6×0 que permitiu ataques rápidos.

Quando Portugal forçava os suecos a pausar o jogo, os comandados de Glenn Solberg procuravam preferencialmente o lado direito do ataque, dando protagonismo a Niclas Ekberg e Albin Lagergren, e poucas vezes procuraram remates de nove metros.

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Andreas Palicka (8)

Jim Gottfridsson (6)

Albin Lagergren (7)

Jonathan Carlsbogard (6)

Niclas Ekberg (8)

Hampus Wanne (5)

Max Darj (6)

SUBS UTILIZADOS

Fredric Pettersson (6)

Felix Claar (5)

Lucas Pellas (6)

Lukas Sandell (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Sob pena de ver os erros no ataque comprometerem a defesa, Portugal impôs um ritmo pausado nas jogadas ofensivas.

O sete contra seis foi uma aposta sólida de Paulo Jorge Pereira na primeira parte, procurando com paciência e engenho as ligações da primeira linha com os pivots para conseguir remates aos seis metros.

Mesmo assim, não se livrou se sofrer vários golos na sequência de perdas de bola.

Para tentar parar o ataque organizado da Suécia, existiu a preocupação de que um dos pivots pressionasse individualmente o central Jim Gottfridsson.

Os penetradores suecos também não tiveram vida fácil e esbarraram na cortina portuguesa. Transitar defensivamente foi a maior lacuna de Portugal.

 

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gustavo Capdeville (8)

Rui Silva (6)

João Ferraz (4)

André Gomes (6)

Pedro Portela (6)

Diogo Branquinho (6)

Daymaro Salina (6)

SUBS UTILIZADOS

Humberto Gomes (4)

Alexis Borges (6)

António Areia (4)

Fábio Magalhães (5)

Miguel Martins (6)

Luís Frade (6)

Gilberto Duarte (-)

 

Foto de capa: Federação Portuguesa de Andebol

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