A CRÓNICA: KIEL MOSTRA QUE A EQUILA VALE MAIS DO QUE AS INDIVIDUALIDADES, OUTRA VEZ

Já no final do ano e mais de seis meses depois da data inicial, chegamos à final da EHF Champions League 2020. Esta que vai ser a última do anterior formato da competição, visto que o novo formato entrou em vigor na época 2020/21. A final seria disputada pelo FC Barcelona, o claro favorito à vitória, que já havia conquistado o troféu por oito vezes, e o Kiel, o underdog, na teoria, da fase final da competição.

O jogo começou a um excelente ritmo, com ambas as equipas a mostrarem ao que vinham. Apesar do equilíbrio inicial, foi o Kiel que se adiantou no marcador, aproveitando a superioridade numérica no final dos dez minutos iniciais. O treinador do Barcelona, Xavier Pascual, parou o jogo a meio da primeira parte quando o resultado era 10-8, tendo a desvantagem chegado a ser de três golos. O objetivo seria impedir que esta diferença aumentasse e clarificar as ideias em termos ofensivos.

A equipa alemã encontrava-se na frente, mas ambas as equipas apresentavam uma eficácia elevada e o Barcelona manteve-se sempre próximo. Peréz de Vargas, o guarda redes da equipa espanhola, fez algumas defesas importantes no final da primeira parte, o que levou a que sua equipa chegasse ao empate quase vinte minutos depois da última igualdade no marcador. No entanto, nos cinco minutos finais sucederam-se os turnovers em termos ofensivos para o Barcelona, levando a golos simples para o Kiel, que terminou a primeira parte com três golos de vantagem (19-16).

Depois de uma primeira parte de grande nível e com imensos golos, o Barcelona recomeçou a partida a tentar recuperar depressa a desvantagem, mas o Kiel manteve-se no controlo do jogo. Nesta altura o começou o “show” de Niklas Landin, o guarda-redes da equipa alemã, que chegou a ter uma percentagem de defesas de 62% durante o segundo tempo, impedindo todas as oportunidades que o Barcelona tinha para se aproximar do marcador.

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O jogo aproximava-se do fim e, apesar da equipa espanhola ter tido oportunidade de diminuir a vantagem para dois golos, a equipa comandada por Filip Jicha tinha o resultado controlado, não tendo efeito qualquer das tentativas de Xavier Pascual de nivelar a partida. Chegou, então, o final da partida e o THW Kiel foi coroado campeão europeu de Andebol, contra todas as expetativas.

Foi uma Final Four histórica para o Kiel. A equipa era, à partida, considerada a menos provável de vencer a competição, em comparação com o Veszprém, Barcelona e PSG, que têm o plantel repleto de estrelas. Chegaram à final de hoje depois de uma meia final intensa, onde tiveram de ir a prolongamento para vencer o Veszprém, com uma rotação durante a partida de apenas 11 jogadores.

O Barcelona não perdia há 22 jogos na Champions League e tinha um banco repleto de opções, tendo utilizado 15 jogadores na meia final. Tudo apontava para que o Kiel não chegasse à final, muito menos que a vencesse, mas a equipa alemã entrou nesta final determinada a mostrar ao mundo a sua qualidade e perseverança e assim o conseguiu, com excelentes exibições de Landin, Sagonsen, Ekberg, Pekeler (considerado MVP da Final Four), entre outros.

 

A FIGURA

Niklas Ekberg – Podia simplesmente repetir o que escrevi ontem. Hoje foram oito golos (83%) e três assistências que contribuíram para uma brutal exibição de equipa do Kiel.

O FORA DE JOGO

Aaron Palmarsson – Apenas um golo em cinco remates e não foi capaz de assumir a organização ofensiva da equipa nos momentos em que esta parecia perdida. Pedia-se mais a um jogo deste nível nos momentos de decisão.

 

ANÁLISE TÁTICA – THW KIEL

Pode-se dizer que a principal tática do Kiel foi a garra, vontade e determinação dos seus jogadores. Ninguém diria que tiveram um desafio tão intenso como o de ontem ao ver como disputavam cada bola. A organização defensiva esteve, mais uma vez, a grande nível. Não optaram por adiantar Duvnjak, mas a defesa esteve fluída e concentrada durante toda a partida, mesmo com Sagosen com duas exclusões desde os dez minutos. A esta organização juntou-se a sublime prestação de Niklas Landin. Em termos ofensivos, a equipa voltou a apostar no 7×6 em algumas situações e conseguiu sempre encontrar soluções para finalizar.

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Niklas Landin (8)

Hendrik Pekeler (9)

Sander Sagosen (7)

Steffen Weinhold (7)

Niclas Ekberg (10)

Rune Dahmke (10)

Patrick Wieneck (6)

SUBS UTILIZADOS

Dario Quenstedt (-)

Miha Zarabec (5)

Harald Reinkind (5)

Domagoj Duvnjak (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

Uma equipa repleta de opções, mas que não conseguiu parar a organização ofensiva adversária, nem conseguiu superar a organização defensiva. A organização defensiva, um 6×0 adiantado a tentar limitar a circulação na primeira linha, não foi suficiente para parar o ataque da equipa alemã e os guarda-redes também não estiveram ao nível que se exigia. Em termos ofensivos, a equipa teve algumas falhas técnicas e turnovers, encontrando também Landin a relembrar que ainda é um dos melhores guarda-redes do mundo.

7 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kevin Moller (5)

Ludovic Fabregas (8)

Aitor Arino (7)

Luka Cindric (8)

Aron Palmarsson (5)

Dika Mem (6)

Aleix Gómez (8)

SUBS UTILIZADOS

Perez de Vargas (6)

Jure Dolenec (5)

Thiagus Petrus (5)

Cedric Sorhaindo (5)

Blaz Janc (5)

Timothey N’Guessan (6)

Luís Frade (5)

Raul Entrerrios (5)

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