O campeonato europeu de sub-20 vai certamente ser recordado por muitos portugueses. Os jovens jogadores mostraram um desempenho quase inédito das seleções portuguesas – se falarmos da seleção principal as participações em fases finais são quase inexistentes. 

Apesar de uma boa seleção, com bons jogadores, que competem em ligas de topo, parece sempre faltar algo. Talvez um fio de jogo mais forte, maior organização e maior concentração. Se estes ingredientes se enraizassem desde cedo nos jogadores o potencial de Portugal seria acrescido.

De qualquer forma o futuro parece brilhante para muitos casos mas o melhor de todos é sem dúvidas o de Diogo Silva. Enorme em todos os momentos do jogo, com um poder de fogo obrigatório para um lateral direito de topo. O jogador que esteve ligado ao Avança na última época foi o melhor jogador do Europeu sub-20 e até recebeu destaque da imprensa internacional – recompensas merecidas para Diogo Silva. Deixo também claro que, ao destacar Diogo Silva, não desvalorizo de todo os restantes jogadores que realizaram uma prova de “deixar água na boca” (Luís Frade foi galardoado com o troféu de melhor pivot do torneio).

O talento da seleção nacional jovem correspondeu em campo
Fonte: Federação de Andebol de Portugal

O treinador, Nuno Santos, elogiou todos os jogadores, as instituições que contribuíram para o sucesso da equipa, e organização. Lamentou o cansaço mostrado já na sem-final contra a Eslovénia mas enfatizou a atitude demonstrada e é aqui que começa o sucesso – na atitude. Os jogadores estiveram incansáveis com Diogo Silva a liderar as tropas e os colegas a corresponderem. Entrega máxima em todos os jogos e qualidade de jogo muito acima da média.

É por vezes revoltante a falta de aposta nos jovens andebolista. Com isto refiro-me à falta de equipas para a prática, à preferência por estrangeiros e à desvalorização dos atletas portugueses e principalmente de uma modalidade como o andebol que é a segunda modalidade com mais praticantes em Portugal, a seguir ao futsal – o andebol conta com cerca de 50 mil praticantes federados.

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Vale a pena olhar para a seleção de sub-20 e refletir sobre se o caminho que se está a percorrer é o indicado para o aproveitamento total do potencial que existe na modalidade. Diogo Silva é o exemplo de um diamante por lapidar, um daqueles que é desperdiçado pelo cruel destino que se oferece aos jogadores de andebol em Portugal – poucas condições financeiras e desportivas.

Foto de Capa: EHF Euro