Quem acompanha o Campeonato Andebol1 sabe que o Pavilhão Antoine Velge é dos melhores a nível nacional.

Do ponto de vista estrutural e técnico, é um edifício antigo. Não oferece as comodidades que outros clubes oferecem, como no pavilhão João Rocha, Dragão Arena ou Pavilhão da Luz.

No entanto, é um local que transporta os espetadores para uma época em que a modalidade era bem diferente. É um pavilhão que se encontra constantemente cheio, independentemente do adversário, e a sua massa adepta faz-se sentir, levando a equipa para a frente nos momentos mais difíceis. Aliás, na época que agora findou, foram mais os momentos complicados do que de felicidade.

Depois de 14 anos nos escalões inferiores, o Vitória teve a sua grande oportunidade no verão de 2019, quando foi convidado pela Federação de Andebol de Portugal para assumir a vaga deixada pelo Fermentões, equipa de andebol suspensa. Dada a decisão por parte de AC Fafe e Arsenal da Defesa (os dois clubes despromovidos nesse ano) em não se manterem no principal escalão, os sadinos aproveitaram e voltaram ao convívio dos grandes por serem o terceiro classificado na fase final de subida.

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No entanto, nem tudo foram rosas. O pouco tempo de preparação para enfrentar uma competição mais exigente como o Campeonato Andebol1 levaram a que os resultados fossem tudo menos positivos. Uma vitória, dois empates e 22 derrotas foi o desempenho de uma equipa que, apesar da qualidade, pecava nos momentos-chave.

A falta de resultados desportivos levou a muita ansiedade no clube, que optou pela via das “chicotadas psicológicas”.

A época iniciou-se com Danilo Ferreira, que foi substituído ao fim de seis jogos (uma vitória e cinco derrotas) por Luís Monteiro. Os maus resultados continuaram, o que obrigou a direção sadina a nova mudança, desta vez trazendo João Galego Garcia para o comando técnico do clube.

O ex-treinador do Sporting acabou por estar pouco tempo à frente da equipa, devido à  suspensão do campeonato causada pela pandemia da COVID-19. Mas a verdade é que o Vitória já começou a preparar a próxima temporada… e promete bastante.

Aproveitando a capacidade demonstrada por Galego Garcia no desenvolvimento de talentos jovens (tal como fez nos juvenis do Sporting, conseguindo um bicampeonato), a equipa de Setúbal tem-se reforçado de forma criteriosa, mantendo um plano de contratações bem definido: atletas jovens, com experiência na primeira divisão, mas que possam ser trabalhados e que se mantenham no clube a médio/longo prazo.

As contratações de Pedro Santana, Francisco Silva, Ruben Santos e André Alves assim o indicam, e a aquisição do jovem iraniano Muhammed Reza demonstra que o clube tem horizontes largos no que toca à sua política de recrutamento.

Se o clube irá conseguir, ou não, utilizar e potenciar o talento que estes atletas possuem e atingir vitórias é uma questão que não terá resposta durante os próximos tempos. Mas a qualidade está lá, e o Vitória FC pode ser uma das equipas surpresa do Campeonato Andebol1.

Foto de Capa: Andebol Vitória FC

Artigo revisto por Mariana Plácido