2016 foi um fenomenal ano para a atleta. Não deu tanta atenção aos 200 metros como viria a dar em 2018, é verdade, mas nas 3 provas que disputou, venceu as 3. Nos 400 metros, porém, teve um domínio avassalador, não vencendo apenas a prova das meias-finais dos Jogos Olímpicos do Rio, onde Felix se exibiu em grande forma, projetando uma grande final. Na final, Miller superiorizou-se, tendo estado por cima durante toda a prova, mas sendo apertada no final pela estrela norte-americana, num dos mais dramáticos e controversos desfechos da história das finais do nosso desporto. Muito na altura se falou de um mergulho para o Ouro (que não é ilegal, mas muitos consideram ser pouco ético), mas a atleta sempre o negou, dizendo que tropeçou e esse aparente “mergulho” é apenas o resultado da queda. Nesse dia, terminou em 49.44 segundos, um novo recorde pessoal à data.

No ano de 2017, a época da atleta poderia ter sido quase perfeita, não fosse ter ocorrido um dos acontecimentos mais estranhos da sua carreira. Miller-Uibo havia dominado e vencido todas as provas de 400 metros da época. Chegou à final dos Mundiais de Londres como favorita e depois de um forte (ou alguns diriam, suicida) arranque de Allyson Felix, à saída da última curva, a norte-americana já tinha perdido a frente da prova e Miller assumira claramente o comando. Inexplicavelmente, a poucos metros do final, perdeu o equilíbrio e viu-se ultrapassada por Phillys Francis (que foi Ouro), Salwa Eid Naser (Prata) e Allyson-Felix (Bronze).

Muito se especulou acerca das causas do episódio: desde ácido lático até uma cãibra, passando por uma entorse. No final, a atleta desfez todas as dúvidas: ela estava na frente da prova e sabia-o, olhou para o ecrã no estádio e, sem qualquer explicação, quando o fez, perdeu o equilíbrio e o ritmo da sua corrida! Ficou fora do pódio, na quarta posição. Dois dias depois, na final dos 200 metros, viria a surpreender e aí sim a entrar no pódio, com a medalha de Bronze. Para o final do ano ainda estavam reservadas as finais da Diamond League, onde venceu nos 200 metros com um novo recorde pessoal de 21.88 e nos 400 metros com a melhor marca do ano (49.46), provando que o que acontecera em Londres fora apenas um percalço na pior altura possível. 

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Um 2018 só a vencer

Para este ano, Shaunae Miller-Uibo trazia uma estratégia clara de “se divertir”, sem forçar demasiado. Não era uma estratégia muito diferente da adotada pela maioria dos atletas. 2018 era um ano de transição ou, como muito se diz nos EUA, um year-off. No Atletismo em cada ciclo de 4 anos, existem 3 anos com eventos globais (1 Jogos Olímpicos e 2 Mundiais) e 1 ano sem qualquer evento do género – é a este ano que nos referimos. A atleta das Bahamas não só tinha como objetivo fazer menos provas, como também ter uma diferente abordagem a nível de treinos, testando coisas novas, principalmente a nível de distâncias. 

Os resultados foram estrondosos! Foi nos 200 metros que fez a maioria das suas provas, vencendo as 7 competições em que participou (9 provas, contando com as eliminatórias dos Jogos da Commonwealth). Não foi a atleta que correu o tempo mais rápido do ano (o mais rápido que correu foi 22.06 e Dina Asher-Smith correu em 21.85 nos Europeus), mas sempre que esteve em prova com as atletas mais rápidas, correu mais rápido do que elas nesse dia! Desde 24 de Agosto de 2017 que só conhece o sabor da vitória nesta distância.

Em Birmingham, Miller-Uibo bateu a mais rápida do ano na distância, Dina Asher-Smith
Fonte: IAAF

Nos 400 metros, também é desde Agosto do ano passado que não perde, embora nesta distância tenha realizado menos provas em 2018: foram apenas 3. Mas isso não impediu que na última vez que correu a distância nesta temporada tivesse feito história. No Mónaco, correu em 48.97 segundos, um enorme novo recorde pessoal, entrando para a casa de atletas a correr abaixo dos 49 segundos, subindo ao top-10 de sempre, com o tempo mais rápido que o mundo viu nos últimos 9 anos! 

Fecharia a temporada com mais três importantes troféus na prateleira: com o Ouro nos Jogos da Commonwealth (logo em Abril), com a vitória do diamante na Diamond League (em Agosto) e com a conquista do primeiro lugar da Continental Cup (em Setembro), tudo isto na distância de 200 metros, num ano em que bateu a campeã olímpica (Elaine Thompson) e a campeã mundial (Dafne Schippers).