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Dia 1 dos Mundiais: Pichardo foi o melhor da qualificação

Pedro Pires · 4 min

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No único dia reservado para qualificações (no que muitas vezes é designado de dia zero), o grande destaque (em pista) a nível nacional era a presença de Nelson Évora e Pedro Pablo Pichardo, duas das maiores esperanças portuguesas em busca de um lugar na final. Os dois portugueses entraram em prova às 19h25, hora local e Pedro Pablo Pichardo esteve mesmo em grande evidência.

Pedro Pichardo saltou 17.38 metros, logo à primeira tentativa, arrumando com a questão, no melhor salto . Já Évora teve o melhor salto ao último ensaio, 16.80 metros, ficando a aguardar uma repescagem que viria a não chegar. No final da prova, Pedro Pichardo afirmou que está aqui “para lutar pelo Ouro” e é nisso que pensará no domingo quando entrar em prova para mais uma final de Mundiais, depois de duas medalhas de Prata alcançadas em Moscovo (2013) e Pequim (2015).

Já Nelson Évora confessou que apenas começou a sentir “boas sensações” no final da temporada, mas que “não era para isto” que tinha trabalhado. Assumiu que saiu da “zona de conforto durante esta temporada” correndo “riscos”, mas que não está acabado e que podem contar com ele para os Jogos de Tóquio. No final, revelou que, pelas especificidades da próxima temporada, irá procurar focar-se “principalmente na temporada ao ar livre”.

As outras provas: Saltos em grande e alguns candidatos a ficar pelo caminho…

O maior salto na qualificação dos últimos 20 anos
Fonte: IAAF

Nas outras provas de qualificação, destaque, no masculino, para os grandes 8.40 metros (-0.4) de Juan Miguel Echevarría (CUB) no Comprimento, mostrando estar já em grande forma e assumindo-se como o principal favorito ao Ouro, sendo este o maior salto numa qualificação desde 1999! Nos 100 metros, também excelentes indicadores do norte americano Christian Coleman (9.98) e do sul-africano Akani Simbine (10.01), ambos a tirar o pé e a abrandar bem antes da chegada à meta. Destaque ainda para a desqualificação de Jakob Ingebrigtsen, o jovem norueguês, depois de ter pisado fora da pista na prova de qualificação dos 5.000 metros.

Já no feminino, Nos 800 metros, Winnie Nanyondo (UGA) foi a mais rápida na qualificação (2:00.36), mas houve lugar a surpresas, com outros alguns nomes a grandes a ficarem pelo caminho, como a norte-americana Hanna Green (USA) ou a britânica Lynsey Sharp (GBR), que eram candidatas às medalhas. Nos 3.000 obstáculos, na Vara (17 mulheres apuraram-se para a final, primeira vez da história!) e na Altura, os grandes nomes alcançaram a qualificação sem muita dificuldade (bem, Lasistkene (RUS) teve mais dificuldades do que o esperado na Altura), enquanto que no Martelo existiu alguma surpresa na eliminação de Malwina Kopron (POL) – que foi Bronze em Londres – e Brooke Andersen (USA), que era a atleta com a 2ª melhor marca do ano. Pela primeira vez na história, 70 metros não foi suficiente para se qualificar para a final.

A organização e o ar condicionado do Khalifa International Stadium

O estádio Khalifa International em Doha
Fonte: IAAF

O inovador sistema de ar condicionado do estádio que recebe estes Mundiais mostrou-se à altura das melhores expectativas. Ainda que se tenha preservado um clima quente, não existiram problemas de maior a nível de vento – as turbinas de ar funcionaram na perfeição, mantendo o vento sempre regular – e a temperatura manteve-se constante em níveis ótimos (25º/26º) para as provas de pista.

Em termos organizativos, há aspetos a melhorar, embora, de um modo geral, se possa dizer que não existiram problemas de maior, existindo um grande número de voluntários e de zonas bem definidas. Ainda assim, o facto da tribuna de imprensa não ter zonas alocadas a cada jornalista complicou o trabalho de todos e – mais preocupante – o facto dos atletas terem que subir todo um anel do estádio para falar com a imprensa televisiva e depois descerem de novo para falar com a imprensa escrita, não é o melhor para os mesmos, podendo ser especialmente doloroso em dias em que existam meias-finais e finais com poucas horas de diferença.

Por último, no que diz respeito ao número de espectadores, já se sabe que estes serão uns Mundiais muito diferentes de anteriores edições e que a venda de bilhetes não foi fantástica (muitas explicações há – quase todas relacionadas com a localização do evento). Ainda assim, registou-se uma casa relativamente bem composta para uma sessão sem finais e a acústica do estádio pareceu bastante à altura, com o barulho do público, por vezes, a tornar-se quase ensurdecedor – principalmente nas provas com a presença de atletas do Quénia e Etiópia, sendo que existem grande comunidades quenianas e etíopes a residir em Doha.

Ainda há mais hoje…

Relembramos que hoje – a partir das 21h59 (hora portuguesa) – será a vez da Maratona feminina, com a presença da portuguesa Carla Salomé Rocha, que tem expectativas de um bom resultado em Doha. As provas de estrada terão dificuldade extra, uma vez que, disputando-se em estrada, não terão acesso ao tão importante ar condicionado, esperando-se nada menos do que 32º graus e mais de 70% de humidade à hora do evento.

Para seguir tudo o que se vai passando e estar a par das provas de cada dia, sugerimos que sigam as páginas do Bola na Rede e do Planeta do Atletismo no Facebook e no Instagram.

Foto De Capa: IAAF

Pedro Pires

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