Continuando o nosso especial das finais da Diamond League, hoje fechamos as antevisões, com o que poderemos esperar do segundo dia de finais, na próxima sexta-feira, em Bruxelas.

100 metros (M): Christian Coleman e Ronnie Baker começaram a época indoor em grande forma, a dividir as atenções e ambos fizeram história. Christian Coleman, é certo, num patamar acima, pois fez o que mais ninguém alguma vez fez, correndo os 60 metros em 6.34 segundos, um novo recorde mundial da distância, sendo que Ronnie Baker com os 6.40 segundos tornou-se no terceiro mais rápido de sempre! Coleman viria a ser campeão mundial em Birmingham, onde Baker foi terceiro e entre os dois, o chinês Su Bingtian, ele que com os seus 6.42 passaria a ser o 5º mais rápido de sempre. O chinês não estará aqui – pois está a competir nos Jogos Asiáticos, onde já venceu o Ouro nos 100 metros – mas é um fechar de época com significado especial, quase como que encerrando o ciclo que foi iniciado na pista coberta, ao termos aqui os dois rivais norte-americanos.

O dia em que Christian Coleman bateu o recorde mundial Indoor, nos Nacionais Indoor norte-americanos
Fonte: IAAF

E os dois poderão ser encarados como os grandes favoritos, embora cheguem aqui a Bruxelas numa posição diferente do que a que chegaram à final de Birmingham. Ronnie Baker tem-se superado sucessivamente e apresenta-se na Bélgica como o novo líder mundial dos 100 metros, tendo corrido em 9.87 segundos (0.3) na semana passada na Polónia. Com um vento ligeiramente acima do legal (+2.4) já correu em 9.78 este ano, em Eugene, onde bateu Christian Coleman. Mais tarde, em Rabat, Coleman bateu Baker, ambos terminando em 9.98 (-0.1). Ainda assim, Coleman passou por um período de pequenas lesões neste verão, pelo que é incerto se já se sente totalmente na máxima força. Certo é que em condições normais, Coleman vale mais do que os 9.94 (-0.5) que tem de recorde pessoal nesta temporada. Em pista não estará Noah Lyles (correrá apenas os 200, onde ainda se sente mais confortável), mas nomes como Yohan Blake, Akani Simbine, Reece Prescod ou Mike Rodgers garantem que nenhum dos dois favoritos se poderá distrair, caso queiram vencer o Diamante.

A nossa aposta: Ronnie Baker (USA)

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200 metros (F): Não se deixem enganar pelo seu lugar no ranking mundial. Se há quem domine os 200 metros em 2018, essa atleta é Shaunae Miller-Uibo. Miller-Uibo participou em 7 provas de 200 metros e venceu as 7, batendo todas as suas mais fortes adversárias. Havia a dúvida se a atleta das Bahamas iria participar nos 200 ou nos 400 metros (a sua distância de eleição), mas ela irá mesmo fechar a época com participações nos 200 metros aqui em Bruxelas e na Continental Cup em Ostrava. A líder mundial, Dina Asher-Smith, não estará presente, pois fará os 100 metros de Bruxelas, mas no ar não fica qualquer sensação de dúvida de como poderia ser o duelo entre ambas, uma vez que Shaunae Miller bateu Asher-Smith em Birmingham há menos de duas semanas, já depois da britânica fazer história em Berlim. Quanto a quem estará presente em Bruxelas, no papel a ameaça para Miller poderá vir da jamaicana Shericka Jackson, que já correu em 22.05 este ano, mas a jamaicana tem-se mostrado bastante inconsistente. Ao mesmo tempo, quem tem começado a melhorar, a nível de marcas e de prestações, é Dafne Schippers, a campeã mundial da distância, que bateu Miller há um ano em Londres. Não sabemos se será suficiente. Os últimos 30 metros de Schippers ainda aparentam estar muito longe daquilo a que nos habituou e aí a atleta das Bahamas continua fortíssima.

A nossa aposta: Shaunae Miller-Uibo (BAH)

400 metros (F): Duas atletas dominaram o circuito nesta temporada, embora nas 3 provas que Shaunae Miller-Uibo fez este ano, ela tenha vencido sempre, incluindo dois meetings Diamond League. Acontece que a atleta das Bahamas, tal como já mencionámos, escolheu realizar a prova de 200 metros, em vez dos 400. Assim sendo, a grande favorita tem que ser Salwa Eid Naser, a jovem do Bahrain que apenas perdeu uma vez durante todo o ano, e foi para Miller-Uibo, no dia em que a atleta das Bahamas baixou pela primeira vez na carreira dos 49 segundos. Naser também ficou lá próximo e aos seus 20 anos, correu no Mónaco em 49.08 segundos, demonstrando uma forma impressionante e um futuro ainda mais promissor. Ela foi medalhada de Prata em Londres na temporada passada e chega a Bruxelas, depois de dois Ouros nos Jogos Asiáticos (400 e 4×400 misto), mas veremos se a longa viagem de Jakarta para Bruxelas um dia antes desta final não influenciará no seu rendimento. Como principais adversárias terá a jamaicana Stephenie Ann McPherson e um enorme batalhão norte-americano (5 atletas!), que inclui a 3ª mais rápida do ano, Shakima Wimbley (em 49.52) prata nos Mundiais Indoor, a campeão desses Mundiais Indoor – Courtney Okolo – e também a campeão mundial ao ar livre na época passada, em Londres, Phillys Francis.

Francis e Naser em mais um duelo
Fonte: Rabat Diamond League

E cuidado com Francis. É que ela é conhecida por apresentar a sua melhor forma nos momentos decisivos – as únicas 3 vezes que baixou dos 50 segundo foram sempre em finais: duas vezes nos Campeonatos/Trials Norte-Americanos e na final dos Mundiais de Londres!

A nossa aposta: Salwa Eid Naser (BHR)

800 metros (M): Serão 5 os quenianos presentes nesta final dos 800 metros, incluindo o líder mundial Emmanuel Korir. Korir correu, em Londres, em 1:42.05, o mais rápido que o mundo viu alguém correr nos últimos 6 anos, tornando-se no 6º mais rápido de sempre a percorrer a distância. Mais tarde, em Birmingham, foi um pouco mais lento, mas terminou outra vez em 1:42 e esse tempo bastaria para continuar a ser o mais rápido, este ano, entre os presentes em Bruxelas. É logicamente o favorito, embora existam muitos homens rápidos em pista, num field que apresenta outros 5 atletas que baixarem do 1:44 este ano. Entre eles estará o seu compatriota Ferguson Cheruiyot Rotich e o norte-americano Clayton Murphy – dois atletas que sabem o que é correr em 1:42, pois já o fizeram no passado, sendo que o americano o fez no dia em que foi Bronze no Rio! Ainda assim, a maior ameaça a Korir, poderá vir do jovem de 21 anos, também ele queniano, Wyclife Kinyamal, que venceu em Xangai e em Roma.

A nossa aposta: Emmanuel Korir (KEN)