Na verdade, Juan Miguel Echevarría, na actualidade com 19 anos, não caiu aqui de paraquedas. Em 2015, com apenas 16 anos, já ultrapassava os 8 metros e em 2017 chegou a saltar 8.28 metros em Madrid. Mas foi com o início da temporada 2018 que Echevarría ocupou o lugar de destaque que hoje tem já no desporto, sendo encarado como uma das maiores promessas da actualidade e apontado como um sério candidato a bater o recorde mundial de Mike Powell, os 8.95 metros que duram há quase 27 anos! Na temporada de Pista Coberta, começou em grande forma e os 8.34 que fez em Metz em Fevereiro passado deram-lhe uma liderança mundial e uma série de olhos postos em si. Isso não o intimidou e não impediu que fosse a Birmingham bater Luvo Manyonga e levar o Ouro em 8.46 metros. 

O concurso de Birmingham foi de tão elevado nível que o salto que deu o Bronze a Marquis Dendy em 8.42 daria para vencer os anteriores 8 campeonatos de pista coberta! 

A expectativa para a época ao ar livre era enorme, mas o cubano não se tem deixado intimidar por isso. Tem-se superado competição após competição e ainda não fez qualquer prova abaixo dos 8.40 metros! São 4 provas em 2018 e todas elas foram especiais. Se na primeira em Havana, em Março, saltou 8.40 metros, um novo recorde pessoal ao ar livre; já em Maio estreou-se em provas da Diamond League, saltou pela primeira vez acima dos 8 metros e meio (8.53) e fez um enorme nulo que deixou muita gente de sobreaviso. Pouco mais de uma semana depois, iria a Estocolmo fazer um incrível salto de 8.83 metros, com vento ligeiramente antirregulamentar (+2.1), naquele que é o maior salto em qualquer tipo de condições em 23 anos e que seria o maior salto legal desde o recorde mundial de 1991 se o vento fosse ligeiramente mais baixo (+2.0 seria suficiente).  

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Claro que já nada surpreende em Echevarría e apenas 3 dias depois o cubano iria saltar a Ostrava, com um tempo frio, uma série fantástica com 3 saltos acima de 8.50 (há 21 anos que ninguém o fazia!), incluindo um salto regulamentar de 8.66 metros, que é o seu novo recorde pessoal, que é o maior salto regulamentar desde 2009 e o maior da história feito por um teenager, suplantando uma marca (8.62) que pertencia a Carl Lewis desde 1981! 

Entusiasmados o suficiente? Acredito que sim e com mais do que razões para isso. O campeão olímpico do Rio, Jeff Henderson já saltou (8.44), marca até acima da que chegou para o Ouro no Rio (8.38) e o medalhado de Bronze dos Mundiais de Londres, Ruswahl Samai (outro sul-africano) já saltou mais (8.39) do que o resultado que lhe deu essa medalha global (8.32). Mas atenção ao que vem da China! O azar parece ter batido à porta do jovem, de 19 anos, Shi Yuhao que depois de bater o seu recorde pessoal (saltou 8.43 metros) no segundo lugar do meeting de Xangai, se lesionou com gravidade, mas Jianan Wang parece pronto para ocupar esse lugar! O atleta que foi Bronze nos Mundiais de Pequim, saltou neste fim-de-semana 8.47 metros, melhorando o seu recorde pessoal em 18 centímetros! Aos 21 anos, promete também ele fazer parte deste futuro mais do que entusiasmante do Salto em Comprimento. Estará o recorde mundial em risco de cair? Vamos, por uma vez, deixar de ser demasiado calculistas. Admiraria muito que o mesmo não fosse, pelo menos, seriamente ameaçado até ao final do ciclo de 3 eventos globais que teremos entre 2019 e 2021! 

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.