João Vieira conquistou a medalha de Prata nos Mundiais de Doha, no Qatar, a sua maior medalha da carreira, o seu maior feito. Com esta medalha, aos 43 anos, João Vieira tornou-se no atleta – nacional ou estrangeiro – mais velho a alcançar qualquer medalha em qualquer evento de Campeonatos Mundiais.

Poucos seriam os que tinham prognosticado um desfecho destes. O próprio João Vieira, no final, falando de uma época de “sofrimento, mas estupenda a nível de resultados”, referiu que “só em sonhos” pensava num resultado como este, mas que “estudou muito” – ajudado por uma equipa que englobou o fisiologista Amândio Santos e um psicólogo – para definir qual seria a melhor estratégia para se adaptar a uma prova diferente como a esperada para Doha, com temperatura e humidade bastante elevadas. E foi isso que a prova nos tinha mostrado nas horas antes.

Começando num ritmo cauteloso e sem entrar em loucuras, João Vieira sabia qual a estratégia que tinha preparado para esta madrugada de Doha e foi subindo de forma gradual os seus ritmos de prova e, consequentemente, lugares na classificação, coincidindo com a quebra de vários atletas que dominaram desde cedo e assumiram ritmos elevados, pagando mais tarde por isso.

Quando chegou a lugar de medalha de Bronze, Vieira não se contentou com isso, até porque estando a fazer passagens mais rápidas que o chinês que acabara de ultrapassar – Luo Yandong – e o chinês que ainda ia à sua frente – Wenbin Niu – sabia que havia um canadiano muito rápido atrás de si, que também vinha a recuperar muitos lugares, Evan Dunfee.

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O canadiano acabou mesmo no pódio (com 4:05:02), mas não conseguiu ultrapassar João Vieira que fechou em 4:04:59, três segundos mais rápido do que ele e a 39 segundos do japonês Yusuke Suzuki, que dominou toda a prova, chegou a ter vários minutos de avanço, mas que parou várias vezes e chegou a perder muita da sua vantagem nas últimas voltas. Suzuki tornou-se no primeiro japonês a vencer uma prova masculina de Marcha em Campeonatos Mundiais.

Quanto a João Vieira, que já fazia história, ao igualar Susana Feitor na lista dos atletas nacionais com maior número de presenças em Mundiais (11), faz ainda agora mais história ao alcançar a sua 2.ª medalha em Mundiais, mas a primeira sentindo o “momento”, uma vez que o Bronze de 2009 – que ainda está por receber – será uma medalha obtida anos depois, devido a um caso de doping de um dos medalhados (no caso, o de Ouro).

João Vieira falou ainda dos Jogos do próximo ano, confessando que é mais um sonho e que irá continuar a trabalhar, de forma “muito profissional” para isso. Tendo em conta que as condições climatéricas esperadas para Tóquio são parecidas ou piores do que as encontradas em Doha, há motivos para se estar realisticamente otimista. Para já, João Vieira agradeceu todos os apoios que tem tido, tanto da Federação, como do seu clube, o Sporting Clube de Portugal.

MARA RIBEIRO TERMINOU, INÊS NÃO

Na prova feminina, Inês Henriques era uma das maiores esperanças portugueses para estes Campeonatos, procurando defender em Doha o título alcançado há dois anos em Londres. A atleta portuguesa, de 39 anos, até começou bem, no grupo da frente, que chegou a estar reduzido a duas: ela e a chinesa Liang Rui. No entanto, Inês começou a sentir dificuldades e foi-se deixando ultrapassar em prova, até acabar por desistir – antes dos 40 km – tendo mesmo desfalecido e sido assistida.

Já Mara Ribeiro, na sua estreia em grandes eventos internacionais, esteve à altura do momento e, apesar das evidentes dificuldades sentidas, terminou a prova na 15ª posição, com um tempo de 4:58:45. A vitória da prova feminina foi para a chinesa Liang Rui (com 4:23:26), com a sua compatriota Li Maocuo a ficar com a Prata, em 4:26:40. A fechar o pódio, com o Bronze, ficou a italiana Eleanora Giorgi, com 4:29:13.

Foto de Capa: IAAF

artigo revisto por: Ana Ferreira

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.