O ressurgimento da velocidade britânica

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Os atletas a destacar

Reece Prescod (22 anos)

PB (100m): 9.94 (-0.5)

Foi o 2º classificado dos Europeus de Berlim, já baixou dos 10 segundos e tem como melhor pessoal legal os 9.94 (-0.5) que correu em Birmingham este ano para chegar colado a Christian Coleman na prova da Diamond League decidida ao limite. Foi com alguma surpresa que no ano passado foi o campeão britânico e depois alcançou a final dos 100 metros nos Mundiais, onde foi 7º. Este ano, revalidou o título britânico nos 100 metros e até já venceu uma prova da Diamond League (em Xangai, em condições climatéricas complicadas).

O seu estilo de corrida faz em muito lembrar o de estrelas como Carl Lewis, vindo de trás para terminar muito forte, com muito pouca desaceleração, até parecendo não o fazer, tal a diferença para os rivais em pista. Em Agosto de 2018, baixou por 3 vezes dos 10 segundos. Caso melhore a partida, entrará facilmente na casa dos 9.8x. Treina em Londres sob a orientação de Jonas Dodoo.

Zharnel Hughes (23 anos)

PB (100m): 9.91 (+0.4)

PB (200m): 20.02 (-0.1)

É o novo campeão europeu do sprint mais curto ao ar livre e já o tinha ameaçado quando um mês antes em Londres correu em 9.93 (+0.1), depois dos 9.91 (+0.4) do início da temporada em Kingston, onde bateu…Noah Lyles!

Zharnel Hughes é o novo campeão europeu dos 100 metros
Fonte: European Athletics

Também nos 200 metros é um caso prometedor, tendo até já vencido duas etapas da Diamond League em 2015, quando ainda tinha 20 anos. Apenas este ano começou a apostar mais nos 100 metros e se antes de 2018 trazia um melhor pessoal de 10.10, termina o ano a baixar quase dois décimos, prometendo ainda ter mais “no tanque”. Nasceu em Anguilla (território britânico) e treina quase toda a temporada na Jamaica (no Racers Track Club, com Glen Mills, onde era colega de Usain Bolt), vindo à Europa apenas no verão europeu.

Cj Ujah (24 anos)

PB (100m): 9.96 (+1.4)

Foi o surpreendente vencedor da final dos 100 metros da Diamond League 2017 e é um dos atuais campeões mundiais e europeus da estafeta 4×100.

Como júnior foi finalista em campeonatos mundiais e campeão europeu nos 100 metros. Falhou o pódio em Berlim (4º), na sua pior época como sénior, que ficou também marcada pela falsa partida na meia-final dos 60 metros dos Mundiais de Pista Coberta, que era uma das suas principais apostas. Nos 4 anos anteriores, teve melhores marcas pessoais entre os 9.96 e os 10.01 e, este ano, não baixou dos 10.06. Ainda assim, e apesar de parecer existir alguma estagnação, continua a ser um dos nomes em que os britânicos colocam mais esperanças. Treina agora no Arizona (EUA), sob os comandos de Stuart McMillan, com a equipa Altis, que conta com nomes como Andre De Grasse, Aries Merritt ou Fred Kerley.

Nethaneel Mitchell-Blake (24 anos)

PB (100m): 9.99 (+0.6)

PB (200m): 19.95 (+0.4)

Especialista nos 200 metros, prova onde foi segundo nos Europeus atrás de Guliyev, Mitchell-Blake é o bicampeão britânico na distância do duplo hectómetro, distância em que também foi campeão europeu júnior.

Nos Mundiais do ano passado, cheirou o pódio (4º lugar) e fez parte da equipa que venceu a medalha de Ouro das estafetas 4×100. Com 13 anos, emigrou para a Jamaica e foi aí que fez grande parte da sua formação como atleta no desporto escolar do país caribenho. Depois mudou-se para os EUA, onde estudou e competiu no exigente desporto universitário. Continua a treinar a maior parte do seu tempo, no Louisiana (EUA), sob as orientações de Dennis Shaver.

Adam Gemili (25 anos)

PB (100m): 9.97 (+2.0)

PB (200m): 19.97 (+0.8)

Campeão mundial junior em Barcelona, na distância dos 100 metros, Adam Gemili tem tido alguma dificuldade em dar o passo seguinte, mesmo quando parece que tudo se perfila para tal. Foi campeão europeu dos 200 metros em 2014 (em 19.98), mas desde aí não mais venceu um Ouro a nível internacional em provas individuais.

https://www.youtube.com/watch?v=nt3wy6tbd9E

Cheirou o pódio nos 200 metros dos Jogos Olímpicos do Rio (2016), ano em que foi campeão nacional nessa distância, mas desde aí pouco destaque tem tido a nível individual. A nível de estafetas, venceu 3 Ouros consecutivos nas estafetas 4×100 dos Europeus e também fez parte da estafeta campeã mundial em Londres no ano passado. O atleta tem consciência que precisa de ganhar medalhas globais individuais como sénior para não ser mais do que uma grande promessa não cumprida, conforme confidenciou a Ato Boldon num episódio do IAAF Inside Athletics gravado em 2017.  Faz parte do grupo de Rana Reider, sediado na Holanda, que conta com nomes como Christian Taylor ou Dafne Schippers.

Ojie Edoburun (22 anos)

PB (100m): 10.04 (+1.7)

Foi em 2018 a primeira vez que Ojie entrou na casa dos 10.0x, o que prova a notória evolução do atleta neste último ano. Em 2015, foi campeão europeu sub-20 e, em 2017, foi campeão europeu sub-23 nos 100 metros, o que dá conta da experiência que o atleta já tem em competições internacionais.

 

Como sénior falta-lhe ainda resultados de um nível superior e, só conseguirá a qualificação para grandes eventos, caso faça melhor do que alguns dos nomes aqui mencionados. Para o fazer, poderá ter que baixar dos 10 segundos e o atleta afirma-se preparado para tal. Treina sob as orientações de Steve Fudge, em Londres, junto com atletas como Asha Philip ou Imani Lansiquot.

Matthew Hudson-Smith (24 anos)

PB (400m): 44.48

É o único integrante desta lista que é especialista no sprint mais longo, nos 400 metros. Não tem tanta competividade na sua prova e isso acaba por ser um fator negativo para Hudson-Smith, que já se esperava que pudesse estar num outro patamar (potencialmente próximo de baixar dos 44). Foi finalista nos Jogos Olímpicos do Rio e é o atual campeão europeu, com o Ouro de Berlim.

Hudson-Smith quer o recorde nacional
Fonte: Birmingham Diamond League

Tem como um dos seus grandes objetivos bater o recorde nacional que parece perfeitamente ao seu alcance, sendo uma questão de tempo. Mudou-se para Clermont, na Florida, num grupo de treino que inclui, por exemplo Noah Lyles, Tori Bowie ou Shaunae Miller-Uibo, depois de um 2017 em que o atleta confessou ter passado por momentos complicados a nível motivacional, equacionando inclusivé o fim precoce da carreira. Está no sítio certo para evoluir e o recorde nacional britânico não deverá demorar muito a cair.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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