Quénia e Etiópia: Porquê tão fortes?

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Cabeçalho modalidadesQuénia, Etiópia. Etiópia, Quénia. Numa semana em que vimos uma atleta queniana – Ruth Chepngetich, de 23 anos – estrear-se na Maratona Feminina em 2:22:36 (e com fortes ventos) não podia estar este tema mais na ordem do dia. Já se tornou tão habitual vermos o domínio destas duas nações na meia e longa distância (em pista ou em estrada) que até achamos um evento fora do comum termos um vencedor de um país diferente. Muitas vezes, mais tarde, até chegamos à conclusão que são atletas que representam determinadas nações, mas que, ainda assim, são quenianos ou etiopes de origem! Mas afinal o que torna estes dois paises do leste africano tão especiais?

A questão é recorrente e muitas teorias existem. Mas antes de aprofundarmos o tema, convém frisarmos que mesmo entre quenianos ou etíopes, existem diferentes tipos de apetência e conseguimos perceber que a grande maioria dos atletas profissionais vêm das mesmas tribos e regiões: 3/4 dos corredores quenianos são Kalenjin e na Etiópia, o povo Oromo – que representa a grande maioria dos corredores – dividem com os Kalenjin a mesma origem dos povos do Nilo. Curioso também é que mesmo no Uganda, todos os corredores de elite pertencem aos Sebei que…têm a mesma origem dos Kalenjin (são na verdade um subgrupo). E o britânico Mo Farah até nasceu ali ao lado na Somália…

O mais aceite na actualidade é que não exista um factor explicativo, mas sim várias razões que levam a que estes países do leste africano apresentem o domínio praticamente absoluto no que diz respeito às distâncias mais longas. De forma a tornar as coisas mais fáceis de entender, deixaremos de parte certos termos científicos e iremos dividir em seis grandes grupos:

O Factor Genético e o Corpo Humano: É o argumento mais vezes apontado por quem se encontra no Ocidente. Tem peso? Os estudos feitos ainda não o conseguiram comprovar, mas é bastante sugestivo que sim. Quadris estreitos, estatura relativamente pequena, pouca massa gorda, pernas mais longas, mais finas, permitem diminuir o consumo energético em até 8% por quilómetro em comparação com corredores de elite nórdicos que não possuam essas características e é um factor que contribui positivamente para a economia de corrida ideal. Por outro lado, estas diferenças de características também irão “obrigar” a que o tipo de treino também seja totalmente diferente, adaptando os seus treinos para sessões bastante mais intensas e exigentes para estarem preparados para longas distâncias.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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