A vida de todos nós mudou neste 2020 e, para a maioria dos desportos, isso significou uma paragem total em termos competitivos. Alguns desportos profissionais já regressaram em algumas zonas do globo, adaptados às exigências dos tempos, com menos brilho, sem público, mas a fazer as delícias do que agora mais tempo em casa passam. E o Atletismo?

Num mundo que funciona, cada vez mais, a diferentes velocidades, é natural que estejamos em fases diferentes do reatamento também no que ao desporto diz respeito. Na Noruega, nesta última quarta-feira, um tal de Jakob Ingebrigtsen – quem mais? – bateu o recorde nacional norueguês de 5km em estrada, ao percorrer a distância em 13:28 segundos. A corrida, disputada em Stavanger, teve apenas cinco participantes (entre eles, o irmão Filip) e foi possível graças ao aliviamento de algumas medidas mais rígidas que marcaram o início da fase de confinamento no país escandinavo.

Por cá, ainda não existem corridas de qualquer tipo, não existindo ainda sinal verde para tal. Em inúmeros pontos do globo, durante várias semanas, não foi sequer permitida a utilização de instalações desportivas a atletas profissionais, o que levou a que muitos tivessem que improvisar em suas casas ou nos arredores, com o auxílio dos seus técnicos via videochamada.

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No que diz respeito a este 2020, é já sabido que é um ano terrível para o Atletismo e de quem dele depende. Enquanto em Portugal ainda aguardamos mais esclarecimentos quanto aos passos seguintes, calendarização e moldes em que as provas – sejam elas quais forem – serão disputadas; a World Athletics chegou-se à frente e anunciou um novo calendário da Diamond League, que este ano, excepcionalmente, não contará com pontos, finais ou diamantes.

As provas de cada evento serão anunciadas oportunamente por cada organizador e serão esses mesmos organizadores que terão a missão de adaptar os eventos às restrições que cada país tem adotado a nível de distanciamento social e proteção de todos os envolvidos. Fica por esclarecer a questão das viagens de atletas, mas é bastante provável que a maioria dos países optem por meetings regionais, compostos maioritariamente, ou exclusivamente, por atletas nacionais. Vejam abaixo o novo calendário da prova.

14.08: Mónaco
16.08: Gateshead
23.08: Estocolmo
02.09: Lausanne
04.09: Bruxelas
06.09: Paris
17.09: Roma/Nápoles
19.09: Xangai
04.10: Eugene
09.10: Doha
17.10: 2.° meeting na China (cidade a confirmar)

Conforme se pode constatar, a época de pista terminaria assim em Outubro, facto que  também vai ao encontro do desejo de várias Associações Nacionais Europeias, que já levantaram a hipótese de disputarem os Campeonatos Nacionais entre Setembro e Outubro.

Este ponto foi falado no nosso especial do Bola na Rede TV, onde contámos com a presença de Patrícia Mamona, Sara Moreira e Irina Rodrigues, sendo que todas as atletas consideram importante ainda competirem este ano, caso existam condições para tal. Ainda assim, um final de época em Outubro (tal como na temporada passada), poderá voltar a complicar as contas de quem quer realizar a temporada de pista coberta de 2021, que tem Mundiais marcados para o final de Março em Nanjing, na China.

Resta saber ainda a extensão completa do problema, sabendo de antemão que nada está garantido para 2021, uma vez que não é certa qual será a evolução do vírus  e como isso poderá prejudicar atletas em zonas que tenham surtos em diferentes alturas, colocando esses atletas em desvantagem para com outros, que possam estar disponíveis para as provas de qualificação ou mesmo para os próprios Jogos Olímpicos.

Também o COI – que no início parecia redutor em manter os  Jogos de Tóquio para este verão – já veio dizer que 2021 é a última chance para Tóquio. Caso não existam condições para que os Jogos se realizem no verão do ano que vem, esta edição será cancelada e os Jogos apenas regressarão em Paris, em 2024. Para já, várias alternativas estão a ser estudadas e há planos de contingência (que envolvem, por exemplo, a não existência de público ou quarentena obrigatória para todas as comitivas) que poderão ser postos em prática, dependendo de como a situação evolua.

Foto de Capa: European Athletics

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.