A Espanha como referência

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A procura de modelos de excelência como forma de encontrar o melhor rumo é comum a todas as áreas, e o basquetebol não foge à regra. Ainda me lembro bem que após o 25 de Abril tivemos acesso ao basquetebol que se fazia na Bulgária e ao desporto da Roménia. Mais tarde, com a introdução da NBA na TV, passámos a sonhar com o basquetebol norte-americano, e as equipas de clube e treinadores passaram a viajar para os Estados Unidos. Recentemente descobrimos que aqui mesmo ao lado mora a melhor Liga profissional (ACB), uma das melhores escolas de formação de treinadores e as melhores selecções jovens do Continente.

Saber quais as características ou competências que tornam os basquetebolistas espanhóis em praticantes de excelência é uma das questões que interessam a muitos dos treinadores nacionais. Como desenvolvem eles essas competências? Como aprendem? De que forma competem? Com que idade se iniciam no basquetebol?

O denominado “Método FEB” colocou Espanha na liderança dos Rankings das selecções jovens da FIBA e é o mais estudado no mundo do basquetebol.

O segredo é simples: métodos de trabalho comuns entre clubes, associações e Federação (Gabinete Técnico), o que permite a detenção e acompanhamento dos talentos.

Claro está que a escolha dos treinadores é determinante e aí escolhem quem quer estar ao serviço dos jogadores numa permanente ajuda para a sua formação.

As sete chaves do método FE são:

1 – O JOGADOR – Procuram os mais competitivos e não os mais altos ou os mais fortes.

2 – ENSINO – Fomentam a habilidade do jogador sem esquecer a correção dos seus defeitos.

3 – TREINADORES – Trabalham com líderes e dinamizadores de grupo.

4 – JOGO – Querem que os jogadores entendam o jogo.

5 – REALIDADE – Trabalham para criar situações similares aos jogos nos treinos.

6 – TALENTO – O jogo é adaptado ao talento dos jogadores e não o contrário.

7 – HUMILDADE – A base do Método FEB é voltar ao início em cada época.

O basquetebol espanhol tem o valor que tem porque, entre muitos outros factores que se completam, os jogadores treinam e competem de forma intensa, seguindo a regra dos 10 anos, que continua em vigor: para atingir a excelência necessita um praticante de 10 anos de preparação cuidada.

A selecção espanhola é das melhores do mundo Fonte: Facebook de Pau Gasol
A selecção espanhola é das melhores do mundo
Fonte: Facebook de Pau Gasol

O desemprego toca a todos

Em Espanha, o basquetebol, como qualquer outro desporto profissional, é um negócio que movimenta muito dinheiro. O orçamento da FEB é de cerca de 45 milhões de euros mas, ao contrário do que acontece em Portugal, cerca de 90% dessa verba é proveniente do sector privado, o que lhes permite aumentar as actividades desportivas e os programas de promoção de carácter social.

Sabemos também que a Escola de Treinadores espanhola é por todos reconhecida por formar muitos e bons técnicos. Contudo, a crise também se faz sentir em Espanha e nesta área, pelo que não se estranha a estratégia da FEB, que procura mover todas as influências para colocar noutras paragens muitos dos treinadores que estão agora no desemprego.

Uma recente informação da FEB dava conta de 52 técnicos a trabalharem fora de Espanha, distribuídos por 32 países diferentes.

A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha…

Sempre defendi que podemos aprender muito com o nosso vizinho do lado na matéria do basquetebol, tentando adaptar o que fazem à nossa realidade.

O mesmo pensa João Freitas, ex-treinador do CAB, que numa atitude corajosa estagia no Real Madrid e tem sido bem recebido. Uma conclusão já tirou: a componente física é determinante. Quem não tem físico não pode jogar ao nível mais elevado. Assim, treinam o mesmo número de horas a parte física e a parte técnico-táctica, desde os Infantis. Muito do conhecimento agora adquirido pelo técnico madeirense tem de ser útil ao basquetebol nacional.

Não tenho também dúvidas de que a presença em Portugal do galego Moncho Lopez, actual treinador do FCPorto e ex seleccionador nacional, tem sido benéfica ao nosso basquetebol e à Associação do Porto em particular.

Tive alguma influência na presença em Clínics de Treinadores de Moncho Monsalve, Jenaro Diaz e Toni Carrillo e não me arrependo, dada a qualidade dos mesmos.

Contudo, corremos o risco de ser colonizados basquetebolisticamente falando se levarmos ao exagero essa ajuda. Assim não faz muito sentido promover Clínics só com espanhóis, relegando os treinadores portugueses para a bancada. É muito discutível também a contratação avulsa de técnicos espanhóis para a nossa prova principal, LPB. A ANTB (Associação de treinadores) já mostrou preocupação à FPB relativamente a esta matéria e não é muito difícil de evitar os erros actuais: basta adaptar o Protocolo da antiga LCB. A taxa de inscrição dos treinadores estrangeiros não pode ser simbólica e tem de ter valores em tudo semelhantes aos praticados nos países de origem. Da mesma forma faz sentido que quem quer treinar a este nível tenha de ter currículo de relevo e não pode ser permitida a mudança de Clube a meio da época, como de forma caricata já foi autorizada esta época.

Tal como recentemente afirmou o futebolista Cristiano Ronaldo, “devemos aprender, tal como fazem os espanhóis, a valorizar mais «o produto da casa» e não tanto os estrangeiros. Espanha tem uma cultura de que gosto, são um povo extrovertido e valorizam o que é deles, algo que devemos aprender em Portugal: não valorizar tanto os estrangeiros, mas sim ‘o produto da casa’”.

Foto de capa: Facebook da ACB- Asociacion de Clubes de Baloncesto

Mário Silva
Mário Silvahttp://www.bolanarede.pt
De jogador a treinador, o êxito foi uma constante. Se o Atletismo marcou o início da sua vida desportiva enquanto atleta, foi no Basquetebol que se destacou e ao qual entregou a sua vida, jogando em clubes como o Benfica, CIF – Clube Internacional de Futebol e Estrelas de Alvalade. Mas foi como treinador que se notabilizou, desde a época de 67/68 em que começou a ganhar títulos pelo que do desporto escolar até à Liga Profissional foi um passo. Treinou clubes como o Belenenses, Sporting, Imortal de Albufeira, CAB Madeira – Clube Amigos do Basquete, Seixal, Estrelas da Avenidada, Leiria Basket e Algés. Em Vila Franca de Xira fundou o Clube de Jovens Alves Redol, de quem é ainda hoje Presidente, tendo realizado um trabalho meritório e reconhecido na formação de centenas de jovens atletas, fazendo a ligação perfeita entre o desporto escolar e o desporto federado. De destacar ainda o papel de jornalista e comentador de televisão da modalidade na RTP, Eurosport, Sport TV, onde deu voz a várias edições de Jogos Olímpicos e da NBA. Entusiasmo, dedicação e resultados pautam o percurso profissional de Mário Silva.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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