Sporting CP 86-85 FC Porto: 39 anos depois, o Sporting CP é campeão nacional!

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A CRÓNICA: OS TRÊS PONTOS DA FINAL – VONTADE, ESPETÁCULO E DESCALABRO EMOCIONAL

Está descoberto o novo campeão nacional 2020-2021! 39 anos depois, os leões alcançaram o trono do basquetebol português e são os novos campeões nacionais, sucedendo à UD Oliveirense que havia conquistado os últimos dois campeonatos.

Numa partida que apruma (com muita polémica à mistura) o basquetebol, o Sporting CP venceu o FC Porto e ergueu o nono troféu de campeão nacional.

A ‘finalíssima’ principiou e terminou com o equilíbrio como nota dominante. Sporting CP e FC Porto entraram com vontade, e o nervosismo inicial rapidamente se dissipou com ambos os lados a corresponderem às expectativas, oferecendo uma «negra» com excelente qualidade.

A transição acabou por ser a marca prevalecente nos primeiros 10 minutos de jogo, com ambos os conjuntos a aproveitarem cada mílimetro de espaço oferecido no campo para atacar o cesto. Sob constantes cambalhotas no marcador, o primeiro quarto terminou com uma vantagem ligeira para o Sporting CP de 22-20.

No segundo quarto, com muitos ajustes e heterogeneidade de estratégias, o FC Porto foi quem entrou melhor e, sob o leme de Gordon e Nevels, cravou uma vantagem de 25-33, que consequentemente obrigou a mudanças no lado leonino. Isto, de salientar, num período onde Moncho López decidiu entrar em constante mutações na forma de defender o 5×5 leonino, com a adoção de uma zona 2-3 que constrangeu (muito) as isolações dos homens do Sporting CP.

Numa espécie de resposta ao técnico espanhol, Luís Magalhães também tirou um ‘coelho da cartola’, e com Fields em bom plano conseguiu, através de um box and one, impedir os lançamentos dos principais protagonistas azuis e brancos. O equilíbrio voltou a ser a nota principal da partida, e o jogo foi para os balneários com uma ligeira supremacia leonina (51-47).

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

A saída dos balneários trouxe um Sporting CP aguerrido, e com o passar dos minutos o espetáculo tornava-se melhor, mais intenso e, acima de tudo, mais agressivo. A equipa comandada por Luís Magalhães foi quem entrou melhor, mas Gordon e Nevels apresentavam-se inconformados e mantinham o FC Porto bem colado no marcador. No final do terceiro quarto os leões sorriam com uma vantagem de cinco pontos (68-63).

Os últimos 10 minutos de jogo (e de toda a temporada) não desiludiram. Que final! Bem, foi taco a taco…Triplo de um lado, triplo do outro, luta de um lado, luta do outro, foi assim até ao último segundo. E para além de todo o espetáculo, sentia-se as emoções a «correrem» no sangue de todos os intervenientes. Ora, já perto do fim, com tudo empatado (85-85), Micah Downs sofreu uma falta, que colocou os dragões desesperados com Moncho López a perder a cabeça, queixando-se de uma falta sobre Nevels.

Por fim, o cenário do primeiro jogo da final repetiu-se, desta feita com três lances livres favoráveis para o norte americano, que faturou um ponto e deu uma ajuda fundamental para levar o Sporting CP ao topo do basquetebol português, 39 temporadas depois.

 

 

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Espetáculo dentro de campo – Costuma-se dizer: ‘o melhor fica para o fim’, e assim foi, com um autêntico ‘jogaço’ de ambas equipas. Individualmente, Nevels foi absolutamente fantástico do lado azul e branco, executando 29 pontos, sendo que, defensivamente apagou por completo Elissor. Do lado leonino, Travante e Micah Downs voltaram a ser figuras preponderantes com uma soma conjunta de 37 pontos.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Final da partida – O desporto provoca, por inúmeras vezes, reações indesejadas em todos os intervenientes. A felicidade de uns é a tristeza/desilusão de outros, e Moncho López e os seus jogadores – após a última decisão dos árbitros – foram o espelho de como não reagir depois de uma derrota. Exemplo maior foi a danificação que o troféu sofreu, depois de Nevels o ter atirado ao chão com a «cabeça a fervilhar», enfim, um final de campeonato muito aquém depois de um jogo incrível dentro das quatro linhas.

 

ANÁLISE TÁTICA- SPORTING CP

A equipa comandada por Luís Magalhães alinhou com Shakir Smith no cinco inicial em detrimento de Ventura, e explorou ao máximo as situações de 1×1 e 2×2. Simples de processos (como usual) a equipa do Sporting CP potenciou sempre os exteriores, sendo que, quando Elissor ou Travante não estavam com a confiança habitual, Micah Downs estava sempre disposto a assumir as rédeas, quer do ponto de vista do lançamento, quer do passe.

Defensivamente, a turma de Lisboa variou numa defesa marcação individual a campo todo, com um box and one, de forma esporádica todavia.

 

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Shakir Smith (5)

Travante Williams (8)

Elissor (3)

Fields (7)

Micah Downs (8)

 

SUBS UTILIZADOS

João Fernandes (8)

Diogo Ventura (6)

Pedro Catarino (5)

Fonseca (4)

 

ANÁLISE TÁTICA- FC PORTO

A equipa orientada por Moncho López alinhou com dois postes – Miguel Queiroz e Eric Anderson Jr – dois extremos e o base Tinsley. Após alguma desorientação preambular com as marcações individuais e sem grandes frutos nas tabelas, o técnico espanhol fez entrar Riley para o lugar de Queiroz e voltou a priveligiar o jogo exterior.

Ofensivamente foi com Tinsley a comandar ‘as tropas’ que os dragões alavancavam os pontos. Do ponto de vista dos triplos os dragões apresentaram grande confiança para atirar, e tal procura era acentuada com muita precisão por parte de Soares (essencialmente do zero graus), mas também por Nevels (muito consistente).

Defensivamente, a equipa portista – à semelhança dos leões – variou muito, mas ofereceu primazia à marcação individual a campo todo. Ainda assim, a defesa zona 2-3 prevaleceu durante alguns minutos da partida.

 

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Miguel Queiroz (7)

Bradley Tinsley (6)

Larry Gordon (7)

Garrett Nevels (9)

Eric Anderson Jr (5)

 

SUBS UTILIZADOS

Jalen Riley (7)

João Soares (8)

Voytso (5)

Foto de capa: FPB

Diogo Silva
Diogo Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu, e de se apaixonar pelo basquetebol assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fez o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.

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