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A dinastia que nunca existiu: O colapso dos Orlando Magic dos anos 90 #2

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CAPÍTULO 3: A DUPLA O’NEAL + HARDAWAY E AS FINAIS DE 1995

Em 1993, os Magic foram abençoados com a maior das dádivas possíveis. À entrada para o Draft desse ano com a pior chance de assegurar a escolha número 1, Orlando recebeu um autêntico milagre e ganhou a loteria.

A magia estava no ar e o gigante mais dominante da sua geração iria receber um futuro All-Star como companheiro de equipa. Com a primeira escolha do Draft de 1993, os Magic selecionaram o cobiçado power-forward Chris Webber, mas trocaram os seus direitos pelo base de 2.01 m, Penny Hardaway, o complemento perfeito para Shaquille O’Neal, escolhido pelos Golden State Warriors na terceira posição.

Orlando não poderia estar mais entusiasmado com este negócio, uma vez que não só conseguiram o jogador que queriam, como também arrecadaram mais três escolhas de primeira ronda nas próximas edições do Draft. A dupla Shaq e Penny atraiu imediatamente comparações com a parceria Kareem e Magic, um pivot imparável e um base com uma capacidade de passe e drible fora do normal para atletas da sua altura.

Com esses dois craques, Nick Anderson, Dennis Scott e as escolhas adicionais do Draft, Orlando estava pronto para um futuro risonho que chegou mais depressa do que o esperado. Pouco antes da temporada 1993-94, o mundo da NBA foi abalado por um dos anúncios mais surpreendentes da história do desporto mundial. Michael Jordan, a grande figura da liga, anunciou a sua retirada do basquetebol profissional aos 30 anos, depois de três títulos consecutivos da NBA. De repente, a Conferência Este e o título da NBA estavam ao alcance.

Na sua segunda temporada na NBA, O’Neal melhorou o seu jogo ofensivo e apresentou médias de 29.4 pontos por jogo (o segundo melhor da temporada, atrás apenas de David Robinson, dos San Antonio Spurs) e liderou a liga em aproveitamento de lançamentos de campo, com 59.9%. Foi, simultaneamente, o segundo melhor ressaltador da temporada, com 1 072 ressaltos (13.2 ressaltos por jogo) e o quarto melhor em desarmes de lançamento, com 231 — o sexto em desarmes por jogo, com 2.9.

Foi nesta mesma temporada que O’Neal registou o primeiro triplo-duplo da sua carreira: a 20 de novembro de 1993, em partida contra o New Jersey Nets, Shaq marcou 24 pontos, pegou 28 ressaltos e registou 15 desarmes! Como resultado, Shaq disputou novamente o Jogo das Estrelas e também foi incluído na Terceira Melhor Equipa da NBA.

Já Penny Hardway começou a temporada na posição de shooting guard, ao mesmo tempo que aprendia as funções da posição de base com o veterano Scott Skiles. A meio da época, Penny assumiu as funções de base titular e imediatamente causou impacto na liga, conquistando o prémio de MVP no primeiro Schick Rookie Game.

Hardaway teve uma média de 16 pontos, 6.6 assistências e 5.4 rebotes por jogo, enquanto que os seus 190 roubos de bola foram a 6ª melhor marca da liga nessa categoria. O seu primeiro triplo-duplo da carreira ocorreu a 15 de abril, quando regitou 14 pontos, 12 assistências e 11 ressaltos contra os Boston Celtics. Pelos seus esforços, o jovem base foi nomeado para o primeira equipa All-Rookie da NBA e foi o vice-campeão do prémio de Novato do Ano, atribuído a Chris Webber.

Para complementar esta incrível dupla, Nick Anderson teve uma média de 16 pontos com 5 ressaltos, Dennis Scott marcou 13 e Scott Skiles registou 10 pontos e 6 assistências. O cinco titular composto por  Skiles, Hardaway, Anderson, Scott, O’Neal foi um dos melhores da liga numa era cheia de talento.

Orlando foi o 6º conjunto com mais pontos marcados em pontuação, a 2ª melhor equipa em lançamentos de três pontos e 3º classificado em percentagem de lançamentos. Emocionantes e eficazes, os Magic venceram 50 jogos e terminaram na 4ª posição da Conferência Este.

Pela primeira vez na sua história, Orlando iria disputar os playoffs da NBA. Durante a fase a eliminar, O’Neal teve médias de 20.3 pontos e 13.3 ressaltos por jogo, mas os Magic foram “varridos” pelos Indiana Pacers e perderam a série por 4-0. A temporada foi um grande passo na direção certa para Orlando, mas claramente precisavam de mais uma peça.

Eles tinham o talento, mas eram incrivelmente jovens. Shaq tinha 21 anos, Penny 22, Anderson 26 e Scott 25. Todos os quatro não tinham experiência nos playoffs, um problema evidente na série contra Indiana.

Entra em ação Horace Grant. Tricampeão da NBA, vindo de uma temporada em que foi All-Star, o imponente extremo-pivot foi o uso perfeito do orçamento restante de Orlando. Para poupar dinheiro, os Magic enviaram Scott Skiles e uma escolha de primeira ronda para Washington por um crónico suplente.

Com a presença de Grant na temporada 1994-95, a equipa sensação da NBA venceu 57 partidas. Shaq teve médias de 29 pontos e 11 ressaltos e Penny foi escolhido pela primeira vez para o Jogo das Estrelas com uma estatística de 21 pontos, 4 ressaltos e 7 assistências. Grant contribuiu com 13 pontos e 10 ressaltos, Anderson com 16 pontos, 4 ressaltos e 4 assistências, e Scott marcou 13.

Aos 22 anos, Shaq foi o melhor marcador da NBA e terminou em 2º na votação para o prémio de MVP . Os Magic terminaram em 1º na NBA em pontos e assistências, e foram para os playoffs na 1ª posição da Conferência Este, prontos para chegarem longe nas eliminatórias.

Em março de 1995, faltando menos de um mês para os playoffs, um obstáculo foi lançado na temporada mágica de Orlando. A direção da NBA recebeu um fax. Tinha duas palavras. “Estou de volta”. Michael Jordan estava de regresso ao basquetebol, pronto para dar mais um título aos Bulls.

Na segunda ronda das eliminatórias, Orlando enfrentou Chicago. MJ tinha participado em apenas 17 jogos da temporada regular, mas na primeira ronda relembrou o mundo da sua perícia, com uma média de 32.3 pontos, 6.5 rebotes e 5.8 assistências.

Mas nem mesmo o melhor do mundo foi capaz de impedir a ascensão meteórica de Orlando. Shaq terminou a série com médias de 24 pontos e 13 assistências, Penny com 19 pontos e 8 assistências, 18 pontos e 11 ressaltos para Grant e 15 pontos por jogo para Anderson e Scott. Jordan teve médias de 31 pontos e 7 assistências ao longo da série, com 47% de aproveitamento de lançamentos de campo, mas os Bulls não estavam prontos para esta nova super-potência do Este.

Foi a primeira eliminação de Jordan nos playoffs desde a temporada 1989-90, e seria a última com a camisola dos Bulls.

O’Neal e Hardaway deram continuidade ao bom momento e conquistaram o título da Conferência Este ao derrotar os Indiana Pacers de Reggie Miller por 4-3. Shaq foi o grande destaque, com médias de 25.7 pontos em 57.7% de aproveitamento de lançamentos de campo, 11.9 ressaltos e 1.9 desarmes de lançamento por jogo.

Este grande desempenho conduziu Orlando à primeira final da NBA da sua história, contra os Houston Rockets (campeão no ano anterior). Uma Organização com apenas 6 anos de existência já no maior palco da liga norte-americana de basquetebol. Quer fosse devido ao ótimo trabalho de uma direção competente ou uma sorte incrível no Draft, quem pode realmente dizer.

Na sua primeira presença nas finais da NBA, O’Neal teve médias de 28 pontos com 59.5% de aproveitamento, 12.5 ressaltos e 6.3 assistências por jogo. Hardaway também impressionou com uma média de 25.5 pontos, 4.8 rebotes e 8 assistências na série.

Mas os Magic acabariam por perder categoricamente a série por 4-0. Na memória dos adeptos de Orlando, ficará para sempre marcado o desfecho angustiante do primeiro encontro.

Houston foi forçado a cometer falta com 11 segundos de jogo restantes, colocando Nick Anderson na  linha com uma vantagem de três pontos. Tudo o que primeiro novato da história dos Magic  tinha que fazer era acertar um para deixar a partida à distância de duas posses de bola.

O primeiro lance livre de Anderson não foi bom. Agora o extremo tinha que fazer o segundo… mas errou novamente. Por sorte, o ressalto caiu nas mãos de Nick, que foi foi derrubado mais uma vez, faltando somente 7 segundos para o fim do jogo.

Outra chance. Tudo o que tem a fazer é acertar um. Anderson erra o primeiro lance livre. São três seguidos. Com uma última oportunidade de acabar com as esperanças adversárias, Anderson posiciona-se novamente, lança e … outro «tijolo». 0 lançamentos concretizados em 4 tentativas.

Desconto de tempo para Houston, e Kenny “The Jet” Smith acerta um buzzer beater da linha dos três pontos para mandar o jogo para prolongamento, onde os Rockets venceriam por 120–118.

Nick Anderson tinha uma taxa de aproveitamento de 70% da linha de lance livre naquela temporada. Não era característico dele errar quatro lances livres seguidos. Quão irónico que o primeiro jogador que Orlando selecionou seja aquele a comprometer a sua primeira aparição nas finais.

Estudante na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Procura realizar um percurso profissional dedicado sobretudo ao desporto nacional e internacional, através do jornalismo. O seu objetivo principal é tornar o jornalismo desportivo em Portugal o mais imparcial e prático possível, apresentando ao mesmo tempo uma personalidade com a qual a audiência possa identificar-se. Tem como interesses de destaque o futebol, o basquetebol e o wrestling.

Estudante na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Procura realizar um percurso profissional dedicado sobretudo ao desporto nacional e internacional, através do jornalismo. O seu objetivo principal é tornar o jornalismo desportivo em Portugal o mais imparcial e prático possível, apresentando ao mesmo tempo uma personalidade com a qual a audiência possa identificar-se. Tem como interesses de destaque o futebol, o basquetebol e o wrestling.

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