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A dinastia que nunca existiu: O colapso dos Orlando Magic dos anos 90 #3

Diogo Valente Vieira · 5 min

Foto: NBA

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CAPÍTULO 5: UMA ESTRELA SOLITÁRIA

A saída de O’Neal para os Los Angeles Lakers deixou Hardaway como a estrela solitária dos Magic em 1996-97. Hardaway enfrentou uma temporada cheia de lesões, mas ainda conseguiu ser nomeado titular pela terceira vez consecutiva para o All-Star Game da NBA.

Durante a temporada, Hardaway, sendo o líder da equipa, liderou uma revolta para demitir o então técnico Brian Hill, com apenas 33 jogos restantes para o fim da época. Em 59 jogos da temporada regular, Penny teve uma média de 20.5 pontos, 5.6 assistências, 4.5 ressaltos e 1.6 roubos de bola por jogo e foi nomeado para a All-NBA Third Team.

Os Magic conseguiram chegar aos playoffs com um recorde de 45 vitórias, mas acabariam derrotados pelos Miami Heat, treinados por Pat Riley, na primeira ronda. Hardaway terminou os playoffs com médias de 31 pontos, 6 ressaltos, 3.4 assistências, 2.4 roubos de bola e 1.4 desarmes por jogo. A sua média de pontuação nos playoffs terminou em segundo lugar, apenas atrás de Michael Jordan (31.1).

Uma lesão devastadora no joelho esquerdo, contraída no início da 1997-98, exigiu cirurgia e forçou Hardaway a perder a maior parte da época. Apesar da lesão, o base foi eleito para o All-Star Game da NBA pelo quarto ano consecutivo.

Por fim, a época 1998–99 viria a ser a última de relevo para Penny e, simultaneamente, a sua última estadia em Orlando. Hardaway regressou durante a temporada de 1999, encurtada pelo lockout, e conseguiu jogar em todos os 50 jogos da época regular para conduzir os Magic ao melhor recorde da Conferência Este.

Penny obteve uma média de 15.8 pontos, 5.7 ressaltos e 5.3 assistências, e os seus 111 roubos de bola  colocaram-na em 5º lugar na categoria. Contudo, a excelência individual do base não foi suficiente e Orlando então perdeu na primeira ronda das eliminatórias para os Philadelphia 76ers, na qual Hardaway teve uma média de 19 pontos, 5.5 assistências, 5 ressaltos e 2.3 roubos de bola.

No verão de 1999, a pedido da estrela dos Phoenix Suns, Jason Kidd, Hardaway foi trocado por Danny Manning, Pat Garrity e duas futuras escolhas de Draft de primeira ronda.

Em 369 jogos de temporada regular com os Magic, Hardaway teve uma média de 19 pontos, 6.3 assistências, 4.7 ressaltos e 1.9 roubos de bola por jogo. Em 45 jogos de playoffs, teve uma média de 21.8 pontos, 6.5 assistências, 4.9 ressaltos e 1.9 roubos de bola. Números sólidos, mas que Penny nunca mais viria a igualar durante o resto da sua carreira, constantemente condicionada pelas lesões no joelho.

CAPÍTULO 6: O COLAPSO

Anteriormente reconhecidos como uma das melhores organizações da NBA e amplamente considerados pela sua abordagem calculada na construção de uma equipa de elite, os Magic de repente pareciam desesperados em tentar qualquer coisa que pudesse ajudá-los a alcançar a grandeza que lhes havia sido privada após a saída de Shaq.

Após múltiplas escolhas sortudas no Draft, Orlando começou a recorrer à free agency para atrair alguns dos melhores jogadores da NBA, mas essa abordagem produziu resultados mistos. Depois de tentar, sem sucesso, convencer Tim Duncan a deixar San Antonio, os Magic apostaram tudo ao trazer Grant Hill e Tracy McGrady (T-Mac) para Orlando.

Infelizmente, em vez de títulos, as contratações trouxeram mágoas e dores de cabeça para a franquia. Um dos jogadores mais populares da liga, esperava-se que Hill fosse a próxima grande estrela de Orlando, mas as lesões impediram os fãs dos Magic de vê-lo na sua melhor forma. Uma lesão na perna sofrida antes de sua chegada a Orlando limitou Hill a apenas 200 jogos (de 492 possíveis) em seis temporadas com os Magic.

Por sua vez, o desempenho de McGrady foi eletrizante, conquistando dois títulos de melhor marcador da liga, com uma média de mais de 28 pontos por jogo. No entanto, quando o seu contrato de quatro anos com terminou após a temporada 2003-2004, T-Mac encontrava-se numa situação idêntica à de Penny Hardway, sem nunca ter conseguido passar da primeira ronda dos playoffs.

O maior problema dos Magic depois da saída de Shaq, foi o facto de terem resultados bons o suficiente a cada temporada para a direção acreditar que só precisavam de “mais um elemento” para levá-los de volta ao estatuto de elite.

Nas primeiras sete temporadas na era pós-Shaq, so Magic nunca teviram um recorde negativo e chegaram aos playoffs cinco vezes. No entanto, também nunca venceram mais de 45 jogos num ano e nunca venceram uma série de playoffs.

Por outras palavras, Orlando estava preso num ciclo de mediocridade. No que diz respeito a uma organização desportiva, o pior resultado possível é ter sucesso suficiente para que se tenha medo de fazer algo dramaticamente diferente e que possa fazer com que desapareça.

Muitas vezes, é preciso chegar ao fundo do poço para reconhecer que as coisas não estão a funcionar e que é essencial fazer mudanças significativas para ter resultados diferentes. Para os Orlando Magic, o fundo do poço veio durante a época 2003-2004.

Depois de vencer o jogo de abertura no prolongamento, os Magic perderam 19 jogos consecutivos, terminando a temporada com um recorde de 21 vitórias e 61 derrotas. A primeira temporada prejudicial da equipa desde 1992, ainda antes da chegada de Shaq.

Um momento precário para a outrora orgulhosa organização. Embora as consequências da perda de Shaq tenham sido inicialmente mínimas, a cada subsequente passo em falso a relação entre os Magic e os fãs leais de Orlando parecia ficar mais ténue. Uma relação que só viria a ser restaurada graças a Dwight Howard e à equipa que chegou às finais de 2009.

Foto de Capa:

Diogo Valente Vieira

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