A trade deadline dos Dallas Mavericks | NBA

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    A equipa de Dallas foi uma das inúmeras organizações da NBA que mexeu no seu plantel no dia da trade deadline. Uma das trocas trouxe para a equipa de Texas o antigo extremo dos Charlotte Hornets, P.J Washington e duas picks de segunda ronda (2024 e 2028). No sentido inverso, Dallas enviou Grant Wiliiams, Seth Curry e uma pick de primeira ronda de 2027, que será protegida caso calhe em uma das duas primeiras escolhas. A outra troca enviou Richaun Holmes e uma pick de primeira ronda de 2024 para os Washington Wizards. Os Dallas, por sua vez, receberam Daniel Gafford.

    Em termos de preencher parte das lacunas, penso que foi bem conseguido, dentro do possível. Os Mavs precisavam, claramente, de um extremo para o cinco inicial e de um poste para dividir minutos com Derick Lively II.

    P.J Washington era um nome que já circulava nos rumores para Dallas desde o verão. Não é segredo que a primeira opção de extremo para os Mavs nesta trade deadline era a estrela dos Wizards, Kyle Kuzma. Sabe-se, inclusive, que houve negociações até ao último dia. Não havendo a possibilidade de trazer Kuzma, a equipa de Texas acabou por resgatar Gafford.

    Eu, honestamente, acho que o preço a pagar pelo P.J foi mais alto do que esperava. No entanto, estamos a falar de um puro marcador de pontos. No passado dia 28 de janeiro ao serviço dos Hornets, P.J Washington apontou 43 pontos com 77% de FG e 77% de três pontos. Ou seja, a capacidade de pontuar está lá. Porém, apesar de P.J não conseguir ser consistente nas suas percentagens, consegue não fugir muito àquilo que fez em anos passados.

    Em termos defensivos, consegue trazer aspetos bastante positivos para o jogo de Dallas. É muito bom em ressaltos, o que vem ajudar na escassez de ressaltos da equipa. Na defesa propriamente dita, consegue também ser competente. Fez um grande trabalho a defender Wembanyama na vitória dos Mavs frente aos Spurs por 116-93. Não é o líder defensivo que Grant Williams era, mas não deixa de ser um encaixe interessante.

    P.J já vestiu a camisola dos Mavericks por três vezes, nas vitórias frente a OKC, Wizards e Spurs. O seu melhor jogo foi o primeiro, frente a OKC, onde registou 14 pontos e 5 ressaltos com 60% de FG. Uma primeira amostra bastante sólida. Nos dois jogos seguintes, as suas performances decaíram: frente aos Wizards apontou 9 pontos com 36% de FG e contra os Spurs fez apenas 3 pontos com 17% de FG. Acredito que esteja, ainda, a habituar-se à maneira de jogar dos Mavericks. A minha maior preocupação é a bola de três pontos, onde P.J está com apenas 32%. Ele nunca foi propriamente um bom atirador. No entanto, é preciso lembrar que agora ele vai jogar ao lado de Luka. O que não vai faltar são tiros abertos. Por isso, não me admirava nada que as suas percentagens começassem a subir.

    Do outro lado, Daniel Gafford tem excedido as expectativas. Confesso que era um jogador do qual eu não conhecia. Quando a troca aconteceu, limitei-me a ir analisar os seus números. Percebi rapidamente que poderia ser uma boa aquisição. Porém, ver ao vivo e a cores torna numa aposta muito mais acertada.

    Os Mavericks precisavam claramente de um poste para a rotação. Na atual ausência de Derick Lively II, Maxi Kleber foi o escolhido para poste titular e Powell acabava por ter mais minutos. São dois jogadores que, a meu ver, não podem ter tantos minutos como andavam a ter. Principalmente o Maxi Kleber, que andava a jogar numa posição que não é a dele e obrigava a equipa a jogar de uma maneira diferente. Para além destes dois, Richaun Holmes claramente não contava para as escolhas de Jason Kid.

    Deste modo, tornava-se claro a necessidade de adquirir mais um poste com quem possam realmente contar. Depois de pesquisar, facilmente percebi que Gafford seria um ótimo companheiro para o Luka Doncic no pick and roll. Apesar de ser um poste mais baixo, tem uma maneira de jogar muito idêntica à de Lively, o que facilita o trabalho a todos à sua volta. É um dos jogadores mais eficientes da NBA. E, ao que tudo indica, continuará a ser.

    Analisando os seus três jogos pelos Mavs, não é de estranhar que os seus adeptos estejam já de água na boca. Em três jogos já conta com duas partidas onde registou um duplo-duplo, sendo que que a única vez que não conseguiu ficou apenas a um ressalto. No jogo frente a OKC fez 19 pontos e nove ressaltos. Na partida frente à sua antiga equipa, Wizards, anotou 16 pontos, 17 ressaltos e cinco desarmes de lançamento. No último jogo frente aos Spurs anotou dez pontos e dez ressaltos.

    Os números falam por si. Gafford é um jogador que encaixa perfeitamente naquilo que Dallas precisava: ofensivamente eficiente, agressivo e bom encaixe com Luka, e defensivamente um autêntico protetor do aro e excelente nos ressaltos. Tenho dúvidas sobre se Daniel Gafford será ou não titular. Por um lado, faz sentido que os Mavs continuem a apostar no Lively, que tem cumprindo e mostra ser um talento muito promissor. Porém, de outro lado, faz também sentido que Dallas prefira Gafford, que tem mais experiência e mostra também grandes capacidades. Esta será uma daquelas boas dores de cabeça que Jason Kid terá de resolver.

    Fico com pena de jogadores como Seth Curry e Grant Williams não se terem conseguido afirmar nos Mavs. Grant prometeu muito e até começou bastante bem, mas depois entrou numa fase negativa de onde não conseguiu sair. Seth, por sua vez, nunca pareceu fazer parte das contas de Jason Kid. É um dos melhores atiradores da liga, mas parece que nunca conseguiu se afirmar em nenhuma equipa. Até à data, estão os dois a dar cartas em Charlotte. São dois jogadores que vou continuar a torcer para que sejam bem-sucedidos.

    Em suma, os Dallas Mavericks conseguiram concertar algumas das suas lacunas nesta trade deadline. E, mais importante, conseguiram não abdicar de jogadores chave. Falo de Josh Green e Jaden Hardy, que fazem claramente parte do futuro desta equipa. E falo, ainda, de Tim Hardaway Jr, que tem feito uma das suas melhores épocas da carreira, mesmo estando a vir do banco. Ou seja, os Mavs conseguiram acrescentar qualidade sem perder jogadores que são claramente “moedas de troca” apetecíveis para qualquer equipa.

    O futuro da equipa é difícil de prever. Como disse, acredito que acrescentaram qualidade e não o inverso. Porém, a Conferência Oeste está cada vez mais competitiva. Apesar de haver uma melhoria, é preciso também ver que os seus adversários diretos não ficaram mais fracos. Da maneira que isto está, acredito que possam classificar-se para os playoffs de forma direta. No entanto, mais do que 6º ou 5º lugar não acredito que consigam. Espero estar enganado, mas terei de esperar para ver como será o resto da regular season depois do All-Star break.

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    Tiago Figueiredo Rosário
    Tiago Figueiredo Rosário
    Tiago Rosário é licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Atualmente é, ainda, aluno na Pós-graduação em Jornalismo Desportivo, também na ESCS. Foi no Jornalismo que encontrou o espaço para se manter ligado a algo que o apaixona tanto: o desporto. No Bola na Rede, Tiago tem a liberdade e o à vontade para escrever/falar sobre qualquer tema de qualquer desporto.