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Deve ser do nome | Jordan Poole

Diogo Silva · 4 min

Foto: NBA

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O título sublinha que «deve ser do nome» (Jordan), mas este apenas serve de epíteto para dizer que Jordan Poole é, de facto, um excelente jogador de basquetebol, sendo que, para quem não conhece Poole, este nada tem haver com Michael Jordan.

Dizer que será «um novo Jordan» é exagerado, até pelas divergências em termos de características entre ambos os atletas, mas e um «novo Curry»? Não sou eu que o digo, mas sim Klay Thompson que aponta Jordan como um ‘baby Steph Curry’. Esta alcunha sim descreve um pouco melhor Poole, pelo que a sua forma de jogar está, hoje em dia, muito moldada em torno daquilo onde Stephen Curry também é bom.

Com bola dribla como poucos, quer em espaços curtos, quer na passada longa e, mais do que isso, tem um jogo de corpo tremendo que se tornou famoso no seu arsenal ofensivo. Em adição, o seu lançamento mecanizou, está mais fluído e seja a criar o seu tiro após o drible ou a procurar o lançamento sem bola – através de bloqueios e pin downs – apresenta-se como um jogador formidável.

Está super completo do ponto de vista ofensivo para um base, e ainda revela uma confiança imensurável para um jovem que está apenas a realizar a sua terceira temporada como profissional! É jogador para pegar nos holofotes e nunca para se esconder dos mesmos.

Mas mais do que falar nas suas características importa patentear a estreia brilhante que está a operar nos playoffs sendo que os números não enganam: são 22.7 pontos, 6.0 assistências e 3.3 ressaltos em seis jogos na fase decisiva da NBA, com vários recordes notórios para sublinhar.

Somou 86 pontos nos primeiros três jogos dos playoffs ficando apenas atrás de Chamberlain no ranking de Warriors com mais pontos em estreia nos playoffs. Para ter noção do impacto de Poole, Michael Jordan executou 88 pontos nos seus primeiros três jogos nos playoffs.

Em segundo lugar, Jordan Poole juntou-se a uma lista de apenas oito jogadores que fizeram pelo menos 30 pontos, 5 ressaltos e 5 assistências a saltar do banco (lista que também inclui Curry) e juntou-se ainda à lista que o coloca como apenas o quinto jogador na história do franchise a realizar 30 pontos a saltar do banco.

Mas como é que Poole chegou até aqui? O sucesso foi imediato?

A ESCALADA PARA O SUCESSO

Fonte: NBA

Até ser reconhecido como o «Baby Stephen Curry» muito aconteceu. Desde a experiência na G League até ser a arma secreta destes Warriors Poole muito trabalhou para conquistar a confiança de Kerr.

Aterrou em S. Francisco ainda muito jovem, contudo, cedo se revelou um dos mais expeditos, um dos mais destemidos com bola e, acima tudo, um dos mais confiantes no momento de atirar ao cesto. Não obstante, confesso, sempre tive alguns cepticismos aquando avaliava o talento de Poole. Os recursos estavam lá, mas em termos mentais não parecia que iria conseguir manter uma consistência que lhe permitisse atingir o nível que está a ter atualmente.

Basta recordar a temporada sabática dos Warriors (2019/2020) onde Poole assumiu uma espécie de protagonismo anárquico, resultando num ano de números interessantes (para um rookie), porém com exibições exageradamente individualistas e despreocupadas com o sucesso coletivo.

No momento, o que me saltou à vista é que este tipo de jogadores raramente encaixam com superestrelas ao seu lado, principalmente sob o leme de Steve Kerr, porém, as estrelas dos Warriors (Curry,Thompson, Wiggins, Green) mais do que serem estrelas individuais são estrelas coletivas, ou seja, jogadores que pensam muito mais no resultado final do que na folha estatística.

Dito isto, Poole foi-se moldando através dos métodos de Kerr, ganhando minutos importantes na equipa secundária de Golden State e, rapidamente, subiu para patamares de excelência. Aliás, subiu tão rápido o nível que esteve na discussão para o prémio de MIP (Most Improved Player).

Alicerçou-se o jogador tecnicamente forte ao jogador destemido, inteligente e eficaz, ao passo que se Poole manter este nível, senhoras e senhores, temos jogador para marcar um franchise.

Foto de Capa: NBA

Diogo Silva

Redação Bola na Rede · ver artigos