LeBron James manda mais do que o treinador

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cab nbaA eliminatória entre os Cleveland Cavaliers e os Chicago Bulls, meia-final da Eastern Conference da NBA, está decidida: num confronto equilibrado, a exemplo do que se passa em todos os outros confrontos nas duas Conferências, os Cleveland superiorizaram-se a Chicago no jogo 6 e LeBron James garantiu presença na quinta final de conferência consecutiva.

Mas é do jogo 4 que vos venho falar: decidido nos últimos segundos, teve um acumular de erros dos jogadores e treinador decisivos no desfecho da partida. Protagonistas, Lebron James e David Blatt – com as suas opções, relançaram os Cleveland na prova. A 9,4 segundos do final, Derrick Rose (Bulls) empatou o jogo a 84 pontos e imediatamente o Coach Blatt entrou pelo campo a fazer o sinal de desconto de tempo. Valeu-lhe a intervenção do seu adjunto, Tyronn Lue, que o empurrou para fora do campo, impedindo assim que os árbitros vissem o gesto. Os Cleveland já não podiam pedir mais descontos de tempo, os árbitros sabiam que nenhuma das equipas tinha mais descontos de tempo e estavam focados no campo. Se estivessem mais atentos, os Cavs seriam punidos com uma falta técnica de que resultaria um lance livre, a posse de bola para os Bulls e uma mais que provável derrota.

“Obviamente todos sabíamos que já não tínhamos mais descontos de tempo e que se o fizéssemos seríamos penalizados. Mas somos uma equipa, os jogadores cometem erros e os treinadores também, por isso temos de nos ajudar uns aos outros. O Lue fez bem em esconder o nosso treinador. Eu faço o mesmo no campo”, disse LeBron James.

Na jogada final, reposição da bola na linha final ofensiva, os Cavs realizaram com sucesso uma jogada muito simples: o base Matthew Dellavedov repôs a bola, James fintou, ganhou espaço, recebeu e lançou com sucesso no canto.

Blatt, quando questionado sobre a última jogada, disse: “Sim, nós queríamos que James recebesse no canto. Foi uma grande jogada“.

Opinião diferente tinha LeBron James: “Para ser honesto eu risquei a jogada que o treinador desenhou e disse para me passarem a bola. É simples, ou ganhamos ou vamos a prolongamento. Eu não reponho a bola, a menos que possa lançar fora do campo. Coloquem alguém a repor, passem-me a bola e saiam da frente.”

A opção de Blatt de colocar o melhor lançador a repor a bola para posteriormente lançar não é nova, tem lógica e tem resultado muitas vezes. “Ele é grande e é o melhor passador da equipa“, explicou o técnico, que tem sido muito criticado mas não se considera incompetente e encontra explicações para as divergências: “errei, mas um treinador tem de tomar entre 150 a 200 decisões críticas no jogo. Felizmente acabou tudo bem.”

A decisão de LeBron foi a melhor. Ele sabia como estava a ser defendido e para onde queria a bola. Depois de receber marcou um grande cesto. Algumas vezes temos de seguir com os jogadores porque acreditamos neles.

Quem manda na equipa; a estrela ou o jogador? Fonte: Tony Dejak/AP
Quem manda na equipa; a estrela ou o jogador?
Fonte: Tony Dejak/AP

“Só se me pagarem mais um dólar”

Para quem tem seguido a época dos Cavs, estas atitudes não surpreendem. Ao longo do campeonato LeBron tem estado constantemente em oposição ao treinador, marcando claramente a sua posição de líder da equipa de forma independente e contrariando sistematicamente as opções do treinador.

Os exemplos dos desencontros são mais que muitos:

• LeBron e Blatt só se reuniram seis semanas após assinarem contrato;

• A equipa abandonou o ataque “Princeton”, que Blatt queria instalar no início da época. Agora LeBron chama as jogadas e o treinador avisa o resto da equipa.

• Com dois meses decorridos, LeBron decidiu que iria jogar a base (“point guard”). Quando lhe perguntaram se Blat sabia da alteração, disse “Não, eu é que decido.”

• No primeiro treino da época, LeBron parou o mesmo e promoveu uma reunião de 30 minutos, onde disse o que esperava de todos os companheiros…

• Depois de terem perdido com os Knicks, Blatt criticou a equipa pela forma como tinham jogado. Uns dias depois, LeBron disse: “eu acho que a conversa é estimulante mas é exagerada.”

• No terceiro jogo da época, LeBron, a dada altura, desistiu de jogar e desinteressou-se do jogo contra os Portland Trail Blazers. Depois dele, os comentadores disseram que ele tinha feito de propósito para dar uma lição aos colegas.

• Em Janeiro, o treinador adjunto Tyronn Lue pediu descontos de tempo nas costas de Blatt, e os jogadores só olhavam para ele…

 

LeBron não tem boa opinião de Blatt, que considera um treinador rookie, o que desagrada bastante o técnico que durante muitos anos foi figura destacada na Europa.

”A minha equipa respeita-me e entende as minhas decisões. A minha relação com o treinador tem altos e baixos, estamos a aprender a viver em conjunto”.

Será Blatt o treinador ideal para James? A dúvida só será desfeita no final. Uma coisa é certa: a vida de treinador na NBA não é fácil e razão tinha o mítico treinador Boby Knight, que quando era convidado para a NBA respondia sempre: “só treino se me pagarem mais um dólar do que o ordenado do jogador mais bem pago da equipa”…

Foto de Capa: sportal.com.au/nba

Mário Silva
Mário Silvahttp://www.bolanarede.pt
De jogador a treinador, o êxito foi uma constante. Se o Atletismo marcou o início da sua vida desportiva enquanto atleta, foi no Basquetebol que se destacou e ao qual entregou a sua vida, jogando em clubes como o Benfica, CIF – Clube Internacional de Futebol e Estrelas de Alvalade. Mas foi como treinador que se notabilizou, desde a época de 67/68 em que começou a ganhar títulos pelo que do desporto escolar até à Liga Profissional foi um passo. Treinou clubes como o Belenenses, Sporting, Imortal de Albufeira, CAB Madeira – Clube Amigos do Basquete, Seixal, Estrelas da Avenidada, Leiria Basket e Algés. Em Vila Franca de Xira fundou o Clube de Jovens Alves Redol, de quem é ainda hoje Presidente, tendo realizado um trabalho meritório e reconhecido na formação de centenas de jovens atletas, fazendo a ligação perfeita entre o desporto escolar e o desporto federado. De destacar ainda o papel de jornalista e comentador de televisão da modalidade na RTP, Eurosport, Sport TV, onde deu voz a várias edições de Jogos Olímpicos e da NBA. Entusiasmo, dedicação e resultados pautam o percurso profissional de Mário Silva.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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