Cabeçalho modalidadesA Liga Portuguesa de Basquetebol está a ser mais emotiva do que esperado, pelo menos mais do que eu esperava. Esperava um FC Porto e um SL Benfica muito mais fortes do que estão a aparecer, mesmo com o Porto em primeiro no campeonato.

Esta competitividade muito se deve a três grandes surpresas na prova: o Galitos do Barreiro, a Oliveirense e o Vitória Sport Clube, habitualmente chamado por Vitória de Guimarães. O Galitos é quem mais surpreende, ao estar com os mesmo pontos do líder; o Vitória está em terceiro, também com 22 pontos, mas com mais um jogo. A Oliveirense está logo um ponto atrás, remetendo o Benfica para quinto.

Esta competitividade só pode ser considerada boa para o nosso campeonato e para a modalidade, ela que vive tempos negros, por estes dias, em Portugal. O facto de voltar a passar em canal aberto é uma medida muito positiva e fundamental para qualquer modalidade que se queira mostrar. A própria FPB também tem melhorado muito na divulgação nas redes sociais e a criação do canal online da federação só peca por tardia.

Todos estes factores só podem levar à melhoria do basquetebol em Portugal. A modalidade, que por cá parecia parada no tempo, só tende a crescer, apesar de ser preciso fazer muito trabalho a todos os níveis. Segundo um estudo, que saiu recentemente, o Basquetebol é a terceira modalidade que os portugueses mais gostam, apesar de isto pouco se ver nos pavilhões. É preciso chegar às pessoas e atraí-las para a modalidade e, neste campo, por tudo o que observo, a FPF parece-me ser a única federação que trabalha bem, como melhor exemplo temos desde logo o rápido crescimento que o futebol feminino tem tido nos últimos anos, chegando já ao europeu da competição, algo impensável há 10 anos. Este aspecto de tornar vendáveis as modalidades é, para mim, algo fundamental, dado que permite atrair pessoas, algo já abordado por mim aqui.

Jarred Jackson tem sido um dos pilares do Galitos Fonte: FPB
Jarred Jackson tem sido um dos pilares do Galitos
Fonte: FPB

Já referi aqui no Bola na Rede que a NBA tem cada vez mais seguidores em Portugal e, muitos deles, não acompanham o basquetebol português. É preciso trabalhar para agarrar estas pessoas também ao basquetebol nacional, se se conseguir aumentar as pessoas nos pavilhões, tudo tende a melhorar.

Abandonando o nível profissional e passando para a formação, estando por dentro da modalidade e indo ver jogos dos escalões mais jovens em Lisboa (sub14 e sub16), é totalmente impensável o que acontece: muitos dos jogos decorrem sem dois dos elementos básicos do jogo – os árbitros e a mesa. Muito preocupante e algo a ser revisto o mais urgentemente possível, só assim se pode crescer e conseguir competir lá fora.

Voltando ao profissionalismo e falando em competir lá fora, este ano Portugal teve três equipas nas competições europeias, Porto e Benfica em masculinos e Clube União Sportiva em femininos. Os resultados foram muito fracos, Porto e União Sportiva perderam todos os seus seis jogos; já o Benfica conseguiu ganhar três jogos e passar à fase seguinte, um resultado positivo, por ser algo raro em equipas portuguesas.

Concluo então, dizendo que o basquetebol português parece que começa a ganhar um rumo evolutivo, o trabalho da FPB nos últimos tempos e a competitividade na principal competição assim o dizem. Mas este trabalho ainda está no início, muito se tem ainda que fazer para se chegar a um nível alto entre as modalidades em Portugal e tentar aproximar do resto da Europa.

Foto de capa: UD Oliveirense

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

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