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A final da Taça Hugo dos Santos ficou marcada pelo último lance: o Benfica perdia por três pontos nos instantes finais quando o extremo Carlos Andrade lançou e marcou, ficando a dúvida sobre se seriam de considerar dois ou três pontos. Se fosse triplo dava empate e o respectivo prolongamento.

O banco do Benfica pedia naturalmente a atribuição de um triplo mas Andrade estava a ultrapassar a linha e o resultado final seria de 68-69, para os Dragões.

Com dúvidas, o árbitro internacional Sérgio Silva, para surpresa de muitos, resolveu consultar a TV, dando cumprimento ao regulamento no art.º 46.12, que diz:

“Estar autorizado a aprovar antes do jogo e a utilizar, se disponível, equipamento técnico Instant Replay System (IRS)

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… Em qualquer momento do jogo:

– Se o lançamento de campo for convertido deve contar 2 ou 3 pontos”.

As imagens são elucidativas o último lançamento do Benfica foi de apenas dois pontos
As imagens são elucidativas: o último lançamento do Benfica foi de apenas dois pontos

Triunfo para o colectivo de Moncho Lopez, que volta a ganhar ao Benfica e promete luta na decisão da Liga. Com cinco estrangeiros de qualidade média, consegue gastar provavelmente pouco mas tem uma equipa organizada e disciplinada, o que justifica este triunfo frente a um Benfica que normalmente ganhava tudo.

NBA: outro Mundo…

Se o recurso ao visionamento de imagens no basquetebol nacional, não sendo original, causou alguma surpresa e motivou alguma satisfação para a comunidade basquetebolística, dado o atraso das outras modalidades, na NBA quando se trata do uso das tecnologias estamos a falar de uma escala inatingível.

Em 2002 a NBA já usava o método de consulta no local para reproduzir casos de dúvida nos lançamentos e nas faltas nos últimos segundos do jogo.

Contudo, tal método, na opinião dos espectadores, levava muito tempo e quebrava o ritmo dos jogos. E, como a NBA é um negócio, também aqui o cliente tem sempre razão. O que os espectadores querem é acção e ritmo no jogo e não que o mesmo esteja sempre a ser parado porque os árbitros têm dúvidas e necessitam de ver as repetições na televisão.

Ciente deste problema, a NBA tomou medidas para tornar o processo de visionamento por parte dos árbitros mais rápido e eficaz. Para isso, na época 2014-15 abriu o “NBA Replay Center” em Secaucus, N.J.

 Fonte: NBA
NBA Replay Center
Fonte: NBA

Levou dois anos a implementar a estrutura, gastou mais de 15 milhões de dólares, e o NBA Replay Center está directamente ligado a todos os 29 Pavilhões da NBA.

Com a ajuda suplementar do Centro os árbitros estão agora mais tranquilos ao apitarem as jogadas difíceis e não necessitam de interromper constantemente a dinâmica do jogo.

O Centro está equipado com 20 estações de repetição, 94 monitores de televisão e uma rede de fibra óptica subjacente que fornece toda a informação necessária às dúvidas dos árbitros.

Cada estação de repetição é constituída por uma configuração de três monitores, onde os operadores podem editar, melhorar e compartilhar clipes rapidamente com o recurso a ecrãs sensíveis ao toque e a um botão rotativo.

O edifício é majestoso. Tem escritórios em forma de diamante e o primeiro andar é acessível através de um longo corredor onde as paredes estão revestidas com uma excelente colecção de cartazes de basquetebol dos anos 70 e 80. Através das portas de vidro duplo é possível ver os ecrãs de alta definição que projectam simultaneamente imagens de todos os jogos da competição, mostrando múltiplos ângulos.

O árbitro veterano Joe Borgia trabalha no Centro, e é hoje uma figura importante, que disse:

“O meu pai, antigo árbitro, daria uma volta na sepultura se pudesse ver o Centro de Replay da NBA e tudo aquilo que estamos aqui a fazer. Temos de acompanhar os tempos. Se não melhorarmos, ficamos velhos e ultrapassados”.

[ot-video type=”vimeo” url=”https://vimeo.com/151527746″]

Para tornar o sistema perfeito, o mesmo foi testado com o recurso a jogos da temporada passada: 15 jogos, e os jogos das final da NBA. Durante esses jogos, reproduziram imagens solicitadas aos operadores de televisão pelos árbitros no local, à moda antiga. Enquanto isso a Liga testava o novo software.

“Testámos o timing, os melhores ângulos para filmar, e conseguimos elaborar um protocolo de comunicação direito. Cada um dos jogos testados tornou-se uma sessão de projecto do software para o nosso grupo de operações”, disse o Vice-Presidente Executivo de Operações e Tecnologia, Steve Hellmuth.

Agora, em poucos segundos, ficam disponíveis imagens de vídeo que são reenviadas para o Pavilhão para imediato visionamento dos árbitros de forma a esclarecer as dúvidas.

Para ajudarem os árbitros na tomada de decisões mais difíceis dezenas de operadores de vídeo, em Secaucus, sinalizam e editam imagens rapidamente. Em muitos casos é mesmo possível ter disponíveis imagens de vários ângulos, em formato de mosaico e com possibilidade de ampliar as mesmas, que chegam à mesa do jogo antes mesmo dos árbitros.

Um monitor mostra em exibição lado a lado todos os ângulos de câmara disponíveis do jogo. Tocando nele seleccionam uma ou mais imagens para trabalhar posteriormente. O monitor central tem uma vista de ecrã completo e o operador usa o multi-toque para cortar e ampliar uma secção de vídeo. Podem também criar instantaneamente várias caixas em mosaico sincronizadas com o tempo código.

Um outro monitor mostra aquilo a que o árbitro no terreno vai ter acesso…

O novo sistema ainda usa imagens dos operadores locais de TV. No entanto, essas imagens entram agora directamente no Centro da NBA, não sendo agora necessário recorrer ao tradicional método do “Play by Play”.

Ao ampliar o número de situações-problema, tornou-se demasiado o trabalho para a mesa local, o que justifica claramente a implementação de um sistema centralizado.

A rede de transmissão de dados é impressionante em termos de velocidade e simplicidade, permite a transmissão de quase 30TB de vídeo entre os Pavilhões da NBA e o Centro de Secaucus.

O papel dos árbitros…

Fonte NBA
As tarefas dos árbitros no campo e no Centro estão bem limitadas
Fonte: NBA

Os árbitros no Replay Center decidem:

1. Lançamentos de 2 Pontos/3 Pontos (cesto convertido ou falta)

2. Cesto convertido – final de período

3. Fora dos limites do campo

4. Violação do tempo de jogo (Cesto campo convertido)

5. Interferência da trajectória da bola (cesto)

6. A situação de falha no relógio (não marca faltas ou não marca envolvidos na violação)

7. 24 segundos .

8. Número de jogadores em campo

Fonte: NBA
Os árbitros em campo
Fonte: NBA

Os árbitros de campo decidem:

1. Falta Flagrante

2. Falta sobre adversário isolado

3. Falta sem bola

4. Altercação entre jogadores

5. Falta no final de período

6. Violação “Shot Clock” (envolvendo falta assinalada )

7. Corrigir o lançador de lances livres

8. Falha no relógio (falta ou violação envolvidos)

9. Área Restritiva

Esta temporada

A época 2015-16 dá início ao novo processo de reprodução instantânea para jogos. Além dos normais três árbitros em cada jogo, a NBA tem árbitros no Centro de Repetição que tomam decisões que facilitam a vida aos árbitros na análise de outras situações.

Uma vez analisada, a sinalizada decisão final será dos árbitros do centro de reprodução e em seguida comunicada de volta ao árbitro principal do campo.

Com recurso ao Centro de Reprodução o número de situações a analisar aumentou para 15.

Quando uma acção é escolhida, ficam imediatamente disponíveis imagens de vários ângulos de câmara no centro de reprodução da NBA, que as envia rapidamente aos árbitros de campo. Se necessário, a NBA poderá ainda fornecer mais imagens com outros ângulos de câmara.

“Muitos casos das 15 situações-tipos são muito simples de resolver e não necessitam do envolvimento dos árbitros do campo para determinar com precisão o resultado”, disse o Vice-presidente Executivo de Operações de basquetebol Kiki VanDeWeghe, NBA. “O importante é o ritmo e o fluxo de jogo. Queremos um jogo mais rápido, e que os nossos jogadores e treinadores voltem à acção”.

Desde que a temporada começou, em Novembro, 435 jogadas já foram revistas pelo centro de reprodução e 50 das decisões foram alteradas.

O centro de reprodução não foi desenvolvido apenas a pensar nos árbitros: também foi criado como uma forma de melhorar as experiências dos espectadores. Em casa os amantes da modalidade podem ver o mesmo que os árbitros estão a procurar no centro de reprodução e os adeptos no Pavilhão podem também ver as várias repetições no Ecrã Gigante. E, mesmo se não estão à frente de uma televisão, uma conta no Twitter dá para rever as jogadas.

A NBA espera rever mais de 31.000 horas de vídeo esta temporada. Após a conclusão dos jogos, os adeptos podem consultar o site NBA.com, onde os vídeos ficam disponíveis e arquivados numa livraria digital com uma explicação completa da acção dos árbitros.

Em 2002-2003 a NBA já tinha inovado com a implementção de lâmpadas LED nas tabelas Fonte: Youtube
A NBA já tinha inovado com a implementação de lâmpadas LED nas tabelas
Fonte: YouTube

O Futuro…

Steve Hellmuth é o grande responsável pelas inovações tecnológicas na NBA. Durante a época de 2002-2003, implementou o uso das lâmpadas LED nas tabelas para ajudarem os árbitros na validação ou não dos cestos nos últimos segundos. Também supervisionou a execução do programa de estatística STATS LLC SportVU em todos os Pavilhões da NBA.

A NBA não pára de inovar, e Steve Hellmuth já diz mesmo: “Gostaria muito de ter uma nova metodologia para o reconhecimento da pressão dos jogadores sobre a linha dos três pontos. Não importa se temos ou não boas câmaras. A sua eficácia está totalmente dependente do ângulo a partir do qual filmamos”.

Para esse fim, Hellmuth tem discutido com o Dr. Paul Hawkins, o célebre inventor do “ Hawk-Eye”, sistema utilizado na liga profissional de ténis e na Liga de Futebol Inlglesa, a possibilidade do uso de um sensor na linha dos três pontos.

Foto de Capa: YouTube

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De jogador a treinador, o êxito foi uma constante. Se o Atletismo marcou o início da sua vida desportiva enquanto atleta, foi no Basquetebol que se destacou e ao qual entregou a sua vida, jogando em clubes como o Benfica, CIF – Clube Internacional de Futebol e Estrelas de Alvalade. Mas foi como treinador que se notabilizou, desde a época de 67/68 em que começou a ganhar títulos pelo que do desporto escolar até à Liga Profissional foi um passo. Treinou clubes como o Belenenses, Sporting, Imortal de Albufeira, CAB Madeira – Clube Amigos do Basquete, Seixal, Estrelas da Avenidada, Leiria Basket e Algés. Em Vila Franca de Xira fundou o Clube de Jovens Alves Redol, de quem é ainda hoje Presidente, tendo realizado um trabalho meritório e reconhecido na formação de centenas de jovens atletas, fazendo a ligação perfeita entre o desporto escolar e o desporto federado. De destacar ainda o papel de jornalista e comentador de televisão da modalidade na RTP, Eurosport, Sport TV, onde deu voz a várias edições de Jogos Olímpicos e da NBA. Entusiasmo, dedicação e resultados pautam o percurso profissional de Mário Silva.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.