Basquetebol: Pagar as dívidas

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As Supertaças Masculina e Feminina de basquetebol, ganhas respectivamente pelo S.L. Benfica (vitória concludente frente ao Barcelos  79-42) e União Sportiva  (76-57 frente ao  CAB), realizaram-se com recurso a árbitros da segunda categoria, face à indisponibilidade manifestada pela Associação de Juízes de Basquetebol e acatada pela maioria dos juízes do primeiro escalão. É sabido que todos os jogos que decidem um campeão ou que são a eliminar têm uma carga emocional e uma tensão superiores aos outros. Ao não conseguirem seguir a velha máxima “os melhores árbitros nos melhores jogos”, as provas perderam qualidade.

O problema que opõe juízes e Federação não é novo e tem sido repetido ano após ano: dívidas à arbitragem, com o montante actual a atingir já os 137 mil euros. A Associação de Juízes continua à espera de uma proposta concreta da FPB, organismo que solicitou o alargamento do prazo até o dia 9 deste mês para apresentar um plano de pagamento.

A estratégia do “passa ao outro e não ao mesmo” só leva ao descrédito de todos. Também aqui as dívidas são para se pagar. O Estado tem de cumprir com as suas obrigações a tempo para que depois, em cadeia, todos possam fazer o mesmo… Não faz muito sentido que sejam os juízes, a exemplo de outros intervenientes na modalidade, a adiantarem verbas do seu bolso para garantir as competições, mesmo sabendo que a FPB acaba por pagar, com atraso, o que é devido.

Com o fim da LCB, treinadores, jogadores e árbitros ficaram a perder financeiramente, e os últimos tiveram também de se ajustar à nova realidade que, segundo a promessa da FPB, passa por aumentar o número de jogos nas competições seniores e, ao mesmo tempo, diminuir os custos para os clubes. A menos que descubram uma solução “milagrosa” com os árbitros, esta equação é irresolúvel.

Fernando Rocha e Sérgio Silva estiveram presentes no último Eurobasket Fonte: FPB
Fernando Rocha e Sérgio Silva estiveram presentes no último Eurobasket
Fonte: FPB

A arbitragem é, sem sombra de dúvidas, muito importante para podermos ter um jogo com uma maior qualidade. Não é certamente por causa do nível da nossa arbitragem que as nossas competições não atingem um patamar mais alto.

Se o basquetebol sénior a nível internacional e selecções não tem qualquer expressão (nos masculinos somos 51.º a nível mundial e 22.º a nível europeu, enquanto nos femininos nem aparecemos no ranking), o mesmo não se pode dizer da arbitragem, onde o panorama é o oposto. No recente Eurobasket 2015, Fernando Rocha e Sérgio Silva (dois árbitros portugueses no top 20 da Europa) estiveram em destaque, ao mesmo tempo que a árbitra internacional do CAD de Lisboa, Sónia Teixeira, foi também nomeada para arbitrar a Supertaça Europeia.

A arbitragem portuguesa está numa fase muito positiva. Chegou ao fim uma geração de excelentes árbitros, e está a conseguir fazer-se a sua substituição de uma forma serena e com qualidade. Num passado recente, Tó Zé Coelho, Zé Araujo, António Pimentel, Valdemar Cabral e Luís Lopes, entre outros, sempre conseguiram colocar a arbitragem a um nível quase sempre superior aos outros agentes da modalidade.

A FIBA solicita frequentemente os nossos principais árbitros que têm actuado nas fases finais nos diversos Campeonatos da Europa de categorias jovens, que têm também sido nomeados para as principais competições da FIBA Europa e também nomeados pela FIBA Mundo (Universíadas, Jogos do Mediterrâneo, Campeonatos do Mundo).

Mário Silva
Mário Silvahttp://www.bolanarede.pt
De jogador a treinador, o êxito foi uma constante. Se o Atletismo marcou o início da sua vida desportiva enquanto atleta, foi no Basquetebol que se destacou e ao qual entregou a sua vida, jogando em clubes como o Benfica, CIF – Clube Internacional de Futebol e Estrelas de Alvalade. Mas foi como treinador que se notabilizou, desde a época de 67/68 em que começou a ganhar títulos pelo que do desporto escolar até à Liga Profissional foi um passo. Treinou clubes como o Belenenses, Sporting, Imortal de Albufeira, CAB Madeira – Clube Amigos do Basquete, Seixal, Estrelas da Avenidada, Leiria Basket e Algés. Em Vila Franca de Xira fundou o Clube de Jovens Alves Redol, de quem é ainda hoje Presidente, tendo realizado um trabalho meritório e reconhecido na formação de centenas de jovens atletas, fazendo a ligação perfeita entre o desporto escolar e o desporto federado. De destacar ainda o papel de jornalista e comentador de televisão da modalidade na RTP, Eurosport, Sport TV, onde deu voz a várias edições de Jogos Olímpicos e da NBA. Entusiasmo, dedicação e resultados pautam o percurso profissional de Mário Silva.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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