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No passado dia 29 de abril, as competições nacionais de basquetebol, hóquei em patins, andebol e voleibol foram canceladas pelas respectivas federações, resultado da pandemia de covid-19, num comunicado conjunto. No comunicado, foi declarado que não haveriam campeões ou descidas nos campeonatos destas quatro modalidades de pavilhão, apesar de, no parâmetro do basquetebol se ter consumado a subida do Imortal (tinha esse direito desportivo) e a descida do Terceira Basket (despromovido matematicamente).
Esta temporada (2019/2020) da LPB, contava com 14 equipas dado ao surgimento do Sporting e iria contar com quatro descidas de divisão. Resultado do cancelamento da época desportiva, em 2020/2021 irá manter-se as mesmas 14 equipas, com a exceção da “troca” efetuada entre Imortal e Terceira Basket.
Apesar do desfecho amargo, nos seis meses de competição, contamos com muita competitividade, grande incerteza nos desfechos das partidas e muita luta entre todas as equipas da liga. Para além disso, vários jogadores jovens portugueses notabilizaram-se e deixaram bastante esperança para quem auspicia o futuro da modalidade em Portugal.
Infelizmente nada aconteceu como esperado devido ao covid-19, porém, aproveitamos esta altura de conclusão da temporada, para refletir de como foi a liga nesta temporada atípica.
Foto de Capa: SL Benfica
ABRAM CAMINHO PARA O SPORTING!

Fonte: Sporting Clube de Portugal – Modalidades
Esta época marcou o ressurgimento do Sporting na modalidade, 23 anos depois. Uma equipa «grande» que não pediu licença para entrar em grande na época, com reforços de elevado talento e com um treinador experientíssimo.
Com Travante e Elissor “roubados” à Oliveirense e o versado Luís Magalhães ao comando, os ingredientes estavam lá e o clube de Lisboa demonstrou a toda a liga que não estava para brincadeiras. Apesar da derrota na Taça Hugo dos Santos, o Sporting realizou uma época muito positiva terminando a fase regular em primeiro lugar (até ao dia em que a liga foi suspensa).
Com uma mescla de contratações de jovens (Francisco Amiel, Embalo) e jogadores experientes (Cláudio Fonseca, Pedro Catarino), entre outros jogadores de grande traquejo norte americanos (Toney, Travante, Elissor) a “turma” de Luís Magalhães rapidamente se demonstrou entrosada e encaminhada para uma época de belos feitos.
Para além da vertente desportiva, a componente da visibilidade e o aspeto do marketing em redor da presença de mais um clube «grande», permitiu à modalidade crescer para outros patamares, oferecendo maior competitividade e interesse a uma liga que ficou a contar quatro clubes com o objetivo claro de tentar conquistar o título.
Em suma, podemos afirmar que o Sporting foi uma das principais referências positivas desta temporada 2019/2020.
TERCEIRA BASKET ATURDIDO

Fonte: SL Benfica
Com reforços de baixa qualidade e um plantel sem qualquer profundidade, a equipa da Ilha Terceira deixou muito a desejar nesta liga e não somou qualquer vitória, tornando-se matematicamente a primeira equipa a descer de divisão. O pior de ter baixado de divisão e de se ter demonstrado claramente uns furos abaixo (comparando com o resto da liga), foi o ar assustado e perplexo que a equipa manifestou a cada jogo realizado.
Os jogos passavam, a química entre os jogadores não aumentava e as dinâmicas não se “oleavam”, sendo que para além do recorde extremamente nefasto, a equipa do Terceira Basket arrecadou derrotas extremamente pesadas, entre as quais a diante o Benfica (69-131) e o Sporting (111-59), ambas a contar para a Liga Placard. A equipa açoriana, tornou-se, a um certo ponto, num palco para jogadores se potenciarem individualmente, sem qualquer ambição coletiva.
Em suma, uma época para esquecer, que refletiu numa das piores prestações de qualquer equipa nacional de basquetebol profissional numa temporada, com zero vitórias em 23 jogos possíveis.
LESÕES ATRÁS DE LESÕES

Fonte: FC Porto Sports
A época desportiva ficou também marcada por um número de lesões bastante preocupante, principalmente para FC Porto e SL Benfica, que ficaram várias vezes com o plantel (mesmo que de luxo) reduzido significativamente. FC Porto, por exemplo, perdeu as duas principais referências ofensivas nos primeiros dois meses de competição (Tanner McGrew e Max Landis), sendo que o Benfica perdeu o capitão Tomás Barroso e potencialmente o melhor jogador da liga Micah Downs, também nos primeiros dois meses da temporada.
Isto, para não referir as lesões menos graves, mas que também se foram desencadeando ao longo da época nas mais diversas equipas, provocando vários constrangimentos, não só para quem luta pelo título como para quem luta para se manter na primeira liga.
OLHOS POSTOS NO FUTURO

Fonte: FPB
Depois de um Campeonato da Europa sub-20 divisão B histórico para a seleção nacional, onde o MVP, inclusive, foi um jogador da nossa liga (Rafael Lisboa), era expectável que os clubes portugueses começassem a olhar um pouco mais para as potencialidades dos jovens atletas nacionais.
De imediato, o Esgueira adiantou-se com a contratação de Gustavo Teixeira e Henrique Barros (ambos se encontravam na Proliga e foram importantes na conquista do europeu). O Sporting, por outro lado, também contratou Jorge Embalo (internacional sub-20) e viu com bons olhos a contratação de jogadores com potencial na Proliga, como aconteceu por exemplo com a contratação do poste Jeremias Manjate ex-Belenenses.
Isto não só significou num proveitamento satisfatório dentro de campo, como também significou numa valorização muito importante dos jovens jogadores que pretendem dar o “salto” dos juniores para seniores, abrindo muitas portas para futuras gerações.
FC Porto e SL Benfica já tinham na formação algumas pérolas para lapidar e o sucesso no Europeu apenas ratificou o seu talento e a avidez que tinham de jogar entre os «grandes». Rafael Lisboa, de todos, não só foi o que teve mais minutos, como também o que demonstrou maior capacidade de resposta e de somar números, tornando-se o jogador com maior volume de assistências da liga (114, com uma média de 5.18 por jogo), demonstrando-se essencial para a equipa lisboeta. Por outro lado, Francisco Amarante e Voytso, mesmo não tendo os minutos que porventura mereciam, acabaram por demonstrar excelentes sinais que mais tarde ou mais cedo serão as principais referências nacionais da equipa azul e branca.
De resto, Amarante, Lisboa e Voytso já representaram a seleção nacional por duas ocasiões esta temporada e revelam excelentes perspetivas para o futuro nacional da modalidade.









