Todas as semanas, o Bola na Rede fornece-me um espaço no seu site para eu escrever o que bem me apetecer relacionado com a NBA, acreditando que eu tenho capacidade para colocar ao dispor dos leitores algo com cabeça, tronco e membros, preparado ao pormenor e interessante para quem, desse lado do ecrã, acede ao site. Posso garantir que este artigo foi preparado ao pormenor, mas já não posso garantir que os outros critérios foram seguidos… Estes são os prémios de final da temporada regular que a NBA (ainda) não criou!

Prémio “Chill, dude”: a tensão entre árbitros e jogadores foi um dos grandes assuntos da temporada, com várias estrelas da NBA a demonstrarem o seu desagrado com as decisões dos juízes. Mas por muitos anos que passem, DeMarcus Cousins estará sempre na linha da frente na luta “jogadores vs. árbitros”. O poste dos Pelicans é o jogador com mais faltas por jogo na liga e, também, aquele que mais faltas técnicas amealha por partida. Mesmo numa temporada em que só fez metade dos jogos. Sentimos a tua falta (literalmente), “big fella”.

Prémio “Tenho um bom alfaiate”: depois de uns excelente playoffs ao serviço dos Miami Heat, os Lakers não hesitaram em oferecer um contrato de 72 milhões de dólares durante quatro anos a Luol Deng. E se na primeira temporada em L.A., Deng ainda fez bastantes jogos, na segunda a história é bem diferente. O extremo participou no primeiro jogo da época, fez 13 minutos e… é isso. Para alguém que recebe 17 milhões este ano, é estranho. São 1.3 milhões de dólares por minuto jogado. Os Lakers já tentaram trocar o jogador, mas não há ninguém na liga disposto a ficar com tal contrato. E Luol Deng fica obrigado a ficar sentado a ver os seus colegas, de fato ao invés de um equipamento. E quantos bons fatos não se compram com 17 milhões no bolso…

Adams tornou-se num dos postes mais dominantes da NBA
Fonte: OKC Thunder

Prémio “A chave debaixo do tapete”: também conhecido como “Troféu para o jogador que faz mais coisas que não aparecem na estatística mas que todos os treinadores apreciam”, mas sabem, um pouco abreviado, este prémio é entregue ao jogador que todas as equipas precisam para equilibrar as coisas e que tornam as suas estrelas em máquinas mortíferas de basquetebol. Steven Adams, dos Thunder, é o exemplo perfeito. O neo-zelandês abre espaço para os seus colegas com excelentes bloqueios e tem sido o melhor ressaltador ofensivo de toda a NBA, boas notícias para uma turma de Oklahoma que falha tanto lançamento (ouch). É muito graças a Adams que Westbrook consegue todos aqueles triplos-duplos, mostrando-se uma arma que Paul George e Carmelo Anthony aprenderam a usar durante a temporada.

Prémio “Problemas de identidade”: a NBA atingiu um nível nunca antes visto no que diz respeito às diferentes funções que os jogadores conseguem assumir. Os postes já não são apenas “jogadores de garrafão”, os bases têm movimentos de costas para o cesto, etc. Porém, os grandes ainda conseguem ser dominantes lá dentro e os pequenos os controladores do jogo, certo? Certo? Não, se olharmos para o poste dos Pistons, Anthoy Tolliver. Conhecido pelo “homem que foge da área restritiva como um gato foge da água”, Tolliver tentou 103 lançamentos de dois pontos e 351 de três pontos. Um homem de 2,03 m e 108 kg não devia ter tanto medo de contacto físico…

Prémio “Quem raio é este?”: dia 26 de dezembro de 2017, numa dura derrota frente aos Denver Nuggets, os adeptos dos Utah Jazz viram a estreia de Naz Mitrou-Long. Um jogo, um minuto, um lançamento, três pontos foi o resultado da estreia do base que nunca mais haveria de jogar esta temporada na NBA. Mas o pouco tempo que esteve em campo garantiu-lhe a liderança da tabela de “Player Efficiency Rating (PER)” da NBA, que mede a produtividade de um jogador por minuto. Numa liga em que a média do PER é 15.0, Mitrou-Long vai terminar a temporada com 133.91. Como é óbvio, o base não faz parte dos “elegíveis” para esta lista, mas terá sempre o seu nome naquela tabela, para os mais distraídos que vivem demasiado agarrados à estatística.

Foto de Capa: New Orleans Pelicans

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