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Obrigado, Kobe

Leonardo Costa Bordonhos · 4 min

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Cinco campeonatos, MVP, duas vezes MVP das finais, dezoito vezes All-Star, quatro vezes MVP do All-Star, quinze vezes All-NBA, 33.643 pontos…

Kobe Bean Bryant é visto por muitos como o melhor jogador da história, alguém que dedicou a sua vida, o seu corpo e a sua mente ao desenvolvimento da modalidade que tanto amava e que praticou durante toda a sua vida. Foi graças a ele que milhares se apaixonaram, e apaixonavam diariamente, por esta modalidade que é o basquetebol.

Filho mais novo de um ex-jogador da NBA, desde sempre mostrou aptidão e desejo de seguir as pisadas do seu pai, de tal forma que, e como tantas vezes dissera, começou a jogar com apenas três anos de idade.

Kobe era um apaixonado pela modalidade. Foi graças a essa paixão que desenvolveu a “Mamba Mentality”, um foco e dedicação extremo que lhe permitia ultrapassar qualquer objetivo. Há quem diga que já no secundário costumava começar a treinar por volta das cinco da manhã, mesmo sabendo que o treino começava às sete, e que depois das aulas a rotina passava por mais algumas horas de treino, de modo a apurar as suas capacidades ao máximo. Em entrevista, dissera que: «A dor não te diz quando deves parar. A dor é aquela vozinha que tens na cabeça que te tenta segurar porque sabe que se continuares, vais mudar».

Chegou à NBA vindo diretamente do secundário, e com apenas 17 anos a sua personalidade conquistou de imediato todos os adeptos dos Los Angeles Lakers. De 1996 até 2016 foi a cara da sua equipa e alguém que levou o basquetebol a todos os cantos do mundo. Entrou adolescente, e na liga se fez homem. Com dores de crescimento pelo caminho, Kobe teve os seus problemas, tal como qualquer outro ser humano, mas sempre foi alguém que respeitou a modalidade e os adeptos, que tantas e tantas vezes gritaram o seu nome seguido de “MVP, MVP, MVP”.

Visto como extremista na sua maneira de treinar e de agir, os seus duelos com, e contra, Shaquille O’Neal, os Spurs de Tim Duncan, os Detroit Pistons, Lebron James e ainda os Celtics de 2008, ficaram para sempre na memória de quem os viu. Tornou-se no primeiro jogador da história da NBA a ter duas camisolas retiradas pela mesma equipa, dado o impacto que teve na cidade de Los Angeles durante mais de duas décadas, e mesmo depois da sua reforma enquanto jogador, continuava a ser dos atletas mais requisitados para dar treinos, tanto era o seu conhecimento da modalidade.

Vários ex-colegas diziam que seria impossível para Kobe afastar-se do basquetebol, mas o próprio dizia que não. O basquetebol tinha-lhe dado tudo, e ele tinha dado tudo ao basquetebol. Foi assim que abriu a sua empresa de comunicação, venceu o Oscar de melhor curta-metragem pelo seu vídeo onde se despedia da modalidade, e lançara uma coleção de livros infantis.

Contudo, o bichinho do basquetebol não fugira, e por essa razão treinava a equipa da sua terra. Ao contrário do que se poderia imaginar, dada a sua competitividade e fome de vencer, para o “Black Mamba” o mais importante era as crianças se divertirem e aprenderam as bases, de forma a poderem evoluir.

Torna-se difícil falar de alguém que parte assim tão cedo e de forma tão drástica, de alguém que deixou um legado impossível de explicar e quantificar…

Para trás ficam três filhas, e um conjunto de troféus que neste momento pouco importam, mas as memórias e os momentos que o “Black Mamba” deixa, essas serão eternas.

Os 81 pontos contra os Raptors. O abraço a Shaquille O’Neal nas finais frente a Portland. As finais contra os Celtics, onde, mesmo com um dedo partido, levou a sua equipa à vitória. O drible enquanto mordia a camisola que dava o sinal: “vou marcar e não tens forma de me parar”. Os 60 pontos marcados no seu último jogo. A força, dedicação, empenho, e total confiança nas capacidades de quem treinara a vida inteira para aparecer nos grandes momentos. Como o próprio dizia: “Eu gosto que me assobiem, faz-me sentir reconfortado”.

Kobe Bean Bryant marcou a NBA para sempre. Ele não era Jordan 2.0, ele era Kobe Bryant, único pela sua forma de ser e estar. E esta noite a liga fica mais pobre ao saber que perdeu um dos seus grandes embaixadores. Mas mais do que a NBA, o mundo fica mais pobre, por perder uma das pessoas que mais fizera por trazer alegria a milhões todas as noites.

Obrigado, Mamba.

Foto de Capa: LA Lakers

artigo revisto por: Ana Ferreira

Leonardo Costa Bordonhos

Redação Bola na Rede · ver artigos