Foi a comparação imediata aquando da descoberta do jovem Trae Young na Universidade de Oklahoma. O pequeno base estava destinado a ser Stephen Curry porque lança muito – e bem – de longe. Mas a temporada de Young, que até começou discreta, mostra que não é bem assim. O jovem Trae não é Stephen Curry e não há nada de mal com isso.

Trae Young tem a capacidade de acertar lançamentos exteriores que se calhar nem Curry tinha com a sua idade. Mas Curry mudou a NBA, estabeleceu um novo estilo de jogo e abriu portas aos mais pequenos e menos atléticos. Assim, jogadores como Young foram olhados com menos desconfiança na altura de serem escolhidos no draft. Tanto que os Hawks decidiram trocar a sua escolha e abdicar de Luka Doncic, tal era a confiança em Trae.

Mas Young é mais do que um lançador. Aliás, lançador devia ser a segunda caraterística atribuída ao base dos Hawks, logo atrás de playmaker. É aí que Young tem não só sobrevivido, mas surpreendido na sua primeira temporada de NBA. A equipa dos Hawks é fraca, não há como negar. Então, o plano de todas as equipas passa por criar o máximo de dificuldades ao base para que este largue a bola.

Porém, Young já está uns níveis acima daqueles em que devia estar nesse atributo. O mais seguro para um rookie seria soltar logo a bola. Mas Young já tem a experiência adquirida na universidade de que os seus colegas não vão resolver todos os problemas. Então, Young está a aprender e a superar expetativas ao descobrir constantemente a melhor opção quando toda uma defesa se foca em si.

Trae Young com o veterano Vince Carter
Fonte: Atlanta Hawks

É incrível a quantidade de lançamentos completamente isolados que Trae Young consegue criar para os seus colegas, passando as três opções mais óbvias na altura da assistência e descobrindo aquela que mais ninguém no pavilhão viu, mas que faz todos soltarem um “oooohhhh” sempre que acontece. É aqui que Young foge às comparações com Curry e que começa a criar o seu próprio legado na NBA.

Mesmo com um plantel tão fraco, os Hawks de Lloyd Pierce são a equipa mais interessante da liga programada para perder. Young tem muitas arestas por limar. A sua defesa e turnovers estão no topo da lista (só Harden e Westbrook perdem mais a bola). Mas até aí há um ponto a seu favor. Só perde a bola quem a tem, e Young tem-na mais do que quase toda a gente, porque têm confiança nele para isso.

E não há melhor maneira para um rookie crescer. Para além de que estar na mesma lista de Harden e Westbrook na primeira temporada na NBA será sempre um elogio, mesmo que essa lista contabilize perdas de bola. Young joga e faz jogar os Hawks, que devem ser vistos e que este verão acrescentarão mais dois jovens no top 10 do draft.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Atlanta Hawks

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Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.