Há três anos e uns dias, escrevi o meu primeiro artigo para o Bola na Rede, Alguém para Anna van der Breggen?, e hoje poderia escrever um com o título praticamente igual, trocando apenas o nome de Ana van der Breggen para Annemiek van Vleuten.

O ciclismo continua a ter uma dominadora dos Países Baixos, mas a veterania suplantou a juventude. De 2017 para cá, a líder da Mitchelton-Scott tornou-se a rainha. Se nesse ano a campeã olímpica van der Breggen ainda foi a melhor, no ano seguinte mudou a corrente.

Com van der Breggen a demonstrar sinais de falta de motivação, e mesmo assim ganhando clássicas e sendo Campeã do Mundo de fundo, van Vleuten assumiu-se e com um domínio avassalador no Giro Rosa (três etapas, Geral e Pontos), uma remontada épica na La Course e o segundo título mundial consecutivo no crono passou a ser a incontestável número um do mundo.

Mais uma vitória clara no Giro Rosa, estreias a vencer na Strade Bianche e em Liège e, finalmente, a conquista da tão ansiada camisola arco-íris para as provas de fundo, asseguraram que 2019 seguiria no mesmo sentido.

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Annemiek van Vleuten a caminho de mais uma vitória no Giro Rosa
Fonte: Giro Rosa

Annemiek van Vleuten não é tão versátil como van der Breggen ou como Marianne Vos, outra das recentes dominadoras da modalidade, mas compensa-o com desempenhos extraterrestres. Se Vos ou Breggen dispõe de um bom sprint que lhes permite jogar taticamente, Vleuten só tem uma opção: atacar. E fá-lo com convicção e nos momentos certos, vergando as adversarias à sua força e tornando imagem recorrente o vê-la chegar isolada à meta, o que torna o seu leque tão grande de vitórias ainda mais impressionante.

E, se a época 2020 começou bem com a vitória na Omloop Het Nieuwsblzd antes da interrupção pela pandemia, a retoma foi igualmente triunfante com a atleta a conquistar a solo três clássicas espanholas no espaço de quatro dias. Ou seja, neste ano, van Vleuten tem quatro dias de corrida e outras tantas vitórias. Alguém para?

Foto de Capa: UCI

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão