As fugas triunfaram na segunda semana da Vuelta

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A segunda semana marcada por etapas com muita montanha e muitas dificuldades para todo o pelotão. Esperava-se que houvesse muitas mexidas nos lugares cimeiros da classificação geral. Certamente que houve, mas o primeiro lugar continua mais do que seguro. Primoz Roglic manteve a camisola vermelha e a Jumbo-Visma, equipa do líder, até deixou que muitas fugas tivessem a oportunidade de vencer.

A etapa 11 foi um dia muito calmo para os ciclistas que lutam pelos primeiros lugares na geral. Uma fuga com 14 corredores ganharam uma vantagem considerável e a menos de 30 kms de terminar a etapa havia uma vantagem de 15 minutos sob o pelotão. Os homens que estavam na frente não preocupavam quanto ao seu tempo, pois o melhor classificado estava a mais de 40 minutos. Era óbvio que o vencedor estava na fuga do dia.

Mikel Iturria, da Euskadi Basque Murias, fugiu da fuga e fez mais de 25 kms a solo – num autêntico contrarrelógio. O ciclista espanhol deu tudo de si numa grande estratégia e quando se pensaria que iria “morrer na praia”, como se diz na gíria, conseguiu mesmo ganhar. Quilómetros finais emocionantes para quem gosta de ciclismo e onde presenciámos história, porque foi a primeira vez que (!) Iturria venceu na sua carreira e logo numa grande volta.

O pelotão chegou com um atraso de 15 minutos onde a Jumbo-Visma mantinha o ritmo calmo, pois no dia seguinte previa-se um dia ainda pior do que este. Estava tudo na mesma quanto à camisola vermelha: na posse do esloveno Roglic.

A etapa 12 teve uma partida um pouco habitual no ciclismo, mas normal nas três grandes voltas. O Circuito de Navarra foi o local onde começou a terceira etapa desta semana, que teve novamente um grande grupo na frente da corrida. Um dia em que os ciclistas tinham de contar com muitas subidas.

No final da segunda subida (Alto El Vivero), Grmay (Mitchelton-Scott) e Grosschartner (Bora-Hansgrohe) passaram na frente na contagem de montanha, mas acabariam por ser alcançados pelo grupo perseguidor. Na última subida do dia, Phillipe Gilbert (Deceuninck Quick-Step) conseguiu distanciar-se de todos os seus companheiros de fuga e foi sozinho rumo à vitória.

Aranburu (Caja-Rural) e Barceló (Euskadi Basque Murias) fizeram uma aliança espanhola para tentar alcançar o belga, embora tivessem muito perto não tiveram sucesso. Foi a sexta vitória de etapas na Vuelta para Gilbert e a segunda da equipa de Quick-Step nesta edição. Porém, Gilbert, para além da sua experiência, tem de agradecer a Tim Declercq – companheiro de equipa – pelo trabalho de perseguição aos corredores que estavam escapados.

Foi a sexta vitória de Gilbert em etapa da Vuelta
Fonte: La Vuelta

Na grupo dos favoritos, Angel Lopez (Astana Team) bem tentou atacar o camisola vermelha, Roglic, mas não teve muita sorte. O esloveno da Jumbo-Visma estava num dia bom fisicamente e conseguiu responder aos ataques. Na geral, não havia mexidas no que toca aos lugares cimeiros.

A etapa 13 foi outra que começou também de forma algo estranha. Com partida na cidade de Bilbao, o pelotão da Vuelta passou dentro do Estádio San Mamés, o terreno do Athletic Bilbao. Não acredita? Então veja! Foi o juntar de dois mundos completamente opostos: o Futebol e o Ciclismo.

Num dia em que dava para fazer estragos na classificação com a subida final com pendente média a mais de 9% e onde havia zonas com 25% (!). No início da etapa foi Hector Sáez, vencedor da etapa 7 da Volta a Portugal, a ir sozinho até à subida do Alto de Los Machucos, onde seria apanhado.

Na subida, primeiro foi Armirail (Groupama-FDJ) a tentar a sua sorte, mas as dificuldades das subidas levaram-o a quebrar. Depois foi Pierre Latour (AG2R La Mondiale) a ultrapassar o compatriota e a ir em busca da vitória. Porém, era complicada a subida e no grupo dos favoritos havia ataques de Pogacar (UAE Emirates Team), Quintana (Movistar Team) e Majka (Bora-Hansgrohe).

O colombiano da Movistar, que tinha estado bem inicialmente na subida, acabou por quebrar tal como Angel Lopez e Valverde. Nenhum conseguiu acompanhar o ritmo dos eslovenos Pogacar e Roglic, que foram sozinhos com a intenção de aumentar as respetivas vantagens.

Os dois eslovenos apanharam Latour e foram a toda a velocidade para a meta. Sem grande batalha pela vitória, Roglic acabou por entregar a etapa a Pogacar, que subiu de quinto para terceiro na geral. Dia excelente para os eslovenos e mau dia tanto para a Movistar como para a Astana, que tanto trabalhou no início da etapa para nada. Na classificação geral, tínhamos o líder intacto e Pogacar ocupava agora o terceiro lugar e olhava para o segundo lugar de Valverde (Movistar Team).

João Pedro Barbosa
João Pedro Barbosahttp://www.bolanarede.pt
É aluno de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, tem 20 anos e é de Queluz. É um apaixonado pelo desporto. Praticou futebol, futsal e atletismo, mas sem grande sucesso. Prefere apreciar o desporto do lado de fora. O seu sonho é conciliar as duas coisas de que gosta, a escrita e o desporto.

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