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As fugas triunfaram na segunda semana da Vuelta

João Pedro Barbosa · 8 min

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A segunda semana marcada por etapas com muita montanha e muitas dificuldades para todo o pelotão. Esperava-se que houvesse muitas mexidas nos lugares cimeiros da classificação geral. Certamente que houve, mas o primeiro lugar continua mais do que seguro. Primoz Roglic manteve a camisola vermelha e a Jumbo-Visma, equipa do líder, até deixou que muitas fugas tivessem a oportunidade de vencer.

A etapa 11 foi um dia muito calmo para os ciclistas que lutam pelos primeiros lugares na geral. Uma fuga com 14 corredores ganharam uma vantagem considerável e a menos de 30 kms de terminar a etapa havia uma vantagem de 15 minutos sob o pelotão. Os homens que estavam na frente não preocupavam quanto ao seu tempo, pois o melhor classificado estava a mais de 40 minutos. Era óbvio que o vencedor estava na fuga do dia.

Mikel Iturria, da Euskadi Basque Murias, fugiu da fuga e fez mais de 25 kms a solo – num autêntico contrarrelógio. O ciclista espanhol deu tudo de si numa grande estratégia e quando se pensaria que iria “morrer na praia”, como se diz na gíria, conseguiu mesmo ganhar. Quilómetros finais emocionantes para quem gosta de ciclismo e onde presenciámos história, porque foi a primeira vez que (!) Iturria venceu na sua carreira e logo numa grande volta.

O pelotão chegou com um atraso de 15 minutos onde a Jumbo-Visma mantinha o ritmo calmo, pois no dia seguinte previa-se um dia ainda pior do que este. Estava tudo na mesma quanto à camisola vermelha: na posse do esloveno Roglic.

A etapa 12 teve uma partida um pouco habitual no ciclismo, mas normal nas três grandes voltas. O Circuito de Navarra foi o local onde começou a terceira etapa desta semana, que teve novamente um grande grupo na frente da corrida. Um dia em que os ciclistas tinham de contar com muitas subidas.

No final da segunda subida (Alto El Vivero), Grmay (Mitchelton-Scott) e Grosschartner (Bora-Hansgrohe) passaram na frente na contagem de montanha, mas acabariam por ser alcançados pelo grupo perseguidor. Na última subida do dia, Phillipe Gilbert (Deceuninck Quick-Step) conseguiu distanciar-se de todos os seus companheiros de fuga e foi sozinho rumo à vitória.

Aranburu (Caja-Rural) e Barceló (Euskadi Basque Murias) fizeram uma aliança espanhola para tentar alcançar o belga, embora tivessem muito perto não tiveram sucesso. Foi a sexta vitória de etapas na Vuelta para Gilbert e a segunda da equipa de Quick-Step nesta edição. Porém, Gilbert, para além da sua experiência, tem de agradecer a Tim Declercq – companheiro de equipa – pelo trabalho de perseguição aos corredores que estavam escapados.

Foi a sexta vitória de Gilbert em etapa da Vuelta
Fonte: La Vuelta

Na grupo dos favoritos, Angel Lopez (Astana Team) bem tentou atacar o camisola vermelha, Roglic, mas não teve muita sorte. O esloveno da Jumbo-Visma estava num dia bom fisicamente e conseguiu responder aos ataques. Na geral, não havia mexidas no que toca aos lugares cimeiros.

A etapa 13 foi outra que começou também de forma algo estranha. Com partida na cidade de Bilbao, o pelotão da Vuelta passou dentro do Estádio San Mamés, o terreno do Athletic Bilbao. Não acredita? Então veja! Foi o juntar de dois mundos completamente opostos: o Futebol e o Ciclismo.

Num dia em que dava para fazer estragos na classificação com a subida final com pendente média a mais de 9% e onde havia zonas com 25% (!). No início da etapa foi Hector Sáez, vencedor da etapa 7 da Volta a Portugal, a ir sozinho até à subida do Alto de Los Machucos, onde seria apanhado.

Na subida, primeiro foi Armirail (Groupama-FDJ) a tentar a sua sorte, mas as dificuldades das subidas levaram-o a quebrar. Depois foi Pierre Latour (AG2R La Mondiale) a ultrapassar o compatriota e a ir em busca da vitória. Porém, era complicada a subida e no grupo dos favoritos havia ataques de Pogacar (UAE Emirates Team), Quintana (Movistar Team) e Majka (Bora-Hansgrohe).

O colombiano da Movistar, que tinha estado bem inicialmente na subida, acabou por quebrar tal como Angel Lopez e Valverde. Nenhum conseguiu acompanhar o ritmo dos eslovenos Pogacar e Roglic, que foram sozinhos com a intenção de aumentar as respetivas vantagens.

Os dois eslovenos apanharam Latour e foram a toda a velocidade para a meta. Sem grande batalha pela vitória, Roglic acabou por entregar a etapa a Pogacar, que subiu de quinto para terceiro na geral. Dia excelente para os eslovenos e mau dia tanto para a Movistar como para a Astana, que tanto trabalhou no início da etapa para nada. Na classificação geral, tínhamos o líder intacto e Pogacar ocupava agora o terceiro lugar e olhava para o segundo lugar de Valverde (Movistar Team).

A etapa 14 era a mais calma e menos dolorosa em termos de montanha para os ciclistas. Uma etapa que estava especialmente preparada para os sprinters que não tiveram quase oportunidades para se exibir nesta segunda semana.

O dia começou com uma fuga de cinco corredores que ia bem encaminhada para a vitória, mas um excelente trabalho coletivo no pelotão anulou a vantagem para a frente. O pelotão apanhou os fugitivos a 4,6 km do final e avizinhava-se um sprint para o final. Porém, uma queda no meio do pelotão à entrada do quilómetro final estragou os planos a muitas equipas.

Sobrou poucos corredores para ganhar a etapa e apenas os melhores posicionados conseguiram chegar à frente. No final, foi Sam Bennett (Bora-Hansgrohe), o campeão irlandês, a conseguir a vitória, ultrapassando um corredor da Lotto-Soudal e também o campeão argentino, Ariel Richeze (Deceunick Quick-Step). Na classificação geral, manteve-se tudo na mesma e continuou Roglic confortável no seu primeiro posto.

A etapa 15 era uma das mais duras com quatro contagens de 1ª categoria para serem ultrapassadas com a última a ser a mais penosa – a subida ao Santuário Del Acebo. Dez corredores desde muito cedo tentaram a sua sorte na fuga, incluindo Rúben Guerreiro (Katusha Alpecine) e Sepp Kuss (Jumbo-Visma).

Num dia com muitas movimentações na fuga, houve muitos corredores a passar pela frente sozinhos, mas foi o jovem americano Sepp Kuss a destacar-se. O ciclista da Jumbo-Visma foi sozinho subida a cima em busca de mais uma vitória na sua curta carreira e ninguém o conseguiu apanhar. Infelizmente, para os portugueses visto que Rúben Guerreiro estava na fuga.

Deu tempo para tudo até para Kuss dar “mais cinco” aos adeptos que se encontravam nas bermas ao longo da estrada. O jovem americano acabou por vencer a etapa e o segundo lugar acabaria por ficar para Rúben Guerreiro, que acabou por subir diversos lugares na geral. Foi a segunda vitória de etapa para a Jumbo-Visma, depois da vitória de Roglic no contrarrelógio.

No grupo dos favoritos, foi Valverde (Movistar Team) a atacar desde cedo na subida, mas levou consigo o camisola vermelha, Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Por isso, só conseguiu mesmo ganhar vantagem para os que vinham atrás de si na classificação. O derrotado do dia foi Quitana, que não esteve bem na subida e perdeu ainda mais tempo para os primeiros lugares.

A etapa 16 tinha um final especial por ser a primeira vez que a Vuelta iria ter a chegada no Alto de la Cubilla. E a corrida começou logo animada assim que começou. A grande mudança no dia, e na etapa, foi a conquista da camisola da montanha por Bouchard (AG2R La Mondiale), que tem agora 50 pontos, onde foi mais forte do que Madrazo (Burgos BH).

Geoffrey Bouchard (AG2R La Mondiale) é o novo rei da montanha nesta Vuelta com 50 pontos
Fonte: La Vuelta

Era o mais provável que a fuga fosse ganhar novamente, pois o ritmo no pelotão era muito baixo. Primeiro, tivemos um numeroso grupo de 20 corredores e no início da subida final sobrou apenas cinco: Know (Deceunick Quick-Step), Fuglsang e Luiz Leon Sanchez (Astana Team), Brambilla (Trek-Segafredo) e Geoghagan Hart (Team Ineos).

Brambilla e Fuglsang ganharam uma vantagem considerável de alguns segundos, mas o dinamarquês escapou a toda a concorrência e foi fazer história. O ciclista da Astana Team conseguiu algo inédito na sua carreira: ganhar uma etapa numa grande volta aos 34 anos!

Fuglsang venceu pela primeira vez na carreira uma etapa numa grande volta
Fonte: La Vuelta

Lá atrás no grupo dos favoritos é que as coisas aqueciam e muito! Quitana se tinha estado mal nos últimos dias, nesta etapa foi o ponto final na Vuelta. Angel Lopez (Astana Team), Pogacar (UAE Emirates Team), Roglic (Jumbo-Visma), Soler e Valverde (Movistar Team) e Majka (Bora-Hangrohe) subiram muito bem esta última dificuldade do dia. Porém, a juventude de Lopez, Pogacar e Roglic veio ao de cima e conseguiram destronar a concorrência.

No final, os dois eslovenos e o espanhol ganharam 20 segundos a Valverde, porém, manteve-se tudo na mesma nos quatro primeiros. Apenas Majka conseguiu tirar o quinto lugar de Quitana. De salientar, a excelente subida de Rúben Guerreiro, que a fez junto do grupo dos favoritos. O português é quinto na classificação da juventude e é, à entrada para o dia de descanso, o 15º na geral! Mas que grande estreia na Vuelta que está a fazer.

A Volta a Espanha regressa já amanhã para a última e decisiva semana. Será que Primoz Roglic vai tornar-se no primeiro esloveno a ganhar uma grande Volta? Teremos um português (Rúben Guerreiro) no top 15 ou quem sabe num top 10? Veremos o que nos espera! Para a semana há mais Vuelta… no mesmo sítio de sempre: aqui no Bola na Rede!

TOP 10 DA VUELTA

1º Primoz Roglic (Jumbo-Visma) 62h17’52’’

2º Alejandro Valverde (Movistar Team) +02’48’’

3º Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) +03’42’’

4º Miguel Angel Lopéz (Astana Team) +03’59’’

5º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) +07’40’’

6º Nairo Quitana (Movistar Team) +07’43’’

7º Nicolas Edet (Cofidis) +10’27’’

8º Wilco Keldermann (Team Sunweb) +10’34’’

9º Carl Fredrick Hagen (Lotto Soudal) +10’40’’

10º Hermann Pernsteiner (Bahrain-Merida) +12’05’’

CLASSIFICAÇÃO DOS PORTUGUESES

15º Rúben Guerreiro (Katusha Alpacine) +17’26’’

62º Nelson Oliveira (Movistar Team) +1h53’12’’

85º Ricardo Vilela (Burgos BH) +2h16’26’’

158º Nuno Matos (Burgos BH) +4h09’01’’

Domingos Gonçalves (Caja Rural) – Desistiu

CAMISOLAS

Vermelha (Líder) – Primoz Roglic (Jumbo-Visma) – 62h17’52’’

Verde (Pontos) – Primoz Roglic (Jumbo-Visma) – 117 PTS

Montanha – Geoffrey Bouchard – 50 PTS

Juventude – Tadje Pogacar – 62h21’34’’

Equipas – Movistar Team – 186h06’03’’

Foto de Capa: La Vuelta

Revisto por: Jorge Neves

João Pedro Barbosa

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