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Em segundo lugar, fica a Ronde van Vlaanderen, a Volta a Flandres, um dos Cinco Monumentos e conhecida como a prova com os melhores e mais fanáticos adeptos na borda da estrada. Infelizmente, acabaria por ser um dos adeptos que, com um casaco mal colocado, levaria à queda de Sagan, Naesen e Avermaet, colocando ainda mais drama na cavalgada épica de Philippe Gilbert para a vitória. E que melhor que o campeão belga a vencer a solo a maior das provas belgas para culminar um belo dia de ciclismo de ataque.
A fechar o podium fica o Criterium du Dauphiné, a tradicional prova de preparação para o Tour de France. Na edição de 2017, houve espetáculo e ataques nas montanhas, bem diferente do que veríamos no mês seguinte na maior prova do calendário. Richie Porte foi claramente o mais forte, mas um Froome que até apresentou debilidades mostrou-se mais aguerrido que o costume e foi incansável no ataque ao seu antigo escudeiro, com benefício para Jakob Fuglsang que teve um renascer da sua carreira e acabou por levar de vencidas duas etapas e a geral.

Fonte: Critérium du Dauphiné
Já em Portugal, a prova com mais emoção de acompanhar foi o Troféu Joaquim Agostinho, em que Amaro Antunes levou o triunfo final, depois de uma demonstração de qualidade de José Neves com o Sub23 a dar luta cara a cara aos elites. Numa prova em que todas as etapas trouxeram algo de interessante, o poder da W52/FC Porto esteve mais uma vez à vista, desgastando a jovem e inexperiente Liberty Seguros – Carglass até levar Amaro à vitória final, feito ainda maior já que o trepador azul e branco havia caído no prólogo, perdendo aí tempo importante.
Outra prova marcante foi, como habitual, a Volta ao Algarve. A única prova portuguesa a conseguir presença de algumas das maiores figuras mundiais da modalidade é sempre especial para o público português e, este ano, foi ainda mais pela boa exibição das equipas portuguesas com, mais uma vez, Amaro Antunes à cabeça. Os estrangeiros também estiveram à altura e Roglic e Kwiatkowski presentearam-nos com uma luta pela Classificação Geral com interesse até aos últimos metros.
Finalmente, o pódio fica completo com o GP Jornal de Notícias. Além da presença em forma de nomes maiores do pelotão nacional como Daniel Mestre e Raul Alarcon, que venceria a Geral da prova, o que mais faz esta prova de escalão inferior se destacar é a capacidade da organização de inovar no percurso e dar um espetáculo diferente aos adeptos que acompanham a prova. O contrarrelógio coletivo noturno do primeiro dia ou a utilização da subida ao Alto da Franqueira são bons exemplos da importância que um bom desenho das etapas pode ter no sucesso ou falhanço de uma prova.
O final da Clássica da Primavera, a Milano – San Remo, primeiro dos Cinco Monumentos do ciclismo, tem de ser o momento da época. O final a três entre Kwiatkowski, Sagan e Alaphilippe decidido no photo-finish entrou na história da modalidade como um dos seus mais belos momentos e a foto da chegada a San Remo (que ilustra este artigo) será imortalizada pela disputa entre os três nomes que marcarão a sua geração no que às provas de um dia diz respeito. No entanto, se fossemos pelo lado emotivo, o prémio seria para a etapa com chegada ao Alto de L’Angliru na Vuelta. Após atacar dia após dia na sua última prova, Alberto Contador conseguiu finalmente a tão desejada vitória de etapa no penúltimo dia e na última oportunidade para os trepadores. Foi um final justo para o campeoníssimo espanhol que se despediu da melhor forma em casa, depois de uma carreira em que foi talvez o melhor voltista da sua geração.
Um outro dia que marcou a temporada foi a vitória de Lilian Calmejane na oitava etapa do Tour de France. Com Thomas Voeckler a terminar carreira nesse mesmo Tour e Sylvain Chavanel já longe dos seus melhores dias, os francesas procuravam um novo ídolo para a incansável combatividade e a busca por etapas nas fugas da Grande Boucle. O novo herói surgiu na pele de Calmejane que confirmou todo o ‘panache’ que os gauleses adoram ao vencer em fuga com paragem com cãibras bem perto do fim que deixou toda a gente com coração nas mãos, mas retomaria a marcha e impediria o aproximar de Gesink.

Fonte: Volta a Portugal
A nível nacional, o momento chave da época foi a etapa da Torre da Volta a Portugal, em que a W52/FC Porto deu o golpe final nas aspirações das outras equipas a vencer a Grandíssima chegando à dobradinha com Amaro Antunes e Raul Alarcon e com uma vantagem rara de se ver nos tempos de hoje. Os azuis e brancos dominaram durante toda a época e a Volta não foi exceção, mas o que estes dois ciclistas, com grande ajuda de Ricardo Mestre, fizeram neste dia foi um selo de autoridade impressionante.
Pouco atrás nesta decisão fica a vitória de Amaro Antunes no Alto do Malhão na Volta ao Algarve. Na prova mais bem frequentada do calendário nacional, há anos que as equipas da casa eram incapazes de terem influência na corrida, mas o Algarvio quebrou a malapata e, além da vitória na última etapa, carimbou uma exibição sólida que prenunciava a grande temporada que teria e que culminaria com a sua transferência para os polacos da CCC.
O outro momento marcante da temporada lusa, mas pelos piores motivos, foi o que se passou no GP do Dão, em que problemas na transição entre a zona de jurisdição da GNR para a PSP viram a segunda etapa da prova ser parada por falhas de segurança. Com os elevados custos que o policiamento tem para as organizações das provas, este tipo de situações é inaceitável e envergonha modalidade. Como se isso não bastasse, levou ainda ao fim da prova, tornando ainda mais curto o calendário português.
Foto de Capa: Peter Sagan











