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Cabeçalho modalidadesCaro Rui Alberto Faria da Costa,

Desde aquele momento em que a Movistar apostou em ti, que tento seguir sempre as tuas corridas e todas as tuas decisões em termos profissionais. Em qualquer corrida em que estás, sei que por muito que possa apoiar outros ciclistas irei sempre querer que sejas tu a ganhar – e acredita que apoio bastante, por exemplo, Chris Froome e Peter Sagan. Não é só pelo facto de seres português, mas também por seres um ciclista que tanto trabalhou para chegares onde chegaste e que merece tudo o que de positivo venha a ter.

Ainda assim, espero que saibas que esperava, igualmente, uma carreira ainda mais recheada de títulos e conquistas. Esperava ver-te em grande numa qualquer Grande Volta, com algum tipo de prémio no final ou simplesmente uma presença no top’10, já que foi algo que sempre tentaste de forma tão intensa e às vezes tão inglória. Esperava voltar a ver-te a erguer os braços e conquistar, novamente, um título de campeão do mundo. Esperava que estivesses numa equipa em que a tua posição como líder nunca fosse sequer discutida.

É verdade que algumas dessas expetativas pudessem ser altas demais, principalmente uma nova vitória como campeão do mundo. Mas a verdade é que um ciclista como tu sempre deixou no ar aquela sensação de que ainda poderia fazer muito mais do que aquilo que tem feito (e o que tens feito, até hoje, tem sido muito bom, na mesma, nunca te esqueças disso).

levantar dos braços após a primeira de três vitórias que já tem no Tour de France  Fonte: memoriavirtual.net
levantar dos braços após a primeira de três vitórias que já tem no Tour de France
Fonte: memoriavirtual.net

Acho que 2011 foi “O” ano. Aquele em que, de facto, se comprovou que estava ali alguém que iria dar muitas mais alegrias aos portugueses, para além das que deu naquele ano. Ganhaste uma prova importante em Madrid, uma das clássicas do World Tour e ainda tiveste a tua primeira vitória numa etapa no Tour. No ano seguinte, começou a “saga” na Volta à Suíça com a tua primeira de três vitórias seguidas numa das provas com mais prestígio depois das Grandes Voltas.

E eis que chegou o ano incrível de 2013 em que demonstras o porquê de seres considerado um dos ciclistas com melhor visão de jogo e com um saber tático bastante preciso. Aceleraste quando foi preciso, tiveste a frieza para esperar na altura certa e depois foi nunca mais parar até levantares os braços e teres todo um país a levantar esses mesmos braços contigo. O primeiro campeão do mundo de ciclismo para Portugal e até foi mais interessante ter partilhado o pódio com 2 ciclistas da parte de “nuestros hermanos”…

Quebraste recordes, foste onde só um ciclista como o inolvidável Joaquim Agostinho conseguiu ir e soubeste lidar com algumas contrariedades – por muito que todos quiséssemos esse top’10, a verdade é que os problemas físicos acabaram por te impedir nalguns anos de conseguires esses mesmo objetivo.

De qualquer das formas, este também era um ponto ao qual queria chegar. Será que valeu a pena lutar tantos anos por algo que nunca chegou a acontecer? Tivesses tu mudado de objetivos ou planos durante a época não terias tido mais sucesso?

Com objetivos diferentes, poderíamos pensar se não teria tido ainda mais conquistas destas  Fonte: cyclingmundial.blogspot.pt
Com objetivos diferentes, poderíamos pensar se não teria tido ainda mais conquistas destas
Fonte: cyclingmundial.blogspot.pt

A verdade é que sempre te vi como um exímio corredor para provas de 1 dia e provas de 1 semana ou pouco mais. As tuas caraterísticas, tal como até comprovam os resultados que tens tido neste tipo de provas até hoje, são as ideias para este tipo de corridas e acredito plenamente que podias ter feito ainda mais história se tivesses tido uma maior concentração para este tipo de situações.

Acho que 2017 mostrou da melhor forma isto que tento explicar. Começaste o ano de forma incrível, a ganhar provas importantes para o início de época, e depois…bem, depois vieram as Grandes Voltas e já se sabe como foi. Sim, para mim e para muitos, foste dos ciclistas mais combativos quer na Volta a Itália, quer na Volta a Espanha (principalmente em Itália, onde estiveste perto de conquistar uma etapa por várias ocasiões), mas infelizmente a tão desejada vitória não chegou e o top’10 foi novamente uma miragem.

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