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A imprevisibilidade é a chave para o sucesso de qualquer desporto. Quanto maior for a incerteza relativamente ao vencedor de determinada competição, maior será o interesse do público em seguir essa mesma prova. Consequentemente, maiores serão os dividendos financeiros que se podem retirar de determinado evento desportivo. No ciclismo acontece exatamente o mesmo.

INCERTEZA COMO CHAVE PARA O SUCESSO

A edição deste ano do Tour de France ficou marcada por uma tremenda incerteza relativamente ao vencedor final. Na minha opinião, a ausência de Chris Froome foi uma das razões que ajudam a explicar a maior competitividade na Volta a França 2019.

Nos últimos sete anos, o britânico venceu quatro edições. Se tivermos em conta que desistiu devido a queda em 2014, o cenário é ainda mais “assustador”. Em duas dessas vitórias, Froome triunfou nos Campos Elísios com uma vantagem superior a quatro minutos.

Se a estes dados juntarmos o facto de a Ineos (antiga Sky) ter um orçamento bastante superior ao de qualquer outra equipa, é fácil perceber que quem sair a perder é a competitividade da modalidade em geral.

Curiosamente, no ano em Chris Froome desistiu devido a queda o vencedor foi Vincenzo Nibali com uma vantagem superior a sete minutos. No entanto, será importante dizer que por exemplo Alberto Contador, um dos principais favoritos na altura a vencer a prova, também desistiu.

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A NBA E A PREMIER LEAGUE COMO MODELOS A SEGUIR

O público do ciclismo não gosta por norma de comparações com outras modalidades, sobretudo com o futebol. É certo que o ciclismo tem uma realidade bastante particular e que as comparações com outros desportos, sobretudo coletivos, podem ser pouco produtivas.

No entanto, existem alguns bons exemplos que podem servir de inspiração para tornar o ciclismo uma modalidade com uma maior presença mediática.

O caso da NBA é paradigmático. A principal preocupação da liga passa por tornar o seu campeonato o mais competitivo possível. São inúmeras as restrições colocadas às equipas de forma a evitar que se construam planteis de superestrelas. Nos últimos anos, a discussão em torno dos Golden State Warriors levantou bastantes questões sobre as regras que atualmente estão em vigor e como pode a própria liga dificultar ainda mais a vida às equipas de forma a evitar este cenário. O objetivo é claro e passa exclusivamente por promover a maior incerteza possível sobre o vencedor final.

Outro bom exemplo é a Premier League. Num continente diferente e também perante uma realidade completamente oposta, a liga promove a maior competitividade possível entre as equipas. Neste caso, o segredo assenta numa redistribuição dos direitos televisivos mais equitativa e que diminua a diferença entre as equipas.

Em ambos os casos, a tónica está em colocar a maior incerteza possível no resultado final.

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