Clássicas atípicas tiveram de tudo

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A época de clássicas, mudada para o final do ano trouxe, desde logo, uma visão rara nos últimos anos, uma Deceunick – Quick Step que não ganhou qualquer monumento. Ainda assim, a equipa belga foi uma das que mais brilhou nas provas de um dia e somou também algumas vitórias importantes, ainda que tenha sido incapaz de triunfar nos principais dias do calendário.

Depois dos Monumentos italianos corridos logo após a retoma – vitórias de van Aert em Sanremo e Fuglsang na Lombardia -, só depois da primeira Grande Volta da temporada se disputaram as restantes principais provas de um dia.

Comecemos por falar das ardenas. Com a Amstel cancelada, sobraram Flèche e Liège. No lado masculino, estiveram em destaque homens que já haviam brilhado no Tour de France, mostrando a importância da rodagem das pernas para fazer frente às dificuldades. O jovem Marc Hirshi triunfou no Mur de Huy e finalizou segundo em Liège, comprovando que a Sunweb tem no suíço um dos maiores talentos das clássicas.

Primoz Roglic também provou que se dá bem nestes percursos das Clássicas, consolando a derrota em França com a conquista do seu primeiro Monumento. Já Julian Alaphilippe desperdiçou uma excelente oportunidade em Liège e teve que esperar pela Brabantse Pijl para abrir a conta envergando a camisola arco-íris.

A chegada ao Mur de Huy também proporcionou um momento soberbo para Anna van der Breggen, que lá triunfou pela sexta (!) edição consecutiva. Já a LBL foi uma corrida algo surpreendente no lado feminino, com Lizzie Deignan a vencer isolada, de forma algo inesperada, já que as principais favoritas terminaram a vários minutos. É de destacar, ainda assim, o segundo lugar de Grace Brown, a australiana que continua a subir no panorama internacional depois de uma entrada tardia no desporto.

Seguiu-se o paralelo e a mais bela parte da temporada das Clássicas não desapontou, mesmo sem Paris-Roubaix na agenda, com a corrida francesa a ser o único Monumento não disputado neste ano atípico.

A Boels-Dolmans foi a principal figura, com vitórias na Gent-Wevelgem e na Ronde van Vlaanderen. E, se a primeira foi um bom triunfo conquistado por D’Hoore num sprint reduzido, a segunda foi resultado de uma exibição coletiva de excelência, culminada pela dobradinha de Blaak e Pieters. Com a corrida a partir cedo, a equipa neerlandesa jogou com os números de forma soberba, viu uma van der Breggen implacável, mas abnegada, anular todas as tentativas de van Vleuten e, com isso, colocar Blaak na posição perfeita para chegar a solo.

Refira-se ainda que, em De Panne, Wiebes somou a segunda vitória com as cores da Sunweb, mas o que falta falar é de Lotte Kopecky. A ciclista da Lotto conquistou o título belga de fundo e começou a confirmar o potencial que se lhe apontava, finalizando também no podium das três provas de empedrado do World Tour.

Já nos homens, Mads Pedersen e Mathieu van der Poel obtiveram os principais resultados. O ex-campeão do mundo brilhou no BinckBank Tour e venceu na Gent-Wevelgem, confirmando a quem ainda duvidasse que não é um one-hit wonder. Já a estrela do ciclocrosse venceu a Geral do BinckBank e conquistou o seu primeiro Monumento numa Ronde menos interessante que o habitual.

Julian Alaphilippe estava a ser o principal animador na sua estreia em Flandres, colocando a Deceunick na luta pelo seu Monumento caseiro e já tinha criado uma divisão que seria fulcral no desfecho da corrida. Contudo, quando seguia na frente da prova com van der Poel e van Aert, embateu numa mota e foi forçado a abandonar, acabando com as esperanças da sua equipa.

Esta queda também criou um cenário mais aborrecido, já que os dois jovens rivais colaboraram bem e deixaram a corrida para ser decidida num sprint apertado. Depois do segundo lugar de Senechal em Wevelgem e da queda de Alaphilippe, a Deceuninck ainda foi a tempo de também triunfar no paralelo, com uma dobradinha liderada por Lampaert em De Panne.

Foto de Capa: Gent-Wevelgem

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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