Num defeso muito mexido, a contratação de Grace Brown, uma australiana de 26 anos, por parte da Mitchelton-Scott, não mexeu com muitos e pareceu até algo insignificante. Agora, após seis dias de competição, começa a suspeitar-se que este pode ter sido um golpe de mestre da equipa da terra dos cangurus.

Com um passado no ballet, dedicou-se depois à Corrida e entrou tarde (para os padrões do desporto) no Ciclismo. Enquanto normalmente as atletas promissoras – como Cecilie Uttrup Ludwig, Letizia Paternoster ou as portuguesas Soraia Silva e Maria Martins – têm a primeira experiência em equipas UCI ainda na adolescência, Brown só já depois dos 20 anos é que sequer se dedicou às duas rodas.

No entanto, rapidamente deixou uma marca no circuito amador australiano e foi ganhando o seu espaço. Em 2017 e no início de 2018 correu pela Holden Team Gusto, equipa de clube australiana que tem já pergaminhos na Oceânia, mas foi a meio do ano passado, depois de conquistar o ouro no crono e a prata no fundo dos Campeonatos Continentais, que teve a primeira grande oportunidade, correndo durante alguns meses pela histórica Wiggle High5.

Começou este ano a vencer com a conquista do Campeonato Nacional de contrarrelógio, a que juntou poucos dias depois o triunfo na terceira etapa do Tour Down Under, mas parece ter potencial para muito mais, como o prova o 21.º lugar na La Course 2018.

Seis dias de corrida em 2019 e já leva duas vitórias
Fonte: Santos tour Down Under

O contrarrelógio é a sua arma predileta e foi onde alcançou já os melhores resultados, mas está longe de ser a única, já que a australiana passa também muito bem as dificuldades e tem ainda uma boa ponta final. Desde logo, tem tudo para ser uma ameaça nas clássicas acidentadas e em certas provas por etapas. No terreno mais montanhoso ainda tem margem para evoluir, mas servirá desde já como uma excelente escudeira para apoiar as suas líderes.

Ficou já claro que estamos perante uma atleta de enorme qualidade, com apenas o fator idade a poder pesar nas oportunidades que lhe serão dadas. Se considerarmos que a sua principal líder de equipa – e uma das grandes estrelas do desporto -, Annemiek van Vleuten, tem mais dez anos que ela, Brown ainda tem um longo caminho pela frente e muito para conquistar.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Cycling Australia

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