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A União Ciclística Internacional tem um novo Presidente, já que o francês David Lappartient derrotou o incumbente Brian Cookson por expressivos 37-8 para ser o novo líder do organismo.

A UCI é o órgão que tutela o ciclismo internacionalmente e o seu Presidente é eleito para mandatos de 4 anos por método indireto, já que quem o elege são os delegados eleitos nas Organizações Regionais. Brian Cookson tornou-se o primeiro Presidente a fazer apenas um mandato, após ter destronado Pat McQuaid  em 2013.

Os motivos por trás desta mudança não são todos claros, mas há vários que já vieram a público e ajudam a perceber o porquê de um resultado tão desfasado. Aparentemente, várias das Federações estavam descontentes com a incapacidade de Cookson apresentar resultados com maior celeridade e com o seu estilo de liderança pouco assertivo. Outro ponto que causou grande preocupação foi a gestão errática do calendário World Tour. Para juntar a tudo isto, o russo Igor Makarov, um dos mais influentes no mundo do ciclismo e que foi há 4 anos um apoiaste incansável de Cookson, esteve desta vez num papel passivo.

O mandato de Cookson ficou marcado pela forte aposta no ciclismo feminino Fonte: Team Sunweb
O mandato de Cookson ficou marcado pela forte aposta no ciclismo feminino
Fonte: Team Sunweb

Durante 4 anos, Cookson, antigo líder da Federação Britânica, ajudou a dar um forte impulso ao ciclismo feminino, incluindo a criação do World Tour feminino e de várias provas que resultou num crescimento do interesse do público nesta vertente. Além disso, foi implementado um sistema mais rigoroso para os polémicos TUEs (Isenções para Uso Terapêutico de substâncias proibidas) e o desporto vive um período menos conturbado em termos de dopagem. Por outro lado, assistiram-se a muitos avanços e recuos na gestão do World Tour e a um preocupante desaparecimento de várias provas históricas europeias, criando sinais alarmantes no ciclismo de estrada masculino.

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O novo Presidente é um homem experiente em lidar com o aparelho político da UCI e deverá ter maior facilidade em manobrar máquina burocrática. Uma das suas apostas é exatamente a de ter uma voz mais ativa e marcar a agenda mediática, contrastando com o estilo reservado do antecessor e promete também dar mais preponderância às Federações nacionais. No entanto, uma das questões centrais do seu mandato e para a qual não tem resposta no seu manifesto eleitoral será a do rumo a tomar quanto ao World Tour Masculino.

Para já, sabemos pouco do que realmente se alterará na prática com esta nova liderança. Já se percebeu que Lappartient terá mais voz, resta saber quais os resultados práticos disso. Para o bem do ciclismo, esperemos que esteja a um nível igual ou superior ao de quem substitui.

Foto de Capa: David Lappartient