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Dois australianos brilham em casa

Nuno Raimundo · 4 min

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Cabeçalho modalidadesUma das principais provas de início de temporada teve, ontem (durante a madrugada, para nós, europeus), a sua conclusão e, como de costume, os australianos voltaram a mexer bastante com a corrida e a serem os protagonistas da mesma.

O primeiro destaque deste Santos Tour Down Under 2017 tem de ir, naturalmente, para o vencedor da classificação geral individual, Richie Porte. O australiano da BMC dominou as duas etapas mais importantes da prova e arrecadou, finalmente, um título que lhe escapava há algum tempo – nas duas últimas edições, tinha sido segundo classificado em ambas, sendo que numa delas ficou a apenas 2 segundos do primeiro lugar.

Mas a verdade é que outro australiano não deixou que Richie brilhasse sozinho e esta prova acabou por terminar tal e qual como começara: com uma vitória de Caleb Ewan. O jovem prodígio sprinter australiano da Orica não deu quaisquer hipóteses aos rivais e conseguiu nada mais, nada menos do que 4 vitórias em 6 etapas!

Se na primeira etapa a vitória foi “ao limite” (Danny Van Poppel, da Sky, esteve muito perto), as outras mostraram que as minhas esperanças de ver este ciclista como o melhor sprinter do mundo nos próximos anos é realmente algo perfeitamente atingível. Curiosamente, nessa primeira etapa, Peter Sagan optou por dar a oportunidade a Sam Bennett, seu colega de equipa, de sprintar para a vitória (ficou em terceiro), mas nas outras quis ser ele a tentar destronar Ewan.

Caleb Ewan dominou plenamente os sprints desta edição  FONTE: Tour Down Under
Caleb Ewan dominou plenamente os sprints desta edição
Fonte: Tour Down Under

Antes de avançarmos para as outras etapas, há que destacar a etapa 2 e a forma como Richie Porte se viu livre de todos os seus adversários. Bastou acelerar no momento certo e mais ninguém o conseguiu apanhar. Chaves e Izaguirre bem tentaram, mas o australiano acabou por levar a melhor e conseguir uma vantagem de 16 segundos que poderia vir a ser decisiva, numa prova que costuma ser decidida por segundos.

Na terceira e quarta etapa, voltámos a ter um grande show de Caleb Ewan. Se a sua segunda vitória foi relativamente “tranquila”, a terceira vitória para o australiano mostrou o incrível potencial que tem para desenvolver, conseguindo sair de uma “zona de pressão”, ter ainda capacidade para ultrapassar adversários de qualidade e, ainda, vencer com uma margem de uma bicicleta. Nesse mesmo final, destaque, igualmente, para a capacidade de recuperação de Sagan, que, tal como Ewan, ultrapassou alguns ciclistas mas já não teve capacidade para bater o “rei dos sprints” deste TDU 2017.

Com a chegada da decisiva etapa, todos os olhos estavam postos em Richie Porte, mas a verdade é que isso não trouxe quaisquer problemas ao ciclista da BMC, sendo que, assim que a oportunidade ideal surgiu, saiu do grupo dos favoritos e, apesar da tentativa de perseguição de Henao e Chaves, nunca mais ninguém o apanhou.

A segunda vitória em etapas para Porte, a (quase) confirmação da sua primeira vitória nesta corrida e o confirmar de que o australiano está em forma e será um adversário a ter ainda mais em conta para as Grandes Voltas deste ano. Para a BMC, acredito que tenha sido entusiasmante observar esta prova de Richie e veremos se não será mesmo o líder da equipa já no Giro d’Itália.

Duas excelentes vitórias para Richie Porte neste Tour Down Under  Fonte: steephill.tv
Duas excelentes vitórias para Richie Porte neste Tour Down Under
Fonte: steephill.tv

Ainda assim, destaque para a qualidade apresentada por Nathan Haas e Jay McCarthy, dois australianos que merecem uma análise mais atenta para o que será esta temporada e comprovaram isso mesmo nesta prova, estando igualmente em equipas que poderão ter um papel interessante ao longo da época (Dimension Data e Bora-Hansgrohe, respetivamente).

O ciclista da Bora conseguiu, devido às bonificações intermédias, o último lugar no pódio, mas ambos os ciclistas demonstraram uma excelente versatilidade, intrometendo-se nas lutas pelas etapas ao sprint e pelas etapas de montanha. O colombiano Esteban Chaves, com o segundo lugar da geral, mostrou que também está a começar a época com uma boa forma e é mais outro elemento a juntar aos possíveis nomes para disputar a vitória do Giro deste ano, depois do segundo lugar no ano passado.

Em relação aos ciclistas portugueses, Tiago Machado esteve algo discreto ao longo da prova, provavelmente ainda sem o ritmo necessário para conseguir exibir-se ao melhor nível, sendo que José Gonçalves e, principalmente, Rúben Guerreiro mostraram-se ao público australiano e saem com nota positiva desta prova. Uma melhor nota para Guerreiro, ainda assim, visto que o jovem português do Montijo esteve perto de conseguir alguns grandes resultados em certas etapas. Mais interessante foi verificar a multiplicidade de qualidades que o ciclista de 22 anos da Trek apresentou, conseguindo intrometer-se nas lutas pelas etapas ao sprint e pelas etapas de montanha. Um dos portugueses a ter mais em atenção durante este ano!

Rúben Guerreiro chegou a vestir a camisola da juventude numa prova promissora do português Fonte: Tour Down Under
Rúben Guerreiro chegou a vestir a camisola da juventude numa prova promissora do português
Fonte: Tour Down Under

Por fim, a última etapa voltou a ser ganha por Caleb Ewan e, novamente, com Peter Sagan a ter de se contentar com o segundo lugar. Um incrível início de época para o jovem prodígio australiano e que deixa qualquer adepto da modalidade e, principalmente, fã deste ciclista com imensas expetativas para o que poderá ser a época do ciclista da Orica!

Foto de capa: steephill.tv

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Nuno Raimundo

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