Cabeçalho modalidadesDecorreram neste fim de semana, os Campeonatos Nacionais de estrada de ciclismo.

Este ano as provas realizaram-se mais uma vez no norte de Portugal, com a cidade de Gondomar a acolher os campeonatos de estrada, enquanto que em Santa Maria da Feira se realizaram as provas de contra-relógio.

No contra-relógio o grande destaque foi a ausência do tri-campeão, Nelson Oliveira, que segundo consta, não soube da alteração do horário de partida e por isso não chegou a tempo de realizar a prova, a ser verdade a organização da prova não fica bem vista nesta situação.

Com esta ausência, Rafael Reis assumia o protagonismo, ele que era apontado como um dos candidatos à vitória, juntamente com Sérgio Paulinho, José Mendes, e os irmãos Gonçalves.

Mas quem iria vencer a prova, seria o ciclista da RP- Boavista Domingos Gonçalves que fez o tempo mais rápido nos 33.9Km em 42.19 minutos, 5 segundos a menos que Rafael Reis(Caja Rural-Seguros RGA) e menos 20 segundos que Sérgio Paulinho(Efapel).

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Domingos Gonçalves alcança assim um grande marco na sua carreira, levando as cores de campeão nacional nas provas de contra-relógio.

Na categoria de sub-23 anos, a vitória recaiu em José Fernandes da Liberty Seguros-Carglass, impondo-se por 15 segundos ao companheiro de equipa Gaspar Gonçalves, e 59 segundos de João Almeida da Unieuro Trevigiani-Hemus1896. José Fernandes repete assim uma vitória que já tinha alcançado em 2015.

Já na prova de estrada a imprevisibilidade era muita, mesmo com Rui Costa ausente, o leque de favoritos era grande, e até interessante, isto em comparação com favoritos do Contra-Relógio. Essa imprevisibilidade devia-se muito ao desenho do percurso que apresentava alguns pontos de interesse, com 4 ascensões curtas em extensão mas grandes em inclinação e que culminaria numa chegada de 800m com 8.6% de inclinação média, isto tudo num circuito com 177 kms de extensão.

Numa corrida muito marcada por ataques, formou-se um grupo final que incluía, entre outros, os maiores favoritos à vitória, José Mendes (Bora Hansgrohe) , que defende o título, Joni Brandão (Sporting Tavira) e Tiago Machado (Team Katusha – Alpecin), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), Sérgio Paulinho (Efapel), César Fonte (LA Aluminios-Metalusa), Edgar Pinto(LA Aluminios-Metalusa) e,Rui Vinhas (W52-Porto), Ricardo Vilela (Manzana Postobon),  desta fuga resultou uma outra, onde houve um ataque fortíssimo de Domingos Gonçalves. O novo campeão Nacional de Contra-Relógio, motivadissímo pela vitória no dia anterior, conseguiu mesmo ter 1´20m de vantagem para o pequeno grupo que se formou atrás dele, mas num momento de azar, ou talvez de desconcentração, o ciclista acabaria por cair e ser alcançado pelo grupo que o perseguia.

E foi desse grupo que já na subida final apareceu o jovem Ruben Guerreiro, com um ataque fortíssimo, não dando grandes hipóteses aos seus concorrentes directos. Foi o ciclista da Trek a levantar os braços na meta festejando assim o seu primeiro título de campeão nacional de elites, ele que na época passada tinha sido campeão nacional de sub-23.

Rúben Guerreiro no momento da consagração Fonte: http://www.ammamagazine.com
Rúben Guerreiro no momento da consagração
Fonte: http://www.ammamagazine.com

A completar o pódio ficaram Rui Vinhas (W52-Porto) e Ricardo Vilela (Manzana Postobon) a 3 e 4 segundos respectivamente.

Ruben Guerreiro, que conta no seu pecúlio com vitórias no GP Liberty Seguros-Troféu Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina  e na  Volta a Portugal do Futuro  mostrou-se muito satisfeito, pois segundo o próprio preparou-se como nunca para esta prova e orgulhoso por envergar a camisola de campeão nacional nesta época.

Na minha opinião, e fazendo uma curta análise, é de destacar o percurso que a Federação escolheu esta época, pois permitiu que a corrida andasse sempre num bom ritmo, e que houvesse vários ataques. Nesse sentido a minha aposta recairia em José Gonçalves num percurso que lhe assentava que nem uma luva, ainda para mais vindo ele de uma grande vitória na Holanda no Ster ZLM Tour, conquistando a geral individual.

Para além de José Gonçalves, os ciclistas,José Mendes (Bora Hansgrohe) , que defendia o título, Joni Brandão (Sporting Tavira) e Tiago Machado (Team Katusha – Alpecin), Sérgio Paulinho (Efapel), César Fonte (LA Aluminios-Metalusa), Edgar Pinto(LA Aluminios-Metalusa) e Rui Vinhas (W52-Porto) e Ricardo Vilela (Manzana Postobon) eram na minha ótica, claros favoritos.

Referência também para Rui Vinhas, o vencedor da Volta a Portugal na época passada, mostrou-se bem e poderá estar num bom nível para a Volta a Portugal que aí vem.

Com um misto de juventude e experiência no pelotão foi a juventude e irreverência de Ruben Guerreiro, que veio ao de cima, mostrando que o ciclismo português estará bem representado no estrangeiro nos próximos anos, pois muitas vitórias podem-se esperar do ciclista da Trek, igualando feitos de outros ciclistas como Acácio Silva, Joaquim Agostinho e mais recentemente Rui Costa.

Já nos sub-23 Francisco Campos sagrou-se campeão nacional no percurso de Gondomar. O ciclista da equipa Miranda-Mortágua bateu ao sprint André Carvalho (Team Cipollini), e David Ribeiro(Liberty Seguros-Carglass) fechou o pódio.

Foto de Capa: CM Gondomar

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

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