Depois de alguma especulação, soube-se esta semana que há mais de dez atletas suspensos provisoriamente por doping no nosso país. Dois deles são profissionais, mas os restantes são amadores e fazem parte do grupo que costuma estar na discussão pela vitória dos muito populares Gran Fondos.

Começando pelos amadores, nada disto surpreende e há muito que se fala à boca grande de que estes atletas não andavam só “a bifes e batata frita”. Um caso em especial já deixava poucas dúvidas: um atleta que não só brilhava nos amadores como decidiu fazer uma incursão pelos nacionais de BTT Maratonas, onde conquistou o título, derrotando Tiago Ferreira, que no currículo tem (somente) um campeonato do Mundo e outro da Europa.

Curiosamente, os resultados começaram a aparecer após a sua união ao Dr. Benjamim Carvalho, um médico ligada a vários escândalos de dopagem no passado e cujos métodos e qualidades lhe valeram a alcunha de “levanta-mortos”.

Tiago Ferreira e José Dias, os maiores especialistas nacionais de XCM, perderam nos nacionais para o homem dos Gran Fondos
Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo

Já quanto aos profissionais, são mais surpreendentes e levantam algumas dúvidas (especialmente o caso de Errazkin) sobre se haverá lugar a suspensão. Ainda assim,  é incompreensível como não foram tornados públicos pela Federação, já que as regras da UCI obrigam a que a lista de atletas suspensos provisoriamente seja pública. Mas, muita coisa no combate anti-doping em Portugal não faz sentido.

E nesse contexto, não se percebe porque é que perante a vinda a pública de todos estes casos, não há uma única palavra da Federação. Mas, lá está, é um mal português, porque a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais também decidiu seguir pelo caminho do silêncio. Será que tudo isto é uma miragem e, afinal, não há doping em Portugal? Ou será só que os representantes do nosso país ainda tem uma cultura desculpabilizadora dos infratores?

Noutras notas, esta semana, o antigo campeão do mundo Tiago Ferreira voltou às vitórias, conquistando a Azores MTB Marathon. Já a W52/FC Porto tem sido muito falada por uma candidatura a subir de escalão para Profissional Continental, mas o seu nome não aparece na lista de candidatos publicada pela UCI.

Foto de Capa: Kat Jayne

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