Foi um dos momentos chave do mercado de transferências ciclístico para a próxima época. A ida de Tom Dumoulin para a Jumbo-Visma deixando o contrato com a Sunweb a meio surpreendeu e pode ser o ponto de viragem no domínio da Sky/INEOS nas Grandes Voltas.

Ora, se a Jumbo fica com um plantel recheado e confirma o estatuto de uma das melhores equipas do mundo, a Sunweb perde o seu principal líder e terá que repensar a sua estratégia para o futuro.

Para já, o foco parece ser voltado para as clássicas, com a contratação mais sonante a de Tiesj Benoot, que se juntará a Soren Kragh Andersen, Michael Matthews e Marc Hirshi para formar um bloco sólido e que pode estar na discussão das grandes provas. O grande problema é tratarem-se de ciclistas muito regulares, mas a quem muitas vezes falta aquele extra para vencer, mas no dia certo, podem ganhar qualquer prova de um dia.

Outro foco será certamente os sprints e numa especialidade em que a equipa tem experiências de muito sucesso no passado, há matéria em bruto para voltarem aos seus dias de glória. Se para finais mais seletivos Matthews continua a ser um dos melhores do mundo, os jovens Bol, Kanter e Dainese podem vir a figurar entre a elite do pelotão nos próximos tempos.
Cees Bol é um dos promissores sprinters da equipa alemã e já se estreou a vencer no World Tour
Fonte: Team Sunweb

Nas Provas por etapas, a saída de Dumoulin mata as expectativas de grandes vitórias, mas o conjunto alemão não fica totalmente órfão. Tanto Kelderman como Oomen são ciclistas com capacidade para apresentarem resultados, especialmente este último que é um dos mais promissores jovens trepadores. E há ainda nomes como Hamilton, Hirshi ou Hindley para provas menos montanhosas.

Em termos de gregários, o alemão Nikias Arndt é claramente um homem que qualquer equipa gostaria de ter e contam ainda com nomes sólidos como Haga, Denz ou Sutterlin. No entanto, talvez falte um pouco de profundidade e experiência.

De qualquer modo, o grande trunfo da Sunweb para resistir à tempestade criada pela saída de Dumoulin é a sua aposta nos jovens. Tanto vindos da sua equipa de desenvolvimento como de outras paragens, a aposta é clara e tem dado resultados, formando alguns dos craques do pelotão e o plantel da próxima época continuará a refletir isso com Arensman, Nieuwenhuis ou Pedersen a serem ciclistas a seguir nos anos vindouros.

Agora saiu Dumoulin, mas o mesmo já tinha acontecido com Barguil, Kittel ou Degenkolb e a equipa sempre foi capaz de se reinventar, pelo que nada indica que desta vez será diferente.

 

Foto de Capa: Team Sunweb

artigo revisto por: Ana Ferreira

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