Estão a matar o Ciclismo!

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Como leitor certamente depreenderá, o título deste artigo é uma hipérbole. O Ciclismo não vai mesmo morrer, mas isso não quer dizer que não andem a fazer-lhe mal. E, mais uma vez, o ataque vem de dentro e de algo já em tantas ocasiões criticado aqui neste espaço: as regras (e a sua aplicação) da UCI.

Nos últimos dias, dois episódios causaram justificada irritação a muitos adeptos da Modalidade. Na segunda etapa da Volta à Eslovénia, o campeão olímpico português Rui Oliveira foi o mais rápido na estrada, mas acabou relegado para sexto por sprint irregular. Já na terceira e última jornada da Volta a Catalunya Feminina, a triunfadora da Geral, Demi Vollering, também acabou relegada, de sexta para 58.ª, por erguer os braços para celebrar a vitória na etapa da sua colega de equipa, Loes Adegeest.

Ambos os casos demonstram como a UCI continua fechada sobre si mesma e não se escusa de prejudicar o produto que oferece aos adeptos em troca de uma pífia demonstração de poder regulatório.

Na Eslovénia, Rui Oliveira ficou sem aquela que seria a sua primeira vitória profissional na estrada por um sprint irregular em que se terá desviado um pouco da sua linha de trajetória. Ora, numa análise abstrata, não parece que o ciclista da UAE Emirates se tenha desviado o suficiente para justificar qualquer punição. Porém, o pior é a incoerência e a postura de forte com os fracos e fraca com os fortes que o Ciclismo continua a demonstrar. Correndo o risco de chover no molhado, não resisto a dar o mesmo exemplo personalizado de sempre: fossem as regras interpretadas tão estritamente em todas as ocasiões e não haveria um sprint em Jasper Philipsen não acabasse relegado.

Já na Catalunha, a proibição de celebrar a vitória de uma colega de equipa advém de normas supostamente para garantir a segurança dos atletas. Só que, numa modalidade tão marcada por quedas graves, não há memória de uma que tenha ocorrido por esse motivo. Isto é, trata-se somente mais uma daquelas normas para fazer parecer que se faz algo, quando, na verdade, os reais problemas continuam por enfrentar.

Ou seja, dois momentos bonitos de Ciclismo que ficam manchados por golpes de secretaria que para nada servem a não ser para frustrar quem assiste a este desporto. Já estava na altura da UCI aprender a ser melhor que isto.

José Baptista
José Baptistahttp://www.bolanarede.pt
O José tem 24 anos e é de Direito. Adora escrever e, para ele, o desporto deve ser em quantidade e em variedade. O Ciclismo é a sua grande paixão e em 2015 redescobriu o Wrestling.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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